Crise do leite une produtores, cooperativas e indústrias
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Agronegócio

Crise do leite une produtores, cooperativas e indústrias

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A implementação de ações de marketing do leite e a formação de um grupo de trabalho para tratar da tributação sobre os lácteos foram algumas das medidas contra a crise do setor definidas em reunião emergencial da Comissão Técnica de Leite da Faemg-Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais, nessa quarta-feira, 03, em Belo Horizonte. A gravidade da situação, com as sucessivas quedas dos preços pagos ao produtor em plena entressafra, mobilizou representantes dos produtores, cooperativas, indústrias e do governo na busca de soluções para a crise.


Os preços do leite caíram 4,6% em julho em relação a junho e a média hoje no Estado é de R$ 0,71 por litro, de acordo com levantamento feito pelo Cepea/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo). Pela primeira vez, os preços estão abaixo dos valores praticados no mesmo período do ano passado. Já os custos de produção aumentaram proporcionalmente muito mais que os preços pagos ao produtor, pressionados pela alta das despesas com alimentação (volumoso, concentrado e sal mineral) e outros insumos, como adubo.

A produção brasileira, que foi de 26,4 bilhões de litros em 2007, ainda deve crescer em torno de 4% neste ano, mas segundo o presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Rodrigo Sant’Anna Alvim, nas principais regiões produtoras do país inicia-se um movimento de desaceleração. Responsáveis por um terço da produção nacional, os produtores mineiros também começam a reduzir a produção, o que deverá se refletir com maior intensidade na próxima safra leiteira.


MEDIDAS

Integrado por representantes de toda a cadeia produtiva, o grupo de trabalho formado na Faemg sugere a contratação de um tributarista para a elaboração de uma proposta de redução da carga tributária incidente sobre o setor. “Minas está em desvantagem fiscal em relação a outros estados e pretendemos contratar um profissional para entregarmos uma proposta factível ao governador Aécio Neves”, informa Eduardo Dessimoni, presidente da Comissão de Leite da Faemg. “Continuamos aguardando a reforma tributária, tão anunciada e nunca efetivada”, acrescenta Rodrigo Alvim.

PROFISSIONALIZAÇÃO

Outras medidas defendidas pelas lideranças do setor leiteiro são a profissionalização do produtor e a maior organização da classe, com o fortalecimento do sistema cooperativista brasileiro, a exemplo do que ocorre nos principais países produtores. O marketing do leite é outra necessidade. “Temos que promover nosso produto para aumentar o consumo”, enfatiza Rodrigo Alvim. O consumo per capita no Brasil está na faixa de 140 litros anuais, muito aquém da quantidade mínima recomendada pelo Guia Alimentar Brasileiro, de 200 litros por habitante por ano.


As lideranças do setor também chamam a atenção para a necessidade de promoção internacional do leite brasileiro, visando ao aumento das exportações. Os embarques de produtos lácteos já vêm crescendo: de janeiro a julho de 2008, o país exportou 81,8 mil toneladas, aumento de 74% em relação ao mesmo período do ano passado. O saldo comercial cresceu 572%, atingindo US$ 166,8 milhões. De Minas, saíram 36,1 mil toneladas, alta de 79% em comparação com os primeiros sete meses de 2007, gerando divisas da ordem de US$ 140,1 milhões.

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