Efeito Estados Unidos catapulta os preços da soja em MS e MT
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Agronegócio

Efeito Estados Unidos catapulta os preços da soja em MS e MT

Frustração da previsão de safra nos EUA está elevando os preços da commoditie
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Frustração da previsão de safra nos EUA está elevando os preços da commoditie
 
O risco que está se tornando realidade de uma frustração nas previsões da safra norte-americana de soja está catapultando os preços da soja nos mercados internacional e nacional. A avaliação foi feita ao Agrodebate por dois dos principais especialistas no mercado de grãos em Mato Grosso do Sul, o presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja/MS), Almir Dalpasquale, e Alexandre Bueno Magalhães, analista de mercado da Grãos de Ouro Corretora, de São Gabriel do Oeste.

Em Mato Grosso, maior produtor do País, por exemplo, a cotação fechou na sexta-feira (29), a R$ 60 a saca em Sorriso e R$ 63 em Cuiabá. Já em Mato Grosso do Sul, os preços foram ainda maiores, a R$ 66 em São Gabriel do Oeste e R$ 67,50 em Dourados. Tanto Dalpasquale quanto Magalhães apontam que o mercado abre a semana com cotações acima de R$ 70 a saca.

Um exemplo de como o preço do soja está valorizado é que na safra passada, neste mesmo período, o valor da saca estava sendo comercializado no patamar de R$ 40, conforme Magalhães, o que representa que entre um ciclo e outro houve uma valorização de 75% no valor da commoditie. "Temos que levar em conta o aumento do custo de produção também neste período, mas o valor está realmente alto", comenta ele.

Panorama
Nos Estados Unidos, segundo Dalpasquale, as lavouras de soja estão em um momento crucial, de floração e granação, e estão sendo afetadas pela falta de chuva. "Da previsão de uma safra boa para ótima eles estão passando rapidamente de boa para ruim. É a lei do mercado, se vai ter menos produto disponível o preço logicamente vai subir", explica.

O presidente da Aprosoja cita ainda outros fatores que estão ajudando a elevar o preço da soja. "Além dessa perspectiva frustrada da safra de soja nos Estados Unidos, uma parte dos produtores deles migrou para o milho para atender o mercado de alimentos, de ração e de etanol e houve ainda uma quebra de safra de 11 a 12 milhões de toneladas de soja na América do Sul. Junte tudo isso em um cenário em que os estoques mundiais já estavam baixos e a demanda estava alta para ter os preços no patamar atual".

Dalpasquale lembra, entretanto, que a maior parte da safra de soja do País já foi comercializada o que impede que os produtores aproveitem esse panorama de preços altos. "Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, temos menos de 10% do produto na mão", comenta, completando que para evitar que o pouco produto ainda disponível seja vendido para o mercado externo que as indústrias brasileiras estão pagando prêmios muito altos aos produtores.

Neste cenário, o analista de mercado da Grãos de Ouro Corretora diz que a tendência é que os preços da soja continuem subindo nos próximos dias. "Não podemos falar de um teto para os preços, até porque ao longo deste período podem ocorrer algumas realizações de lucros, de investidores que compraram por um valor e querem vender na alta, o que pode eventualmente afetar os preços", alerta.

Magalhães diz que em razão do quadro atual, o mercado já começa a se preocupar também com a próxima safra de soja. "Nosso plantio começa em outubro. Temos que torcer para que não ocorram problemas climáticos com a safra no Brasil, segundo maior produtor mundial do grão, e a da Argentina, o terceiro. Se isso ocorrer, os preços vão disparar ainda mais", conclui.

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