Crise na suinocultura continua na região Sul do Brasil
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Agronegócio

Crise na suinocultura continua na região Sul do Brasil

A crise que assolou a suinocultura no ano passado persiste em 2007
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A crise que assolou a suinocultura em 2006 persiste para os criadores neste ano, em especial os do Sul brasileiro. A Rússia mantém seu mercado fechado para o maior produtor de suínos do País - Santa Catarina - e o aumento do preço do milho tem corroído a rentabilidade da atividade. Além disso, os primeiros meses do ano são geralmente mais fracos para o segmento por conta da queda no consumo interno, para onde vão 80% da produção. Com a demanda menor, o preço do suíno fica ainda mais pressionado.

"Passamos 2006 no prejuízo e, até agora, 2007 não deu mostras de que será melhor", comentou Wienfred Matthias, suinocultor de Guarapuava e secretário da Comissão Técnica de Suinocultura da Federação Paranaense de Agricultura (Faep). "A aftosa nos prejudicou muito porque 60% da nossa carne iam para exportação e agora praticamente contamos apenas com o mercado interno", diz, referindo-se ao foco de febre aftosa identificado no Paraná em outubro de 2005, que causou o embargo russo e de outros países.

No Paraná, o aumento dos preços do milho elevou o custo de produção para a casa dos R$ 2 o quilo do suíno vivo, enquanto os produtores recebem R$ 1,60. Na mesma época do ano passado, uma saca de 60 quilos milho valia cerca de R$ 10, hoje está em cerca de R$ 18 no Paraná e R$ 19,50 em Santa Catarina. O custo subiu muito no segundo semestre do ano passado, quando começou a disparada dos preços do milho, e tem se mantido praticamente igual até agora, o problema é que o preço ao produtor não acompanhou aquela alta, explica Irineu Wessler, presidente da Associação Paranaense de Suinocultura (APS). Ele também relata que, apesar da crise, o alojamento de matrizes aumentou de 7% a 8% no Estado no ano passado, fazendo com que a produção de suínos aumentasse.

No Rio Grande do Sul, embora o Estado seja um dos poucos a exportar carne suína para a Rússia, a crise persiste na ponta produtora. "Estamos pagando para trabalhar", protesta Valdecir Folador, presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs). O preço médio pago ao produtor independente gaúcho está atualmente em R$ 1,70 o quilo vivo posto na indústria. O produtor arca com frete e Funrural. O valor recebido pelo produtor fica R$ 1,55/quilo vivo para um custo entre R$ 1,85 e R$ 1,90/kg. "Os abates continuam normais, não há restrição nas compras, as indústrias estão trabalhando com quase 100% da capacidade. O grande problema é o preço baixo do suíno. Deveriam estar pagando ao menos R$ 2 quilo vivo", afirma.

No mercado catarinense, Wolmir de Souza, presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), relata que, antes do episódio da aftosa o quilo do suíno vivo chegou a valer R$ 2,80. No auge da crise em 2006, negócios foram fechados por menos de R$ 1/kg. Hoje, os preços estão em 1,60 para um custo de R$ 1,85. "Há suinocultores saindo da atividade", diz. Wienfred Matthias, do Paraná, relata o mesmo movimento. "O produtor sobrevive vendendo o plantel, que é um capital de giro que está pago. O que vai acontecer é que os menores, os menos capitalizados vão sair da atividade. Isto já está acontecendo".


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