É hora de vender a soja
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Agronegócio

É hora de vender a soja

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Os próximos 60 dias serão decisivos para o mercado da soja. Passado esse período, o produtor pode pensar em 2004 mas terá de conviver com cenário muito diferente.

É aconselhável vender até setembro, mas com muita atenção porque os preços podem mudar rapidamente, mesmo dentro desse período relativamente curto.

Em primeiro lugar, é interessante acompanhar o desenvolvimento da safra norte-americana nos próximos 45 dias. Com os estoques norte-americanos muito baixos - os mais baixos dos últimos 30 anos -, qualquer problema com o clima, que possa atrapalhar a safra norte-americana, é motivo de especulação, podendo jogar os preços para cima, mesmo que por pouco tempo. Serão chances imperdíveis.

A comercialização em curso está, portanto, sujeita a rally de alta a qualquer momento.

O mercado está sensível porque além do baixo estoque dos Estados Unidos, há pouca soja em oferta na América Latina. Há estoque de soja, mas Brasil e Argentina não estão interessados em vender agora. Os produtores argentinos estão em melhores condições do que no ano passado, enquanto os brasileiros já saldaram seus compromissos com as vendas antecipadas e ainda têm o milho da safrinha para vender. Portanto, têm fôlego para determinar o ritmo da comercialização em curso.

Estoques aparecem - Esta condição muda totalmente após o plantio da próxima safra, afinal o estoque existe, apenas está concentrado nas mãos dos produtores da América do Sul. A partir de novembro, esse estoque aparece em oferta pressionando os preços internacionais.

Na interpretação do técnico André Pessoa, analista de mercado da Agroconsult, este comportamento defensivo dos produtores brasileiros e argentinos está caracterizando uma forte escassez de soja no mercado internacional, neste momento.

Isto já transparece no crescimento dos prêmios nos portos . ''Estamos com prêmio de 15 centavos e em agosto este ágio pago pelos importadores estará em 35 a 40 centavos'', disse Pessoa, esta semana, em Londrina, onde falou para cerca de 250 empresários da soja e milho, reunidos em evento técnico da John Deere e sua revendedora Horizon.

Como funciona - O comprador internacional, tradicionalmente nesse período de julho até setembro, tem que se abastecer dos estoques norte-americanos, que este ano estão muito baixos - pressionando para cima as cotações da Bolsa de Chicago -, ou tem que recorrer aos estoques da América do Sul.

Só que aqui ele encontra a resistência dos produtores que estão capitalizados. Daí o aumento dos prêmios. É esse o quadro, inerente ao período, que tem tudo para se intensificar ao longo dos próximos 60 dias ou no máximo 90 dias.

E o dólar como deve se comportar no período?

O câmbio estará favorável ao vendedor. Não há como cair abaixo dos níveis atuais, como aconteceu nesta Quarta-feira. A tendência é aumentar. Não deve aumentar tanto quanto previu o ministro Furlan, da Indústria e do Comércio, R$ 3,25/US$ 1,00, em dezembro, mas estará em ascensão.

André Pessoa coloca o comportamento da política interna como variável importante a exercer influência sobre o câmbio. Uma derrota do governo nos projetos das reformas ou mudança na forma original nesses projetos podem caracterizar fracasso parcial ou total nas negociações. Isto mexe com a atitude do investidor externo. Na medida que os investidores têm sua confiança abalada, o dólar terá de aumentar para evitar fuga de capital - ainda que se trate de capital especulativo.

Além desse fator político, existe o aspecto mais técnico da moeda. Há uma clara tendência de redução das taxas de juros, ainda que tímida. Redução de juros acena com a recomposição da atividade econômica e, na esteira, aumento do volume de importações de matéria-prima e de bens de capital, que implicam em aumento da demanda interna por dólares. Embora isto não deva ser confundido com aquecimento econômico - apenas a saída do ambiente recessivo -, é quase certo que essa tendência venha a refletir na taxa de câmbio.

O técnico acrescenta que no segundo semestre há um volume maior de vencimentos de compromissos assumidos por empresas e governos federal e estadual.

Essas variáveis, porém, isoladamente não são tão determinantes. Mas se juntam à realidade mais forte que são os baixos estoques.

COMO FICA

Pesando prós e contras, a lógica indica que o produtor deve começar a vender

- Hoje o mercado está sob influência positiva dos baixos estoques dos EUA,

- Há estoque na América Latina, mas Brasil e Argentina não têm intenção de ofertar agora,

- Nos próximos 45 dias qualquer notícia sobre clima nos EUA pode elevar os preços em Chicago. Isto deixa de existir após consolidada a safra norte-americana,

- A safra norte-americana deve estar salva a partir de meados de agosto,

- O dólar, que está baixo para quem negociou soja ano passado a quase R$ 4,00-US$ 1,00 na temporada passada, deve reagir um pouco. O mercado projeta R$ 3,00 a R$ 3,10,

- É bom ficar de olho nos juros internos. Redução das taxas pode aquecer a economia,

- Aquecimento da economia leva à importação e (quase sempre) aumento do dólar. Mas não se deve dar um peso muito importante a esta variável,

- É bom ficar de olho também na política interna: problemas na aprovação das reformas podem espantar investidores. Dólar sobe.

- Em novembro, o mercado já recebe sinais da grande safra brasileira e já tem o tamanho da safra americana,


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