Custo da pecuária aumenta 22,5% no MS
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Agronegócio

Custo da pecuária aumenta 22,5% no MS

Os custos operacionais da pecuária sul-mato-grossense cresceram enquanto que o preço da arroba sofreu desvalorização de 13,8%
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Os custos operacionais da pecuária sul-mato-grossense cresceram, em média, 22,59% nos últimos três anos (de 2004 a 2006), enquanto que, no mesmo período, o preço da arroba sofreu desvalorização de 13,81%, conforme dados revelados nessa quarta-feira (07-02) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O achatamento na renda dos produtores rurais teve início em 2003, quando o mercado começou a registrar trajetórias opostas entre os ganhos dos produtores e os custos de produção: ou seja, há quatro anos a pecuária de corte estadual – e também a brasileira – enfrenta esta conjunção negativa.

Segundo o Cepea, somente no acumulado nos doze meses de 2006, os custos operacionais da pecuária de Mato Grosso do Sul aumentaram 6,95%, índice que representa a terceira maior alta média entre os Estados, atrás de São Paulo (7,82%) e do Rio Grande do Sul (7,48%). Em igual período, de janeiro a dezembro do ano passado, a variação da arroba no Estado foi positiva, mas com aumento de apenas 1,2%. A maior alta no preço da arroba em 2006, de 11,1%, foi registrada no Rio Grande do Sul, seguido pelo Estado do Paraná (8,35%). Em Minas Gerais, no ano passado, os produtores enfrentaram a maior desvalorização no preço da arroba, com queda de 7,08% no preço médio.

Em Mato Grosso do Sul – que possui área de 25,7 milhões de hectares (equivalente ao território da Alemanha) e sozinho detém cerca de 12% do rebanho bovino nacional – a alta nos custos com mão-de-obra impactaram decisivamente nos custos efetivos da pecuária no ano passado, conforme o relatório do Cepea. Segundo a instituição, a região leste de Mato Grosso do Sul apresenta os custos mais elevados do Estado para a produção pecuária. No município de Paranaíba (divisa com Goiás e Minas Gerais), por exemplo, o produtor rural que produz no sistema de cria tem o maior dispêndio com mão-de-obra na propriedade. Como o manejo sanitário e alimentar das matrizes e animais recém-nascidos exige maior controle e continuidade, o uso da mão-de-obra nessa região é considerado mais intenso, quando comparado com o do sistema de recria-engorda.

A estimativa é que na região leste de MS, o custo com mão-de-obra represente até 37% do custo efetivo da pecuária. Despesas ligadas à alimentação (manutenção das pastagens) representam cerca de 20% do custo total da atividade, sendo que a suplementação mineral representa aproximadamente 19% dos custos efetivos. As maiores altas nos custos operacionais da pecuária em 2006, no Estado, foram registradas em Ribas do Rio Pardo, Chapadão do Sul, Nova Andradina e Paranaíba.

Segundo o Cepea, os custos totais da pecuária de cria em MS sofrem grande influência dos ajustes anuais do salário mínimo. Em todo o País, entre janeiro e dezembro de 2006, houve alta de 16,67% nos custos com mão-de-obra na pecuária, o que causou certo aperto nas contas dos pecuaristas. Para o assessor técnico do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da CNA, Paulo Mustefaga, o aumento está fora da realidade dos produtores e tem gerado desequilíbrio entre custos e ganhos. "O adicional que vai para os salários é, geralmente, deduzido daquilo que seria reinvestido na atividade", explicou. A CNA sugere que a causa para o desequilíbrio seja o fato de o reajuste dos salários pagos pelos produtores estar indexado ao salário mínimo e não à produtividade gerada pela mão-de-obra.

Em todo o País, segundo a pesquisa de acompanhamento da evolução dos custos pecuários, houve aumento acumulado de 4,8%, no ano passado, no Custo Operacional Total (COT) e de 5,7% do Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade.


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