Agronegócio

Custos elevados da produção brasileira desestabilizam o Mercosul

Depois do leite, os arrozeiros querem solução para as desigualdades
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Apresentado ontem pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul), o estudo Competitividade da Agropecuária Brasileira no Mercosul reúne as distorções que fazem com que o "bloco" criado há 26 anos não tenha saído do papel.

Especialmente em uma área extremamente sensível ao Rio Grande do Sul e em um cenário que só se agrava. Desde o início de 2017, por exemplo, o setor lácteo reforçou suas ações para limitar o ingresso de leite uruguaio no País, e agora são os arrozeiros que tentam buscar o equilíbrio nos negócios com o grão vindo de países vizinhos. 

Coordenador do estudo, o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz é taxativo ao afirmar que o problema não é o bloco, mas o Brasil. A análise se fundamenta nos elevados custos de produção do agronegócio brasileiro e nas limitações impostas pela legislação nacional. "Há muitas aberrações. Enquanto a indústria compra livremente produtos feitos na Argentina e no Uruguai, é praticamente impossível um agricultor negociar com esses países, onde o custo com insumos e equipamentos é infinitamente menor", diz Luz. 

Em extenso levantamento sobre preços de insumos brasileiros, uruguaios e argentinos, as "aberrações" são muitas, diz o economista. A diferença de preço de um inseticida para lavoura, por exemplo, pode ultrapassar 400%. 

O somatório de diferentes assimetrias torna o custo de produção brasileiro de arroz, por exemplo, 51% maior do que na Argentina e 24% acima do Uruguai. Na soja, em relação à Argentina, o desequilibro pode chegar a 153%. E enquanto representações de produtores se movimentam para restringir compras externas, a Farsul tentará apoio para mudar os problemas internos. "No caso do leite, o Uruguai pode estar quebrando regras ao servir de entreposto para que entre no Brasil até produto de fora do Mercosul. Mas, no geral, o que buscaremos é soluções para os erros brasileiros nessa relação", explica Luz.

Curiosamente, ao mesmo tempo que o Brasil entra em embates com seus vizinhos, a União Europeia divulgou nesta semana, por meio do chefe da Delegação Europeia no Brasil, o embaixador João Gomes Cravinho, que está confiante na meta de fechar um "acordo político" entre Mercosul e União Europeia em breve. Não é isso que esperam, porém, especialistas como o professor de história contemporânea e relações internacionais da Universidade de Brasília, Virgílio Arraes.

"Não creio que avançará antes das eleições de 2018, com este cenário incerto, de crise e sem perspectivas. Neste mesmo cenário conturbando também não avançará o Mercosul", avalia Arraes.

O fato é que Brasil, ao que tudo indica, seguirá apenas tapando buracos dentro do bloco. Na próxima semana, técnicos do Ministério da Agricultura irão ao Uruguai tratar da importação de leite. Já os arrozeiros gaúchos devem iniciar ações nacionais e jurídicas para reduzir as disparidades de preços do grão uruguaio. "Não é nossa intenção, mas cresce entre um grupo de produtores a ideia de fechar as fronteiras para chamar atenção para o caso, assim como em 2011. Enquanto a importação de arroz é taxada em 4%, a produção nacional paga até 12% e depois de ter arcando com impostos absurdos na produção", diz o presidente da Federarroz, Henrique Dornelles. 

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