Dólar cai e real lidera ganhos no mundo em dia de leilões do BC e de exterior positivo
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Imagem: Pixabay
ECONOMIA

Dólar cai e real lidera ganhos no mundo em dia de leilões do BC e de exterior positivo

O real liderava as altas entre as principais moedas nesta sessão
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O dólar caía ante o real nesta terça-feira, devolvendo a alta da véspera em dia de leilões de rolagens de linhas de moeda estrangeira e de swaps cambiais pelo Banco Central, com o mercado acompanhando ainda o clima positivo no exterior, depois que a administração Trump deu sinal verde para o início de uma transição de governo nos Estados Unidos.

O real liderava as altas entre as principais moedas nesta sessão.

No entanto, analistas não descartavam chances de volatilidade no mercado de câmbio doméstico em meio a dúvidas persistentes sobre a saúde fiscal do Brasil.

Às 11:35, o dólar recuava 0,73%, a 5,3957 reais na venda. A moeda bateu a máxima do dia ainda na primeira hora de negócios (5,4296 reais, queda de 0,10%) e foi à mínima (5,3798 reais, baixa de 1,02%) pouco depois das 10h30.

Na B3, o contrato de dólar futuro mais negociado cedia 0,96%, para 5,3890 reais.

A moeda dos EUA foi ao piso do dia pouco depois de o BC divulgar que vendeu o lote integral de 1,26 bilhão de dólares em leilão de rolagem de linhas de dólares com compromisso de recompra, que tinham vencimento no início de dezembro.

O BC ainda faz entre 11h30 e 11h40 desta terça operação para rolagem de até 12 mil contratos de swap cambial tradicional vincendos no começo de janeiro.

“Historicamente, o Banco Central sempre deu linhas no final do ano, mas está começando mais cedo este ano, e um dos motivos é a pressão do ‘overhedge’”, disse Vanei Nagem, responsável pela mesa de câmbio da Terra Investimentos.

O “overhedge” é um tipo de proteção cambial adotada por bancos e que deixou de ser interessante devido a mudanças tributárias anunciadas meses atrás. O “overhedge” consistia em venda adicional de dólares e, com o desmonte ao longo deste ano, os bancos fazem a operação inversa --ou seja, compra de moeda.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, já havia dito na semana passada que a autoridade monetária está preparada para atuar no câmbio caso o mercado não seja capaz de absorver o volume elevado de recursos relacionados ao desmonte de posições de “overhedge” esperado para o término do ano.

Enquanto isso, no exterior, invevstidores de todo o mundo buscavam ações e moedas sensíveis ao risco, com o dólar mostrando perdas contra alguns pares do real, como peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano.

“O momento do mercado está positivo”, disse à Reuters Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos. “Há uma maior previsibilidade em relação ao futuro, em geral, com fluxo de notícias positivo em relação às vacinas (...) e o governo Trump abrindo as portas para uma transição para a era Biden.”

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, iniciou nesta terça-feira uma nova fase de sua transição para a Casa Branca, já que o governo atual deu ao democrata acesso a recursos essenciais que lhe permitirão assumir as rédeas do poder em janeiro.

Na segunda-feira, o presidente Donald Trump afirmou ter pedido à diretora da Agência de Serviços Gerais (GSA, na sigla em inglês), Emily Murphy, que iniciasse a transição de poder, apesar de seus planos de continuar com disputas jurídicas pelo resultado da eleição.

As manchetes se somavam a uma série de notícias positivas sobre o desenvolvimento de vacina contra a Covid-19, vista como essencial para a recuperação econômica global, depois que várias farmacêuticas anunciaram altas taxas de eficácia em testes de estágio final e até solicitaram autorização para uso emergencial nos EUA.

Mas, no Brasil, a persistente incerteza em relação à saúde das contas públicas continuava no radar dos mercados, opondo-se ao otimismo externo.

Em meio a temores de que o governo fure seu teto de gastos em 2021, “o mercado quer ouvir foco nas pautas que importam para um futuro fiscal sustentável”, disse Beyruti.

“O ‘fantasma’ do fiscal vai continuar assombrando os mercados. A única solução é o comprometimento com a agenda de reformas.”

A moeda norte-americana à vista fechou o último pregão em alta de 0,90%, a 5,4353 reais na venda.


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