Desequilíbrio entre oferta e demanda de cebola


Agronegócio

Desequilíbrio entre oferta e demanda de cebola

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Os produtores brasileiros de cebola apostam num cenário de preços altos no primeiro semestre e de excesso de oferta na segunda metade do ano, repetindo o desequilíbrio entre demanda e oferta registrado em 2002. Um dos fatores que deve motivar essa oscilação é a desova da cebola da Argentina no mercado nacional, que tem previsão de crescer 40%, atingindo 150 mil toneladas este ano.

O assunto foi discutido durante o XV Seminário Nacional da Cebola e o VI Seminário de Cebola do Mercosul, realizado no Centro de Convenções de Petrolina - a 774 quilômetros do Recife.

"A quebra de safra no Sul do Brasil, os altos custos de produção e o endividamento dos produtores fizeram com que os argentinos aumentassem em 40% a área cultivada com o bulbo no País, apostando no incremento das exportações para o Brasil", observa o pesquisador da Secretaria de Agricultura de Santa Catarina, Guido Boeing.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), em janeiro as importações de cebola da Argentina somaram 3,9 mil toneladas, enquanto no mesmo período de 2002 as aquisições atingiram apenas 111 toneladas. "Os cebolicultores do país vizinho vão fazer a festa no mercado brasileiro até julho, quando começa a safra do Vale do São Francisco e do Sudeste", afirma o pesquisador.

Custo menor

Apesar de o custo de produção da cebola ser menor na Argentina do que no Brasil, o produto está entrando no mercado interno ao preço médio de R$ 23 a saca. "A alta cotação valoriza o produto no mercado doméstico, mas ao mesmo tempo reduz o consumo pela metade, porque o quilo da cebola é comercializado no varejo entre R$ 2 e R$ 2,50", informa Boeing.

Excesso de chuvas

O excesso de chuvas no Sul provocou uma quebra de 50% na safra regional e puxou para baixo os preços. "No início da safra (em novembro) a saca de 20 quilos estava cotada a R$ 7. O valor chegou a cair para R$ 2 e hoje oscila entre R$ 9 e R$ 10", afirma Boeing.

No segundo semestre, a expectativa é de redução das importações argentinas, em razão das safras do Vale do São Francisco e da Região Sudeste e de queda nos preços. Novas regiões produtoras como Irecê e Mucugê, na Bahia, devem ampliar o excesso de oferta.

Guido Boeing diz que uma das alternativas para escoar a produção no segundo semestre é apostar nas exportações. "O Brasil poderia aproveitar a entressafra nos EUA e na Europa, de janeiro a março, para ocupar um mercado de 150 mil toneladas."

O pesquisador afirma que os produtores precisam ser mais articulados e programar viagens para prospectar mercados. No ano passado, o Brasil só exportou 2,1 mil toneladas de cebola, um recuo de 32% em relação a 2001, quando o volume ficou em 3,1 mil toneladas.

O agronegócio da cebola movimenta em média R$ 1 bilhão no Brasil. O país produz 1,1 milhão de toneladas por safra, numa área de 65 mil hectares, onde estão distribuídos cerca de 60 mil cebolicultores. Santa Catarina responde por 60% da produção nacional.

kicker: A produção movimenta em média no País R$ 1 bilhão, numa área de 65 mil hectares .


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