Credores do Independência em cinco estados rechaçam plano

Agronegócio

Credores do Independência em cinco estados rechaçam plano

Contraproposta entregue à diretoria do grupo frigorífico será analisada
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Representantes dos credores do frigorífico Independência de Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e de Rondônia, Minas Gerais e Goiás rechaçaram mais uma vez a proposta do plano de recuperação judicial. O posicionamento foi ratificado na última quinta-feira, 6, durante reunião na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), em Brasília. O Independência tem uma dívida de R$ 55,66 milhões com 494 produtores de Mato Grosso.

Os cinco estados unificaram a proposta para mudança no plano apresentado para que voltem a fornecer gado ao Independência. A proposta condiciona o pagamento de 100% da dívida com os 1.524 pecuaristas na ordem de R$ 194 milhões, data para pagar, juros e correção nas dívidas desde o dia do abate do rebanho. “Queremos garantia no recebimento de nossa dívida que representa apenas 5,6% dos débitos do frigorífico e sem a matéria-prima eles não voltam a funcionar. Não vamos fornecer boi ao abate, enquanto não pagarem o que devem”, afirma o presidente da comissão de credores de Mato Grosso, Marcos da Rosa.

O presidente da Comissão de Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira, informou que as negociações com o Independência estão avançando e que é possível que haja um acordo. “Agora a indústria frigorífica vai se reunir com a comissão de bancos para tratar do assunto. Nós aguardamos, para a próxima semana, a resposta do Independência à proposta apresentada por nós. Acredito que ela (a resposta) será positiva e que esse impasse sobre o pagamento dos credores chegará ao fim. Os produtores estão unidos e fortes neste processo, e o acordo é a melhor saída para todos”, afirmou.

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), apoia integralmente a proposta apresentada pelos credores do Independência. “O plano apresentado é uma afronta ao pecuarista e a Acrimat apoio sua objeção. A proposta de suspender totalmente o fornecimento do gado é mais que acertada, pois não tem cabimento o produtor continuar financiando as indústrias. A exigência de pagamento de 100% dos débitos junto aos criadores é justa, pois o pagamento apenas para quem tem a receber R$ 80 mil é interessante só ao Independência, pois atingiria 52% do passivo total de R$ 3,5 bilhões do Independência, mas deixaria de fora 37% dos pecuaristas, uma verdadeira manobra financeira”, aponta o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari.

INDEPENDÊNCIA – Durante o encontro em Brasília, os representantes do frigorífico receberam a proposta unificada e ficaram de apresentar uma posição na semana que vem. “Queremos construir uma agenda positiva com os credores do Independência e é legitimo os produtores reivindicarem melhorias na proposta”, disse o diretor comercial do frigorífico Independência Eduardo Pedroso. Segundo ele, “a proposta feita pelos pecuaristas é muito difícil de ser atendida, mas não impossível. Vamos conversar com os bancos e estudar a sua viabilidade”. Ele ressalta que “para melhorar a proposta para um lado, temos que piorar a proposta de outro lado, pois a capacidade do caixa não altera, é a mesma”.

Pedroso disse ainda que o Plano apresentado “não é de todo péssimo comparado com os demais planos nesse mesmo setor e a sua não aprovação (Plano original) pode acarretar em muitos problemas e levar a empresa à falência”. Desta forma, segundo Pedroso, “ninguém vai receber nada”. Outro ponto que o representante do Independência observa é que o Plano prevê a possibilidade de uma defasagem de 70% da dívida junto aos bancos quirografários. “Os banco analisam a questão de forma impessoal, matemática. Eles querem saber dos riscos, das taxas de juros, da viabilidade da empresa. O banco faz a conta de quando receberia com a empresa funcionado e qual seria o seu retorno no caso de falência. Os pecuarista já pensa de forma diferente, até porque eles vivem da venda do gado e não tem condições de assumir uma dívida. Por isso é diferente as negociações com os bancos e com os pecuaristas”.


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