Crise energética da Argentina impulsiona pecuária brasileira

Agronegócio

Crise energética da Argentina impulsiona pecuária brasileira

As restrições para as exportações de carne bovina na Argentina aliada à crise de energia do país vizinho já trazem benefícios à cadeia de carne bovina no Brasil
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As restrições para as exportações de carne bovina na Argentina aliada à crise de energia do país vizinho já trazem benefícios à cadeia de carne bovina no Brasil que segue na liderança das vendas mundiais do produto e atinge valores recordes para o preço do boi que, segundo o indicador Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiróz", fechou na última quarta-feira a R$ 63,31, o maior valor nominal da história do Indicador iniciada em março de 1994.

"O mercado do Brasil se ampliou com a diminuição da participação desse concorrente. Ainda não dá para quantificar, mas já é possível sentir os reflexos no mercado", avalia o diretor executivo da Associação das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli.

Como reflexo do bom momento, grandes empresas brasileiras anunciaram lucro no primeiro semestre de 2007. A Perdigão conseguiu reverter um prejuízo de R$ 15 milhões ante igual semestre de 2006 e a Sadia atribuiu o lucro de R$ 205 milhões, alta de 143% em relação ao primeiro semestre de 2006, ao bom desempenho das suas exportações.

No primeiro semestre de 2007 o incremento das vendas externas de carne bovina no Brasil foi de 31% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando US$ 2,2 bilhões com o embarque de 1,36 milhão de toneladas. Aproveitando a fragilidade da importante concorrente Argentina o país elevou suas vendas em importantes mercados. Na Itália, Estados Unidos e Alemanha as exportações já equivalem a 62%, 59% e 57% das vendas de todo o ano passado. Em relação à Rússia, o número é ainda maior e já corresponde a 74% das exportações de 2006.

O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho, que está em missão na Argentina para participar da maior feira agrícola do país também atribui a expansão do mercado brasileiro às dificuldades do concorrente. "A partir do momento que o governo argentino tirou a carne bovina das exportações para abaixar o preço da carne no mercado interno, o Brasil passou a ocupar um grande mercado", afirma. Na avaliação de Ramalho, mesmo com a crise existe a possibilidade de fazer parcerias com a Argentina que, segundo ele, faz maior uso de tecnologia e tem um custo de produção muito mais baixo em diversos setores da agropecuária.

A crise de energia da Argentina também tem grande parcela no decréscimo das vendas do país. O governo decretou uma restrição de 50% no consumo de energia das indústrias, o que inclui frigoríficos, durante 8 horas por dia. Em outros setores da agricultura o cenário se agrava ainda mais com a restrição de óleo diesel, o que inibe substancialmente o uso de máquinas e tratores. Commodities importantíssimas para o país, como soja, milho e trigo, estão com a safra comprometida e a situação deve se estender, já que as iniciativas demandam planejamento e ações de longo prazo", diz o analista em energia da Frost & Sullivan, Jorge de Rosa.

A falta de combustíveis também está provocando uma queda do abastecimento dos insumos estratégicos. A produção de fertilizantes recuou 34,9% em junho ante o mês anterior e de 28,5% comparado ao mesmo período do ano passado.

No caso específico da comercialização de carne bovina, além da crise que restringiu as vendas, o governo argentino decidiu reduzir as exportações, para tornar o produto mais barato no mercado interno. Ação que foi prorrogada até o dia 31 de dezembro pela Oficina Nacional de Controle Comercial Agropecuário (ONCCA). Com isso a Argentina pode vender ao mercado externo em torno de 500 mil toneladas de carne bovina por ano. Com a redução de 50% da carne argentina no mercado internacional e a diminuição da oferta da carne brasileira, os preços devem manter o bom desempenho alcançado nos últimos dias.

"O Brasil deve aumentar ainda mais suas exportações. Acredito que os preços devem seguir firmes nos próximos dois anos", diz a analista de mercado pecuário da AgraFNP, Juliana Moretti Ângelo.


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