Cresce calote a produtores no campo

Agronegócio

Cresce calote a produtores no campo

Só em GO, MT e MS a estimativa é que a dívida de usinas e frigoríficos com os produtores chegue a R$ 260 milhões
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O amontoado de pedidos de recuperação judicial nas usinas e frigoríficos encobre um outro elo frágil do agronegócio. Com a crise, os produtores têm acumulado calotes. Só em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul a estimativa, segundo as federações que representam os produtores, é que dívida de usinas e frigoríficos com os produtores rurais chegue a R$ 260 milhões.

Mas não são apenas as empresas do agronegócio em recuperação judicial que têm deixado de arcar com os compromissos, como conta Feliciano Moura Ribeiro Neto, de Morrinhos (a 120 km de Goiânia), pequeno produtor de cana.

Ele assinou um contrato de arrendamento de sua propriedade para fornecer cana à usina Camen.

A empresa pagaria aluguel anual, sempre em setembro, de 2008 a 2010. O dinheiro do ano passado, R$ 12 mil, ainda não saiu e daqui a três meses vence a segunda parcela. A dívida com os produtores, calcula-se, passa de R$ 5 milhões.

“O projeto da usina ficou pela metade e agora a esperança é que outro grupo a compre. Tem cana na minha propriedade à espera da colheita há dois anos.”

Luiz Carlos Tasso Júnior, de Sertãozinho (SP), é a terceira geração da família que vive do plantio de cana-de-açúcar. A produção do Sítio Ana Paula abastece três usinas da região.

Uma delas – Tasso prefere não revelar o nome porque está no meio de uma negociação – deveria ter pago pela cana em 30 de abril, mas pediu mais prazo e agora promete acertar as contas nesta semana.

Além do atraso, há o problema da defasagem no preço do produto. A tonelada reverte para o produtor R$ 22, já descontado o custo do corte, o carregamento e o gasto com o caminhão. É um valor 10% maior que o da safra passada. Mas os custos subiram 19% no período.

O problema, segundo Ismael Perina, presidente da Cooperativa dos Plantadores de Cana da Zona de Guariba (SP), é agravado pela falta generalizada de crédito desde o início da crise financeira global. (AE)


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