Da exploração da madeira à produção sustentável de soja

Agronegócio

Da exploração da madeira à produção sustentável de soja

A agropecuária paranaense é formada por pequenos e médios produtores, que não têm condições de expandir sua área
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A agricultura do Paraná passou por diversos momentos, decisivos para a definição da vocação agrícola: formada basicamente por pequenas propriedades com agricultura familiar e altamente tecnificadas. Segundo o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, os primeiros colonos de origem europeia chegaram em 1870 ao Estado e "ditaram o tom" da agricultura no Sul do País. "Esses colonos participaram da primeira revolução agrícola dos tempos modernos na Europa e estavam acostumados a usar tração animal, a fazer a integração lavoura X pecuária e os cultivos consorciados de plantas", comenta.

Além do cultivo tradicional da mandioca, esses imigrantes introduziram novas culturas, como o trigo e o centeio. "O primeiro ciclo foi o da segurança alimentar, que garantia a subsistência das famílias e o fornecimento para as cidades", observa Bianchini. Foram várias fases agropecuárias até chegar no atual: chamado ciclo da soja. O ciclo da madeira teve início com a colonização e o aproveitamento da matéria-prima para a construção civil. Depois veio o período da erva-mate, explorada principalmente na Região Sul.

O gerente Técnico e Econômico da Organização das Cooperativas do Paraná, (Ocepar) Flávio Turra, acrescenta que a tecnologia começou a chegar aos campos paranaenses com o início do ciclo do café. A cultura foi cultivada principalmente nas regiões Norte e Noroeste, para onde trouxe muitos imigrantes porque o café exige mão de obra. Londrina ficou conhecida mundialmente como a "Capital do Café" e até hoje tem marcas que remetem a esse período como o Teatro Ouro Verde e o Shopping Catuaí. Depois de duas fortes geadas - registradas nas décadas de 60 e 70 - o plantio de café foi desestimulado.

Em seguida, entrou o ciclo do algodão, que teve o seu auge no início da década de 90, quando a área plantada atingiu cerca de 700 mil hectares. As doenças novamente contribuíram para o menor plantio da cultura e cedeu espaços às lavouras anuais, como a soja, o trigo e o milho. Ainda há espaço para a cana-de-açúcar, para a laranja, que está em expansão, e para o leite. As commodities colocaram o Paraná no cenário exportador, trouxeram tecnologia ao campo e também levaram à industrialização.

Turra, afirma que recentemente houve uma evolução significativa na produção animal, principalmente, de frangos. As criações animais, especialmente na Região Oeste, contribuíram para a instalação de abatedouros. "Isso ocorreu como uma forma de agregar valor à soja e ao milho, que são utilizados como ração. Como a região fica mais distante do porto, perde a competitividade", explica. Os frangos, acrescenta ele, trazem mais renda aos produtores e geram empregos para quem está nas cidades.

"Tanto que muitos municípios não têm mão de obra suficiente para atender as indústrias que, em muitos casos, vão buscar trabalhadores a 100 quilômetros", comenta o gerente da Ocepar. A utilização de tecnologia - adotada em larga escala por pequenos, médios e grandes produtores - na sua avaliação, ocorre por necessidade de manter a competitividade produtiva paranaense com relação ao mercado internacional.

""A agropecuária estadual é formada por pequenos e médios produtores, que não têm condições de expandir sua área. Então, eles têm que promover o uso intensivo do solo - com a utilização de insumos - para obter os maiores resultados e aumentar o potencial produtivo"", observa ele. Embora a prioriedade esteja na questão econômica, na sua avaliação, as propriedades rurais são geridas de forma sustentável, com aplicações sociais e ambientais. "Os produtores estão conscientes da necessidade de preservação ambiental, dos cuidados com a água", observa.

Segundo o secretário Valter Bianchini, a estrutura fundiária da Região Sul é resultado do processo imigratório e foi responsável pela criação da "classe média no campo". "Como essas propriedades são de famílias que vieram da Europa, que já estavam acostumadas com o uso da tecnologia, a tecnificação avançou, foram introduzidos novos modelos de trabalho e de gestão e muitas das propriedades se tornaram modelo para o Brasil", observa. Ainda na sua avaliação, os agropecuaristas têm consciência da sustentabilidade, apesar de ainda existir o debate sobre a mata ciliar e as áreas de preservação permanente.


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