Crise mundial de crédito: setor agrícola brasileiro pode não escapar
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Agronegócio

Crise mundial de crédito: setor agrícola brasileiro pode não escapar

O motivo é que o País não dispõe de reservas financeiras para ajudar os produtores a lidar com as prováveis limitações de prazo para pagamento dos insumos importados
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O setor agrícola brasileiro pode sofrer as conseqüências da crise mundial de crédito, afirmou o professor titular de Economia da USP (Universidade de São Paulo), Guilherme Leite da Silva Dias. O motivo é que o País não dispõe de reservas financeiras para ajudar os produtores a lidar com as prováveis limitações de prazo para pagamento dos insumos importados, principalmente de fertilizantes, que respondem por 40% dos custos de produção.

O tema foi abordado durante sua palestra, realizada na terça-feira (23), na reunião do Cosec (Conselho Superior de Economia) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Na ocasião, ele também manifestou receio quanto aos efeitos que a desaceleração da economia americana ainda acarretará à economia chinesa.

Mas, segundo o professor, do ponto de vista mundial, existem três pontos mais preocupantes: a redução dos estoques de cereais, a crise de energia e o momento financeiro dos Estados Unidos. "O ritmo de crescimento está diminuindo, os preços das commodities estão sendo afetados e as commodities também são prejudicadas", salientou. "Os agricultores que investem no plantio de grãos para a substituição de fontes de energia hídricas e fósseis devem ter cautela redobrada", recomendou.

Para Dias, falta profissionalização no agronegócio brasileiro. "Fortalecer o conceito da empresa agrícola, em substituição ao antigo modelo de fazenda familiar, é urgente. Sem isso, será ainda mais difícil contornar os obstáculos à obtenção de crédito".

Crise dos alimentos
O palestrante também deu sua opinião à respeito da crise mundial na oferta de alimentos. Segundo ele, a escassez não resulta apenas do crescimento acelerado dos países, especialmente da China e da Índia, mas também da inexistência de uma estratégia internacional de estocagem de alimentos.

"Se todos os países disponibilizassem a sua oferta no mercado internacional, produziriam um sistema que neutralizaria os aumentos de preços das commodities".

O economista afirmou que os estoques estão menores do que nos últimos dez anos e que os países emergentes estão com um padrão de consumo típico de classe média, com alta demanda de proteínas. "A retenção das exportações começou nos países da Europa Central, e depois se propagou para o resto do mundo", disse o professor.

Sem política coerente
Ele lamentou a ausência de uma política coerente, que fosse capaz de solucionar o problema. "Há um efeito colateral do sucesso obtido com a Rodada Uruguai, de 1995, que criou a Organização Mundial do Comércio (OMC)", observou.

Nessa rodada, ficou estabelecido que os países não podem praticar políticas domésticas que causem impacto negativo no mercado internacional. "Por esse modelo, em vez de os países seguirem um sistema de estoques emergenciais dentro do seu próprio mercado, todos passariam a disponibilizar a sua oferta no mercado internacional, evitando-se a alta de preços", explicou.

A China passou a seguir as normas em 1998, e de 2002 em diante, seus gigantescos estoques de emergência começaram a despencar. Os Estados Unidos também detonaram seus estoques de milho em dois anos, devido à produção de etanol. Assim, na opinião do economista, é imprescindível traçar uma política de cooperação internacional.


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