Em crise, frigorífico Diplomata começa a perder fornecedores
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Agronegócio

Em crise, frigorífico Diplomata começa a perder fornecedores

Empresa já iniciou pagamento de parte das dívidas
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Empresa já iniciou pagamento de parte das dívidas, mas a redução no número de avicultores integrados dificulta sua recuperação


O frigorífico de aves Diplomata, com sede em Cascavel (Oeste do Paraná), ensaia uma melhora nas atividades, mas ainda segue cambaleante. Em processo de recuperação judicial após longos períodos de atrasos nos pagamentos e na entrega das rações aos seus associados, a empresa começou a saldar parte dos compromissos firmados com os produtores. O plano de restabelecer a saúde financeira, porém, não tem caminhado da maneira que a Diplomata gostaria. O abastecimento da planta de Capanema, no Sudoeste, pode ser comprometido: quase um quarto dos avicultores que forneciam frango à indústria estão entregando sua produção a outras empresas.


De acordo com dados divulgados pela Diplomata, o abatedouro tem 214 criadores integrados à sua unidade de Capanema. Desse total, 186 são membros da Associação de Avicultores de Capanema e Planalto e da Associação de Avicultores da Microrregião de Fronteira. “Cerca de 50 avicultores já consolidaram a migração para outras empresas. E ainda tem gente que está saindo”, revela Jaime Lazaroto, presidente da segunda instituição. Segundo ele, a maior parcela foi arrebanhada pela Frangos Seva, de Pato Branco.

A redução no número de integrados na região Sudoeste tem feito com que avicultores de áreas mais distantes sejam acionados para assegurar o fornecimento da empresa. Por meio de sua assessoria, a Diplomata informou que cargas de Londrina (Norte) e Mandirituba (Região Metropolitana de Curitiba) estão sendo deslocadas para Capanema. “A empresa pediu que o alojamento seja retomado na região”, conta Dari Possato, presidente da Associação de Avicultores de Capanema e Planalto.


Em encontro com o deputado federal Alfredo Kaefer, proprietário da Diplomata, na última sexta-feira, os avicultores negociaram os termos de pagamento dos lotes entregues após a recuperação judicial. “Pela proposta, o pagamento deverá ser feito em até 30 dias depois da entrega”, explica Possato. Embora considerem o prazo longo, muitos produtores cogitam retomar o alojamento. “Deixamos o pessoal livre para decidir o que fazer”, relata o dirigente. A decisão muda a posição da entidade, que até então recomendava a suspensão do alojamento.

Efeito propagado


As dívidas da Diplomata somam aproximadamente R$ 455 milhões e geram efeitos também em outros estados. Os integrados à planta de Xaxim (SC) planejam oferecer a produção para o frigorífico Agrodanieli, de Tajepara (RS). “Até agora saíram seis ou sete [fornecedores], mas a migração deve ser generalizada”, relata Valdecir Berlatto, presidente da Associação de Avicultores dos municípios de Planalto e Alpestre. Representantes da Agrodanieli relatam que só devem receber novos avicultores após a liberação contratural com a Diplomata.


Como há atrasos nos pagamentos, o contrato poderia ser cancelado sem qualquer impedimento, mas a Diplomata não tem facilitado o processo, afirma Berlatto. “Eles estão dificultando, porque não querem perder os produtores”, diz Berlatto.

Plano de recuperação judicial deve ser entregue até dia 17


Considerado primordial para aliviar os problemas da Diplomata, o plano de recuperação judicial da empresa deverá ser entregue no máximo até 17 de outubro. “Está quase pronto, em fase de montagem”, argumentam representantes da empresa.

Após a elaboração do documento, uma assembleia com os credores vai definir o cronograma de pagamento dos débitos atrasados. Com o processo em mãos, a Justiça, por meio de um administrador judicial, vai fiscalizar o cumprimento das propostas.

Com a aprovação do plano, a Diplomata poderá acessar o dinheiro que atualmente está bloqueado, tendo assim um fôlego extra para honrar parte de seus compromissos.


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