Cotonicultores mato-grossenses colhem a safra mais cara dos últimos anos

Agronegócio

Cotonicultores mato-grossenses colhem a safra mais cara dos últimos anos

Há quem diga no Estado, que atividade corre riscos no Estado e poderá ceder ainda mais espaço à soja e cana
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Os altos custos de produção, aliados à baixa cotação do algodão em pluma nos mercados interno e externo, estão levando os cotonicultores mato-grossenses a colher a safra mais cara dos últimos anos. Mato Grosso é o maior produtor da fibra e responsável por cerca de 50% do total colhido no Brasil.

O maior vilão, segundo os produtores, são os elevados preços dos fertilizantes, que sofreram alta – em dólar - de 140% entre 2007 e 2008. Para complicar a situação, os preços do algodão em pluma pagos atualmente ao produtor são os menores desde 2002, R$ 33 a arroba, bem abaixo do preço mínimo estipulado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), R$ 44,60. Nesta comparação de cotações, o mercado está ofertando cifras 25% abaixo do mínimo.

"Nunca tivemos preços tão baixos nos últimos sete anos como agora", aponta o ex-presidente da Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampa) e conselheiro consultivo da Abrapa (associação nacional), João Luiz Ribas Pessa. "Estamos falando de uma cotação em torno de R$ 33 em algumas regiões de Mato Grosso, para um custo de R$ 38 por arroba". Avaliando os preços da arroba do algodão – 15 quilos – as perdas são de R$ 5.

Segundo ele, para exportação o momento é muito ruim e, no mercado interno, os preços não estão remuneradores. "A leitura que temos deste cenário, hoje, é de que o produtor que tiver de vender agora para pagar suas contas, terá prejuízos. Por isso, achamos que deve-se esperar um pouco até os preços reagirem no mercado. Mas, quem tem contrato está beneficiando a produção e procurando cumprir as entregas aos exportadores.

Pessa diz que os baixos preços do algodão poderão refletir diretamente no planejamento da próxima safra. "Provavelmente, teremos queda de no mínimo 10% em 2010, com impactos econômicos e sociais para o Estado".

Os custos de produção são apontados pelos cotonicultores como o principal fator de perda de renda na safra 08/09. De acordo com os levantamentos, os custos da lavoura de algodão são bem mais altos, quando comparados com os da soja. No caso do algodão, são necessários 1.200 quilos de fertilizantes – ou 1,2 tonelada – entre a base e a cobertura para se obter uma boa produtividade. Ao preço pago de US$ 850 por tonelada, o produtor gastaria US$ 1,02 mil para aplicar o adubo. Neste caso, o cotonicultor teria que colher 300 arrobas de pluma só para pagar os custos. Como a produtividade de Mato Grosso está em torno de 250 arrobas, o prejuízo para o produtor seria de pelo menos 50 arrobas por hectare.

PRODUÇÃO – De acordo com dados fornecidos pela Ampa, Mato Grosso deverá colher este ano 530 mil toneladas de pluma, 30% a menos que as 570 mil toneladas colhidas no ano passado. A área plantada também foi reduzida em 30%, caindo para 380 mil hectares.

"Tivemos baixa produtividade, mas a qualidade da fibra foi excepcional", explica o diretor da Ampa, Décio Tocantins. O que "mais pesou" para o consumidor, segundo ele, foi o custo dos fertilizantes. "Os preços estão tão baixos que não chegam sequer a empatar com o mínimo estipulado pelo governo federal".

Diante deste cenário os produtores estão cautelosos, preferindo aguardar mais algum tempo para comercializar a safra.

"Se aliarmos o problema da redução dos preços a outras variáveis, como queda da safra, defasagem cambial e endividamento agrícola, temos um quadro altamente desfavorável ao algodão, que poderá provocar desestímulo nos produtores", alerta João Pessa.


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