Economia na lavoura de algodão
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Agronegócio

Economia na lavoura de algodão

Plantio de variedade adequada, análise de solo bem feita e rotação de culturas ajudam a reduzir custos de produção
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De olho na safra 2008/2009, produtores de algodão devem buscar maneiras de reduzir custos de produção sem comprometer a produtividade da lavoura. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), se não fosse a queda dos preços do milho e da soja, muitos cotonicultores migrariam para esses grãos e deixariam a fibra. Daí a estimativa de redução da área plantada em relação à safra passada ter ficado em 9,7%, ante 20% da previsão anterior.

Deficiência nutricional, pragas e doenças são os principais fatores limitantes à produtividade da lavoura, diz o pesquisador Paulo Hugo Aguiar, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT). "Portanto, com a cultivar certa, pode-se agregar resistência a doenças e manter o potencial produtivo. A escolha da variedade é o começo de tudo."

A disponibilidade de materiais é grande. Há opções para obter uma fibra de melhor qualidade, resistentes a doenças e com bom potencial produtivo. "Deve-se também adquirir sementes certificadas, com garantia de origem." Segundo Aguiar, a semente representa pouco - cerca de 3% - no custo de produção da lavoura, estimado em R$ 3.500/hectare.

Em época de alta nos preços de fertilizantes, ajustar a adubação também é indispensável. "Para isso, porém, é preciso ter informações confiáveis da área, boa equipe técnica e bom sistema operacional", diz o pesquisador Leandro Zancanaro, da Fundação MT. Ele alerta também para a importância de fazer a calagem antes de planejar a adubação e da correta amostragem para análise de solo. "A disponibilidade de nutrientes muda conforme o teor de acidez do solo. Sem informações seguras não há como pensar em ajustar a adubação."

PRAGAS

Além de doenças como a ramulose e a ramulária, o ataque de nematóides também preocupa. E, embora haja materiais tolerantes à praga, só a genética não resolve o problema. "Há variedades resistentes, não imunes. Por isso, deve-se associar métodos de controle, como a rotação de culturas, já que a presença da praga na lavoura é favorecida pelo plantio continuado de algodão na mesma área", diz Aguiar.

Plantas como Crotalaria spectabilis e Brachiaria brizantha são indicadas para a rotação, pois não multiplicam nematóides. "A crotalária, porém, não deve ser plantada se houver incidência de mofo branco, pois é hospedeira da praga, diz o professor Jaime Maia dos Santos, da Unesp de Jaboticabal (SP).

Santos diz que três espécies de nematóides causam prejuízos na lavoura: Meloidogyne incognita, Rotylenchulus reniformis e Pratylenchus brachyurus, que atacam o sistema radicular das plantas. "O problema é que os produtores fazem rotação com soja, que também hospeda a praga." Neste caso, o professor sugere o milheto, que, por não multiplicar a praga, quebra seu ciclo. "Há variedades de milheto melhoradas, que, além de controlarem nematóides, reciclam até 300 quilos de potássio/hectare."  INFORMAÇÕES: Fundação MT, tel. (0--66) 3439-4100

Plantio adensado encurta ciclo

Em áreas pequenas de algodão, uma técnica nova de plantio está sendo testada também para ajudar na diminuição de custos de produção. O plantio adensado reduz o espaçamento entre linhas de 76 a 90 centímetros para 38 a 45 centímetros e aumenta a população de plantas por hectare para 200 mil a 250 mil, ante 80 mil a 110 mil plantas no sistema convencional, explica o agrônomo e consultor Wanderley Oishi. "Com a adoção da técnica, que utiliza regulador de crescimento, a lavoura fica pronta mais cedo, pois o ciclo é encurtado de 180 dias para, no máximo, 160 dias." Como as plantas estão mais próximas, a lavoura "fecha" em 40 dias, o que impede a penetração de luz e evita a germinação de plantas daninhas, afirma.

Conforme Oishi, com um ciclo menor, o número de aplicações de fungicidas também cai, de cinco para três aplicações. Já a aplicação de inseticidas pode diminuir até 25%, garante o consultor. "A técnica dá certo principalmente onde há o plantio de algodão safrinha, feito normalmente em janeiro, pois, como a safra é mais curta, não há risco de faltar chuva no fim do ciclo. No sistema convencional, após o fim do período de chuvas, a lavoura ainda levaria 80 dias para ficar pronta."


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