De novo, MT absoluto!

Agronegócio

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Sojicultura 2011/12 chega ao fim com recorde de produção
Por: -Marianna Peres
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Estado emplacou mais um recorde no campo. Temporada 2011/12 rompe a superlatividade das safras passadas

A safra mato-grossense de grãos e fibra, temporada 2011/12, revela novo recorde de área e produção à soja, ao milho segunda safra e ao algodão. As culturas consolidadas seguem em plena ascensão no Estado e juntas ocuparam mais de 10,1 milhões de hectares, cerca de 10% acima do registro anteriormente. Neste ritmo cadenciado pelo mercado, Mato Grosso fica cada vez mais próximo de atingir nas próximas duas ou três safras a área plantada de pouco mais de 8 milhões de hectares projetada à sojicultura para 2020.


O balanço divulgado na quinta-feira (5) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) trouxe números novos e com correções pontuais. A colheita da soja está praticamente encerrada e a do milho e algodão terá início no final de maio. “Apesar da redução de produtividade da soja por fatores climáticos e de sanidade, foi um ciclo positivo e com números jamais imaginados”, aponta o superintende do Órgão, Otávio Celidônio.

O otimismo que emerge do campo está calcado cada vez mais sobre os bons números da agricultura local. “Mesmo com pontos atípicos, esses números deixam como lição que o Estado tem capacidade de superação, avança e tem como avançar mais. Se o mercado desejar podemos crescer, e na soja, atingir antes do previsto, cobertura de mais de 8 milhões de hectares”, completa. Como frisa, a expansão se dará em área de pastagem degradada, cerca de 3 milhões ha.


Sobre os “pontos atípicos”, Celidônio explica que duas situações inusitadas ocorreram. “Sustentação de preços favoráveis em pleno pico de safra, isso é fora do comum porque na medida em que a oferta aumenta o preço deprime e essa alta vem sendo quase que contínua, fora do comum para o período. Outro destaque, negativo, foi a força da ferrugem que frustrou a sojicultura. Achávamos que podíamos controlar o ataque da doença, mas desta vez não foi possível. No entanto, reforço, na balança o preço compensou as perdas”.

Conforme o Imea, a sojicultura cobriu 7 milhões de hectares (ha), 4,8% acima dos 6,41 milhões da safra 2010/11. A produção aumentou 3,89%, de 20,56 milhões de toneladas para 21,36 milhões. Mesmo ascendente o total só superou a colheita passada porque houve incremento de quase 700 mil ha. “A produtividade caiu bastante e frustrou a expectativa que havia. Num primeiro momento os números não são bem vistos, mas superam a série histórica mato-grossense”, explica Celidônio. Comparando as médias de março do ano passado com as deste ano, a saca passou de R$ 37,02 – base Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá) – para R$ 41,99, ganho de 13%. Esticando a comparação, média dos primeiros dias de abril de 2011 ante 2012, a saca saiu de R$ 36,70 para R$ 45,50, incremento de 24%.


SURPRESA – O milho segunda safra tem a melhor performance da temporada em relação à produção e produtividade com alta de 67,8% e 17,4%, respectivamente e com espaço para crescer mais, conforme o clima daqui pra frente. A revisão do Imea acrescentou um milhão de toneladas à estimativa, que de 10,7 milhões passou a 11,7 milhões. No ano passado, safra marcada pelo baixo rendimento, a produção foi de 6,99 milhões de t. “São cerca de 10 sacas a mais de rendimento por hectare na comparação entre os dois ciclos”. Outro número revisado para cima foi o da área plantada, que passou de 2,42 milhões ha para 2,50, avanço de 43%, ante 1,75 milhão ha da safra passada.

Os preços valorizaram cerca de 8% na média março de 2011 ante 2012 e em abril acumulam ganhos de 7% com a saca cotada a R$ 20,40. Em janeiro de 2010, por exemplo, na entressafra, a cotação da saca – base Sorriso – era de cerca de R$ 6.

Também com recordes na lavoura está o algodão, com estimativas de alta de 6% de área, de 768,89 mil ha para 724,9. A produção de pluma deve crescer 14%, de 937 mil toneladas para 1,06 milhão, graças ao incremento de 7,5% em produtividade. Apenas nas cotações a situação não é tão positiva, já que o preço atual por volta de R$ 51 pela arroba praticamente empata com o custo. “No ano passado nesta época a arroba chegou a R$ 125, o que revela perda de 59%. No entanto, não havia produto disponível para que o produtor lucrasse com a valorização. De qualquer forma, o mercado oscilou entre R$ 80 e R$ 70 e quem travou nesses preços sem dúvida sente um recuo agora”.


ANÁLISE - Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Carlos Fávaro, a safra podia ter sido melhor se não fosse a ferrugem. “O que tem de ficar claro é que é na produtividade que se faz dinheiro, dinheiro que vem pro bolso e gira a economia. Não é saudável incrementar a produção por meio de incorporação de área {degradadas} e manter a produtividade em baixa”. Mesmo frustrado, Fávaro lembra que a safra 2010/11 foi espetacular e que ele crê na demanda do mercado e nos resultados das safras argentina e norte-americana para manter as cotações em alta e, assim, “ganhar no preço”, com as vendas antecipadas para 2012/13, que mesmo sem um balanço estão acontecendo no Estado.
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