Dívidas são empecilho à expansão da soja

Agronegócio

Dívidas são empecilho à expansão da soja

A aposta dos sojicultores poderia ser muito maior não fosse o endividamento
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A aposta dos sojicultores para a próxima safra poderia ser muito maior não fosse o pesado endividamento contraído com as indústrias de insumos no período de baixa da cultura nos últimos dez anos. A dívida total do agronegócio é estimada em R$ 131 bilhões e, por enquanto, o que há é apenas uma possibilidade de equalizá-la.

O governo tem até o dia 30 de agosto para apresentar uma proposta de renegociação dessa dívida, o chamado Fundo de Recebíveis do Agronegócio (FRA). O fundo criado numa Medida Provisória, já enviada ao Congresso Nacional, servirá para os produtores quitarem os débitos com as empresas de defensivos e de fertilizantes.

“Os produtores poderiam e até gostariam de plantar mais soja este ano, mas não vão conseguir por causa da falta de crédito para a compra de insumos”, diz André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult. Em Mato Grosso a previsão é que a soja ocupe 5,5 milhões de hectares na próxima safra, apenas 400 mil hectares a mais do que a área cultivada na safra passada. Há duas safras, o estado semeou 6,1 milhões de hectares.

Pessôa acredita que os bons preços da soja no mercado internacional seriam suficientes para levar a produção a esse patamar neste ano. “Vamos ver como essa proposta de refinanciamento será apresentada. A área poderá superar os 5,5 milhões de hectares que estamos prevendo, caso o refinanciamento de fato ajude os produtores”, pondera o consultor.

O endividamento do produtor pesa na hora de comprar os insumos. Segundo o diretor executivo da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), Eduardo Daher, boa parte dos produtores está tendo de pagar à vista a compra de fertilizantes, porque a indústria adotou critérios mais rigorosos para conceder crédito.

Custo:

Mesmo com o endividamento elevado dos produtores, as estatísticas da Anda indicam que Mato Grosso foi o estado que liderou as compras de fertilizantes no primeiro semestre deste ano. Foi vendido 1,8 milhão de toneladas de adubo, um volume 240% maior na comparação com igual período de 2006.

“Hoje os produtores de Mato Grosso devem o equivalente à receita de uma safra e meia”, diz José Nardes, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Primavera do Leste, no sul do Mato Grosso, e vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso.

O principal fator de preocupação continua sendo o elevado custo de produção e do frete. “O adubo subiu 35% este ano e os agroquímicos entre 7% e 10%”, afirma Nardes. Ele destaca que o que mais afeta a rentabilidade do agricultor da região é o custo do frete, agravado pela desvalorização do dólar.

Segundo a Agroconsult, gasta-se U$S 108 por tonelada de soja transportada do norte de Mato Grosso ao Porto de Paranaguá (PR), cerca de um terço do preço do produto. No ano passado, com o dólar a R$ 2,60, o custo do frete para o mesmo percurso era bem menor, de US$ 77 por tonelada.

Para Nardes, nem mesmo o preço favorável da soja no mercado internacional atenua o impacto negativo do custo do frete e a falta de logística para escoar o grão do Centro-Oeste para o porto. Para ele, o aumento da produção de soja não virá dos agricultores do Centro-Oeste.

O peso crescente das despesas com óleo diesel e mão-de-obra é ressaltado pelo presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Humberto Santa Cruz. Em 2001 o litro do diesel custava R$ 0,80 e hoje está R$ 1,80 na sua região. No mesmo período o salário mínimo, que era R$ 180 em 2001, atualmente está em R$ 380. Enquanto isso. O dólar, parâmetro para se chegar ao preço em reais da soja, que estava cotado a R$ 2,04, hoje está abaixo de R$ 2. “Tivemos grandes problemas de custos e queda da receita com a commodity no período”.

Apesar do recorrente problema da valorização do real em relação ao dólar, o que reduz o ganho do agricultor, o presidente da Aiba admite que mudou o cenário do agronegócio. “Os produtores de soja do oeste da Bahia estão otimistas, o cenário para o grão melhorou”.

No oeste da Bahia, por exemplo, a área plantada com soja, que somou 850 mil hectares na última safra, deve crescer entre 5% e 10% este ano. Para o milho, a expectativa é de acréscimo de 5% na área plantada da safra 2007/08 sobre a anterior, quando foram cultivados 280 mil hectares com o grão.

O maior otimismo, no entanto, não atenua a preocupação dos agricultores da região com as dívidas pendentes de outras safras. Segundo Santa Cruz, por conta disso, a concessão de crédito está mais seletiva.

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