Cresce o ritmo de demissões nos frigoríficos

Agronegócio

Cresce o ritmo de demissões nos frigoríficos

Nos últimos 30 dias, duas unidades do Noroeste do Paraná, que empregavam 380 pessoas, fecharam as portas
Por: -Osmar Nunes
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A unidade do Frigorífico Torlin, em Umuarama/PR, é a mais recente do setor a encerrar as atividades no Paraná. Os 240 funcionários foram demitidos nos últimos dias e, segundo o sindicato da categoria, ainda não receberam os direitos trabalhistas. Há 30 dias, outro frigorífico da região Noroeste do Paraná havia fechado as portas: o Frigojara, de Tapejara, onde 140 pessoas perderam o emprego.

Desde o início da crise econômica internacional, em setembro passado, 55 frigoríficos já suspenderam as atividades no país, informou ontem o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar. O Grupo Independência, que tem base no Mato Grosso do Sul, é considerado o campeão de demissões: foram 6,6 mil dos 11 mil empregados, desde o começo do ano.

De acordo com Salazar, a situação tende a continuar ruim até o fim do ano por causa da escassez de animais para o abate, a queda no preço e a redução nas exportações. Depois de descartar parte do rebanho de matrizes, em 2005 e 2006, em razão da queda nos preços provocada pela foco de febre aftosa no Paraná, os pecuaristas passaram a reter as matrizes, desde o ano passado, para retomar a oferta. “Esperamos que essa oferta aumente a partir de 2010 e as exportações voltem ao normal.”

Cerca de 750 frigoríficos pequenos e médios integram a Abrafrigo. “Todos estão em dificuldades, mas confiantes numa recuperação do mercado”, diz Salazar.

Cooperativa

Em Umuarama, o presidente da Sociedade Rural local, Sidnei Lujan, informou que os pecuaristas estão se organizando para formar uma cooperativa, que teria a finalidade de assumir e manter em funcionamento a estrutura que pertence ao Torlin. “Estamos dependendo apenas de fechar as negociações com a direção da empresa.” Lujan diz ainda que Umuarama, com o maior rebanho bovino do Paraná, não pode ficar sem um frigorífico de grande porte. O Torlin abatia em torno de seis mil cabeças ao mês.

O presidente do Sindicato da Alimentação na cidade, Adenilson do Amaral, afirma que os 240 operários demitidos do Torlin ainda não sabem quando vão receber o dinheiro da rescisão contratual. O sindicato apurou que o FGTS não era depositado há oito meses. Além disso, há alguns meses a cesta básica não era entregue. O sindicato informou ainda que vai ajuizar uma ação cautelar para reter os bens do Torlin na cidade a fim de garantir o pagamento das rescisões aos demitidos.

No frigorífico, apenas um guarda mantém fechado o portão de entrada. Na sede da empresa em Maringá ninguém comentou o assunto.

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