Crise argentina afeta soja de Mato Grosso

Agronegócio

Crise argentina afeta soja de Mato Grosso

Por conta do racionamento de energia nas indústrias, as esmagadoras do grão estão de 70% a 80% ociosas
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A crise energética enfrentada pela Argentina pode trazer reflexos para a economia mato-grossense em relação à exportação de soja. Por conta do racionamento de energia nas indústrias, as esmagadoras do grão estão de 70% a 80% ociosas.

Com isso, o país que é um dos quatro maiores produtores de soja pode passar a ter que exportar um volume maior da oleaginosa in natura, por falta de condições de processá-la. O aumento da oferta do produto no mercado internacional deve fazer cair o preço, o que é ruim para Mato Grosso, onde 70% das exportações de soja são em grão. Por outro lado, é uma oportunidade para as esmagadoras do Estado aproveitarem e melhorarem as vendas externas de óleo e farelo, que têm valor agregado e preço maior.

Tudo isso, por enquanto, é só um alerta. Não há como prever quando e quanto o mercado internacional será influenciado pelo problema energético argentino. Mas o consultor da Imex Trading, Milton Nanni, aponta que a indústria tem saber aproveitar o momento.

Já os pequeno e médio produtores, que exportam o grão sem processar, segundo ele, devem pensar bem em como vão trabalhar para a próxima safra. "É preciso tomar cuidado, ver bem o cenário e definir se vale a pena expandir a plantação". Nanni chama atenção dos produtores porque agora se começa a fazer os financiamentos para a próxima safra.

O consultor lembra que devido à falta de energia na Argentina, que pode colocar mais soja em grão no mercado internacional, já há previsões de que o preço do produto abaixe cerca de 10%. O grande vilão da exportação, o câmbio, continua caindo. Ontem, por exemplo, bateu a casa de R$ 1,86. Há a observar ainda, que a Argentina leva vantagem sobre o Brasil por ter logística melhor e impostos menores, o que dá vantagem de competitividade.

A Argentina enfrenta um apagão desde o início de julho por conta da escassez de gás natural. Em ano de eleição e com a mulher Cristina sendo candidata à sua sucessão, o presidente do país, Néstor Kirchner, decidiu priorizar as residências tentando evitar desgaste eleitoral. A determinação foi que as indústrias reduzissem o consumo de energia.

Outro efeito que pode surgir em curto prazo, segundo Nanni, é para o preço das colheitadeiras e tratores. A Argentina é um grande produtor de peças para essas máquinas e uma possível redução da oferta pode forçar para cima o preço do produto, encarecendo os implementos agrícolas.


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