Cultivo consorciado cresceu 80% desde 2008 em Minas

Agronegócio

Cultivo consorciado cresceu 80% desde 2008 em Minas

Predominam as práticas recomendadas pela Conferência de Copenhague
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O número de propriedades rurais mineiras que aderiram à Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) cresceu 80% desde 2008, quando o sistema foi lançado no Estado. Segundo o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Elmiro Nascimento, “nas 442 propriedades já incluídas predominam as práticas recomendadas pela Conferência de Copenhague, realizada em março de 2010, quando o governo brasileiro assumiu o compromisso de implantar, nesta década, a produção consorciada em 4 milhões de hectares, entre outras iniciativas para reduzir os efeitos da emissão de carbono”.


O sistema ILPF consiste na concentração, na mesma área, do cultivo de grãos, fibras, madeira, carne, leite e desenvolvimento da agroenergia. Os produtores que aderem às práticas recebem da Seapa, por meio da vinculada Emater-MG, um pacote tecnológico (calcário, adubos, sementes de milho e braquiária), em volumes de acordo com a demanda definida pelo extensionista local para cada projeto. De posse dos insumos e contando com a orientação do extensionista, os agricultores têm condições de iniciar a produção consorciada.

De acordo com o secretário, os números relativos à expansão das unidades de cultivo consorciado em Minas Gerais mostram que a adoção do sistema, além de contribuir para o combate ao aquecimento global, garante resultados satisfatórios para os produtores. “A integração dá ao agricultor mais condições para aumentar a renda e fazer melhorias na propriedade”, acrescenta.

As atividades produtivas das propriedades mineiras incluídas no sistema ILPF são desenvolvidas em áreas constituídas principalmente por pastagens degradadas. De acordo com Nascimento, “este aspecto é muito importante se considerarmos que Minas Gerais tem aproximadamente 25 milhões de hectares de pastagem e cerca de 50% apresentam algum grau de degradação.” Ele observa que o cultivo de diversas espécies vegetais e a criação de bovinos, de forma integrada, possibilitam maior produção por área com sustentabilidade. O secretário ainda diz que o sistema possibilita a renovação do solo, o aproveitamento de adubação e dos resíduos da lavoura.

Segundo o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário e da Silvicultura da Seapa, Guilherme Mendes, as propriedades que aderem ao sistema são reconhecidas como Unidades Demonstrativas (UDs) de integração e utilizadas como vitrines tecnológicas para pesquisadores, extensionistas e agricultores acompanharem o desenvolvimento do sistema. “O acompanhamento dessas unidades é tarefa dos técnicos da Emater-MG presentes em 804 dos 853 municípios do Estado. Eles orientam os produtores em todas as etapas da integração desde a busca do financiamento específico para as atividades”, enfatiza.

Mendes ainda observa que o trabalho dos extensionistas inclui a elaboração de projetos e assistência técnica em ILPF, além da realização de eventos, como dias de campo, palestras e outros. “Em todas as oportunidades os técnicos ressaltam a importância da preservação ambiental nos projetos de integração”, explica.

Diversificação da renda

Introduzido no município de Coronel Xavier Chaves, no Campo das Vertentes, em 2009, o sistema ILPF alcançou naquele ano 4 hectares e agora é desenvolvido em 30 hectares, informa o extensionista local Leonardo Calsavara. Ele acredita que o cultivo consorciado pode ajudar a melhorar o cenário da produção no município porque diversifica a renda dos agricultores. “É uma alternativa economicamente viável, socialmente correta e ambientalmente sustentável para o agricultor, que não fica restrito a uma única cultura”, explica.


Uma unidade de ILPF foi criada na Chácara das Gabirobas, onde quatro hectares são utilizados para o plantio direto de milho para silagem, pastagem e eucalipto para produzir mourão, carvão, poste e toras destinadas a serraria. De acordo com o Calsavara, o sistema foi implantado pela Emater, em parceria com a Embrapa Gado de Leite e financiamento da Fundação Bunte.

O agricultor familiar Vanderlei dos Reis Souza, proprietário da chácara, informa que atualmente a área de pastagem ocupa 4,5 hectares e resiste bem ao período de seca porque tem a proteção da sombra das árvores, que garante conforto térmico aos vinte animais da propriedade. “No inverno, as árvores fazem uma barreira natural que reduz a incidência de ventos frios diretamente nos animais”, acrescenta o produtor.

Além disso, de acordo com Souza, o sistema de ILPF possibilita a produção ininterrupta de alimento para o gado na Chácara Gabirobas. Para este ano está prevista uma produção de silagem superior às 40 toneladas obtidas na propriedade em 2010. O cultivo de eucalipto ocupa 8,5 hectares, sendo que em meio hectare a madeira já pode ser retirada. “Uma parte da madeira pode ser vendida para ser utilizada como escora em obras e outra parte será utilizada na propriedade”, informa o produtor.


Os produtores interessados em aderir ao sistema de ILPF devem procurar a unidade da Emater-MG em seu município.

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