Demanda chinesa garante renda ao produtor de algodão

Agronegócio

Demanda chinesa garante renda ao produtor de algodão

Maiores importadores de algodão do Brasil estão acelerando as compras e dando sobrevida aos produtores nacionais
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SÃO PAULO - Os maiores importadores de algodão do Brasil estão acelerando as compras e dando sobrevida aos produtores nacionais. Dos sete principais demandantes, quatro deles mais que dobraram suas aquisições. Quem lidera a escalada de compras é a China, maior produtor, consumidor e importador da commodity. O país aumentou de 2,9 mil toneladas para 21 mil toneladas o volume de algodão importado do Brasil no primeiro semestre. Em receita, o crescimento foi de US$ 2,9 milhões para US$ 26,7 milhões. A ampliação em seis vezes das compras chinesas já leva alguns produtores a apostarem no país como o principal comprador na próxima temporada, superando a Indonésia e Coréia do Sul, que hoje ocupam primeiro e segundo lugares, respectivamente.

Nesta semana, a Associação de Algodão da China declarou que as importações de algodão do país devem subir nos próximos meses por causa da alta dos preços domésticos, tornando mais vantajoso importar o produto.

Mesmo com o acréscimo significativo, o mercado de algodão continua enfrentando dificuldades e mantém os preços muito abaixo dos patamares registrados no mesmo período do ano passado. As baixas cotações são reflexos da crise financeira que arrefeceu a indústria têxtil mundial. Enquanto em 2008 o contrato com vencimento em dezembro do mesmo ano apontava 0,70 centavos de dólar por libra-peso, este ano, o mesmo contrato está cotado a 0,61 centavos de dólar por libra-peso. Os preços no mercado interno também eram mais elevados. O produtor brasileiro era remunerado a R$ 1,25 e, hoje, o patamar está perto de R$ 1,18.

"No entanto, o atual cenário difere do ano passado justamente pelo fato de que, agora, os preços, embora pontualmente mais baixos, estão vindo em tendência de baixo para cima, e não de cima para baixo como ocorria no ano passado", afirmou Miguel Biegai, analista de Safras & Mercado.

Ainda que a perspectiva seja de melhora, os produtores brasileiros deverão mais uma vez reduzir a área plantada na safra 2009/2010. O recuo, que pode variar entre 5% a 10%, ainda é menor que a redução feita na safra anterior, da ordem de 20%. Há duas safras passadas o País tinha mais de 1 milhão de hectares plantados, mas esse número deve recuar para 800 mil na próxima safra que será plantada. No Mato Grosso, principal Estado produtor, a queda deve chegar a 7%.

Para Walter Horita, presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), para o algodão voltar a ser remunerador e disputar área com a soja é necessária e recuperação geral da economia para puxar o consumo de têxteis. "Só o fator China não é suficiente", avalia. Ainda assim, ele destaca a liderança da China no mercado e a aponta como futuro principal comprador do Brasil, ultrapassando a Indonésia.

O produtor, que tem cerca de 16 mil hectares de algodão plantados, disse ainda que todos os fundamentos do mercado indicam uma nova redução de área. "Os preços melhoraram, mas não o suficiente para reverter tendência", afirmou Horita.

No mercado interno, os preços ficaram mais estáveis após o segundo leilão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) da safra 2008/2009, realizado na última semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no qual 100% das 266,3 mil toneladas de algodão em pluma ofertadas foram comercializadas.

"De maneira geral, vendedores consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) estiveram mais interessados em negociar, mas não flexíveis quanto aos preços. Neste cenário, as cotações mantiveram-se firmes, mesmo com pressão do mercado externo e da taxa de câmbio", avaliou Lucílio Alves, pesquisador do Cepea.

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