Cotonicultores do Paraguai recebem máquina brasileira
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Imagem: Odilon Ribeiro

AGRICULTURA FAMILIAR

Cotonicultores do Paraguai recebem máquina brasileira

Colheitadeira de algodão de uma linha vai beneficiar agricultores e agricultoras familiares
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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Algodão) apresentaram ao Vice-ministro da Agricultura do Ministério da Agricultura no Paraguai, Santiago Bertoni, um protótipo de colheitadeira de algodão de uma linha para agricultores e agricultoras familiares, uma inovação tecnológica desenvolvida pelo projeto de cooperação sul-sul trilateral +Algodão. 

Representantes da ABC/MRE, Embrapa e FAO Paraguai reuniram-se virtualmente com o Vice-ministro para conversar sobre o protótipo de colheitadeira de algodão, que atualmente está sendo validada no Brasil, em fase de testes. 

Durante a reunião virtual, Odilon Reni da Silva, pesquisador da Embrapa Algodão, disse que esta máquina é uma tecnologia social totalmente disponível para ser transferida para os países parceiros da cooperação (Argentina, Bolívia, Colômbia, Haiti, Paraguai e Peru), e, em particular para o Paraguai, destacando que o desenvolvimento da colheitadeira tipo 'picker de uma linha “é uma tecnologia que busca ser acessível à agricultura familiar produtora de algodão do Brasil e dos países parceiros do projeto +Algodão na região”. 

O Vice-ministro Santiago Bertoni demonstrou interesse em levar essa tecnologia para o Paraguai com o apoio da Embrapa Algodão, tanto no desenvolvimento de um protótipo no país quanto no processo de treinamento para o seu uso, contando com o suporte do Instituto de Tecnologia Agrária (IPTA) do Paraguai e de outros setores para replicação do desenhos e seus testes. 

Valdinei Sofiatti, pesquisador da Embrapa Algodão, também um dos criadores dessa tecnologia, acrescentou que a colheita mecanizada oferece vários benefícios aos pequenos agricultores, e que esse protótipo de uma linha pode colher um hectare em três horas e meia, o equivalente a 120 hectares em 30 dias, além disso, reduz expressivamente o custo da colheita, que atualmente representa até 50% do custo total. 

Para a coordenadora da Cooperação Sul-Sul trilateral com as Organizações Internacionais da ABC/MRE, Cecilia Malaguti, compartilhar a tecnologia social desenvolvida pela Embrapa e os manuais de operação da colheitadeira com as instituições públicas dos países parceiros “é um compromisso do projeto, visando responder às necessidades dos pequenos produtores de algodão no Brasil e nos países parceiros”. 

Segundo a coordenadora regional do projeto +Algodão, Adriana Gregolin, o protótipo desenvolvido integra uma das linhas de ação do projeto, que consiste em conectar iniciativas de países produtores de algodão da América Latina, buscando inovações em pesquisa, máquinas, técnicas de gestão sustentável de cultivo e produção, entre outros, incluindo os diferentes modelos de produção e segmentos de produtores. 

Validação

Um protótipo como o que poderá ser desenvolvido no Paraguai está em fase de validação no Brasil, desde 2019 e continua o processo de testes este ano. A máquina, que já passou por validações em alguns municípios brasileiros, agora está sendo testada na cidade de Catuti, estado de Minas Gerais, em áreas de produção de famílias associadas à Cooperativa de Produtores de Algodão de Catuti (Coopercat).

Com um rendimento na primeira validação de 389 kg de fibra de algodão por hectare e um custo 70% menor em comparação à colheita manual, esse protótipo pode se tornar uma opção altamente viável para os produtores de algodão na região da América Latina, bem como para suas organizações e cooperativas.

Além disso, o uso dessa tecnologia de colheita mecanizada na agricultura familiar ajuda a resolver os problemas do alto custo e da mão-de-obra limitada que geram a colheita manual. 

Após os testes de campo no Brasil, espera-se que o processo de desenvolvimento continue nos países parceiros do projeto +Algodão com a transferência da tecnologia, em conjunto com a Embrapa Algodão e as instituições nacionais dos países. Segundo a coordenadora regional do projeto, esta máquina é um passo importante para países com tradição na produção de algodão na América Latina, especialmente nos tempos do COVID-19, que exigem inovações para continuar produzindo. 

Mais algodão na América Latina

O projeto regional + Algodão, iniciado em 2013, é uma iniciativa de cooperação sul-sul trilateral executada pela ABC/MRE, FAO e sete países parceiros: Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Haiti, Paraguai e Peru. Representando o governo do Paraguai, participa o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAG) como parceiro. O objetivo do projeto +Algodão é contribuir, por meio do sistema de algodão-alimentos, para superar a pobreza rural e garantir a segurança alimentar e nutricional. 

Por meio de sistemas de produção diversificados e de uma visão abrangente da cadeia de valor do algodão, são desenvolvidas iniciativas de cooperação com os países por meio de ações como o intercâmbio de boas práticas, a promoção de inovações e tecnologias, a geração de conhecimento, entre outros.


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