Custos aumentam e põem o setor avícola em alerta

Agronegócio

Custos aumentam e põem o setor avícola em alerta

Componentes da ração subiram pelo menos 40% desde o início de 2010
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Componentes da ração subiram pelo menos 40% desde o início de 2010 e fizeram produtores reajustar preços, o que pode desacelerar as exportações de frango

FOZ DO IGUAÇU - O aumento dos custos de produção e a valorização do real diante do dólar podem já estar afetando a indústria avícola brasileira, que nota uma desaceleração no ritmo das exportações. Maior produtor e exportador de frango do país, o Paraná também se mostra preocupado com possíveis perdas no mercado externo e já procura alternativas para compensar a desaceleração das exportações registrada no primeiro trimestre do ano em comparação ao mesmo período de 2010.

Em relação ao início do ano passado, o milho e o farelo de soja, principais componentes da ração das aves, estão 70% e 40% mais caros, respectivamente. No mesmo período, o real ficou 7% mais caro em relação à moeda norte-americana. Para compensar o aumento dos custos, os exportadores têm elevado os preços.

O resultado desse movimento foi que, no primeiro trimestre, as exportações brasileiras somaram US$ 1,95 bilhão, 24,3% mais que em 2010. Se por um lado a estratégia segura a margem de lucro, por outro torna o frango brasileiro menos competitivo. “O câmbio abaixo de R$ 1,60 tem comprometido severamente a avicultura”, conta o gerente da divisão de Alimentos e Compras da Cooperativa Lar, Jair Meyer.

As exportações de frango continuam avançando razoavelmente bem. A questão é que o novo ritmo é mais lento que o esperado pelo setor. Em termos de volume, as vendas ao exterior, que haviam crescido 15% no primeiro bimestre em relação ao mesmo período de 2010, avançaram 10% no primeiro trimestre, também sobre igual período do ano passado, atingindo 934 mil toneladas de carne in natura e processada.

No Paraná, onde a avicultura mantém mais de 550 mil empregos diretos e indiretos, as exportações também vêm sentindo os reflexos do aumento do preço do milho e da soja e do real valorizado. No primeiro trimestre, o aumento nas exportações chegou a 13%, com 242 mil toneladas embarcadas, contra 214 mil toneladas no ano anterior. Na comparação com o crescimento do primeiro bimestre, a desaceleração no estado foi mais discreta que a da média brasileira – em janeiro e fevereiro, a alta foi de 15%, com 151 mil toneladas vendidas no exterior.

Soluções

Há quem aponte para saídas drásticas, como reduzir a produção, dispensar trabalhadores e frear os investimentos planejados para médio e curto prazo. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, apesar de a demanda mundial continuar em alta e os resultados se aproximarem dos observados antes da crise econômica mundial, os volumes embarcados de frango não vêm mantendo o mesmo ritmo registrado no primeiro bimestre, reflexo da perda de competitividade do produto brasileiro, cujos preços já estão próximos dos cobrados por americanos e dos europeus.

Para Meyer, da Cooperativa Lar, caso o quadro se mantenha, o Paraná poderá seguir a tendência nacional de desaceleração. O primeiro passo será diminuir a produção. “Com as commodities em alta, a mão de obra pressionada e o dólar em baixa, quando o avicultor brasileiro faz a conversão da sua venda para o real, apesar de os preços internacionais estarem bons, vê que a receita é menor que a esperada. Para tudo há um limite, e quando ele começa a se aproximar é natural que se crie uma certa expectativa”, explica.

Os mercados consumidores internacionais, observa, estão atentos ao encarecimento da proteína animal, em especial a avícola. “Se essa situação não melhorar, certamente vamos perder mercado e toda a cadeia será prejudicada. Os criadores estão começando a rever o volume de abate porque sabem que não adianta reverter a produção para o mercado interno, que também está no limite”, comenta Meyer.

Oscilação incomoda

A falta de previsibilidade, aponta o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, é um dos maiores problemas enfrentados pelo setor, o que em parte justifica as oscilações. Mas Martins não se mostra preocupado com o atual ritmo das vendas. “Apesar da falta de previsibilidade e de outros problemas, como os de logística no estado, estamos crescendo a níveis chineses. Quando se cresce assim, é natural que em algum momento esse ritmo caia um pouco até que volte a subir. É o que estamos vendo agora.”

Maior produtor, Paraná exporta para 120 países

Maior produtor e responsável por 25% das exportações de carne de frango do país, o Paraná abateu no ano passado mais de 1,3 bilhão de cabeças de frango, o que corresponde a quase 3 milhões de toneladas de carne para consumo no mercado interno e externo. No mesmo período, foi embarcado 1 milhão de toneladas para mais de 120 países em todo o mundo, gerando um faturamento de US$ 1,69 bilhão. Com o consumo doméstico passando de 40 para 44 quilos per capita em 2010, o Brasil está entre os cinco países que mais consomem carne de frango no mundo.

O principal destino do frango continua sendo o Oriente Médio, puxado por Arábia Saudita, seguido da Ásia – que é impulsionada pelo Japão e tem a China pela primeira vez figurando entre os dez principais importadores. Novos mercados, como a Malásia e a Indonésia, também já demonstraram interesse em importar do Brasil. A conquista de novos mercados e a diversificação do produto, como novos cortes, despontam como solução mais eficaz para garantir a competitividade brasileira, alternativa que em momentos de retração tem se mostrado bastante viável e eficaz.

Apostando no fortalecimento da avicultura nacional, no início do mês a cooperativa Copacol, de Cafelândia, comprou metade das ações da BFC Alimentos e se uniu à cooperativa Coagru, de Ubiratã. Com a negociação inédita, fechada em R$ 22,5 milhões, a Copacol assumiu a participação da Big Frango na empresa e a conclusão do frigorífico projetado para abater até 300 mil aves por dia, iniciando as atividades em 2012. Até lá, devem ser investidos mais R$ 100 milhões na construção do abatedouro e na compra de equipamentos. Uma nova indústria para extração de farelo de soja usado na fabricação de ração vai consumir outros R$ 75 milhões.


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