Em junho, IBGE prevê safra de grãos 0,3% maior que a estimada para maio
CI
Agronegócio

Em junho, IBGE prevê safra de grãos 0,3% maior que a estimada para maio

Levantamento indica produção de 160,7 milhões de toneladas
Por:
A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas (caroço de algodão, amendoim, arroz, feijão, mamona, milho, soja, aveia, centeio, cevada, girassol, sorgo, trigo e triticale) indica produção da ordem de 160,7 milhões de toneladas, superando em 0,4% a safra recorde obtida em 2011 (160,1 milhões de toneladas), e 0,3% maior que a estimativa de maio (160,3 milhões de toneladas). A estimativa é do sexto Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), referente a junho de 2012.




A área a ser colhida em 2012, de 49,4 milhões de hectares, apresenta acréscimo de 1,6% frente à área colhida em 2011, mas é 0,9% menor que a estimada no mês anterior.

As três principais culturas (arroz, milho e soja), que somadas representam 91,0% da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas respondem por 84,8% da área a ser colhida. Em relação ao ano anterior, o arroz apresenta uma redução na área de 13,2%, o milho, acréscimo de 10,5% e a soja, acréscimo de 3,5%. Quanto à produção, o arroz e a soja sofreram redução de 14,8% 12,3%, respectivamente, enquanto o milho mostra aumento de 22,7%.

A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/lspa

Entre as grandes regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresenta a seguinte distribuição: Região Centro-Oeste, 66,8 milhões de toneladas; Sul, 57,2 milhões de toneladas; Sudeste, 19,1 milhões de toneladas; Nordeste, 13,3 milhões de toneladas e Norte, 4,4 milhões de toneladas. Comparativamente à safra passada, houve incremento nas Regiões Norte (0,5%), Sudeste (11,0%) e Centro-Oeste (19,1%) e decréscimos nas Regiões Sul (15,7% e Nordeste (9,2%). Mato Grosso lidera como maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 23,5%, seguido pelo Paraná, com 19,6% e Rio Grande do Sul, com 12,3%. Os três estados, somados, representam 55,4% do total nacional.



Estimativa de junho em relação à produção obtida em 2011

Entre os 26 produtos selecionados, a metade deles apresentam variação positiva na estimativa de produção em relação ao ano anterior: algodão herbáceo em caroço (4,0%), amendoim em casca 1ª safra (25,3%), aveia em grão (12,3%), batata-inglesa 3ª safra (1,3%), café em grão – arábica (16,5%), café em grão – canephora (9,7%), cebola (2,0%), cevada em grão (14,3%), feijão em grão 2ª safra (8,0%), feijão em grão 3ª safra (0,7%), laranja (0,1%), milho em grão 2ª safra (59,6%) e triticale em grão (3,6%). Outros 13 produtos mostram variação negativa: amendoim em casca 2ª safra (29,8%), arroz em casca (14,8%), batata-inglesa 1ª safra (7,8%), batata-inglesa 2ª safra (20,1%), cacau em amêndoa (2,9%), cana-de-açúcar (7,4%), feijão em grão 1ª safra (36,3%), mamona em baga (60,8%), mandioca (2,8%), milho em grão 1ª safra (1,1%), soja em grão (12,3%), sorgo em grão (5,8%) e trigo em grão (8,0%).

Destaques na estimativa de junho em relação a maio de 2012

Destacam-se as variações mensais –positivas ou negativas -, nas estimativas de produção, comparativamente ao mês de maio, de oito produtos: café em grão arábica (+0,2%), café em grão canephora (+3,4%), cana-de-açúcar (-11,2%), feijão em grão 1ª safra (-6,4%), feijão em grão 2ª safra (-14,3%), feijão em grão 3ª safra (+6,5%), milho em grão 2ª safra (+2,5%) e trigo em grão (+3,2%).

CAFÉ ARÁBICA (em grão) – De acordo com a estimativa de junho, a safra de café arábica para 2012 é de 2.289.282 t (38,2 milhões de sacas de 60 kg), o que significa um acréscimo de 0,2% em relação à estimativa de maio. Os estados responsáveis pelo acréscimo nesta avaliação foram Pernambuco e Distrito Federal. A área total ocupada com a cultura é de 1.762.738 ha, com pequena redução em relação ao mês anterior (0,1%). A área a ser colhida, de 1.586.015 ha, também apresenta pequena queda. Há um aumento do rendimento médio de 0,2%.


CAFÉ CANEPHORA (em grão) - A produção nacional, de 759.796 toneladas (12,7 milhões de sacas de 60 kg), é 3,4% maior que a prevista em maio, assim como a produtividade. O Espírito Santo, maior produtor brasileiro, apresenta acréscimo no rendimento de 4,4% e aumento de 4,5% na produção esperada, de 9,7 milhões de sacas, resultados atribuídos às condições climáticas, aos tratos culturais adequados e à irrigação. Os problemas observados no primeiro trimestre, como as temperaturas excessivas e a estiagem do começo do ano, não interferiram nesses números, e as perspectivas para a safra, que está com a colheita em andamento, continuam positivas.

CANA-DE-AÇÚCAR - A estimativa de junho para a produção é de 662.014.177 toneladas, um decréscimo de 7,4% em relação a 2011 e de 11,2% em comparação a maio. Comparado aos anos anteriores, houve um atraso na moagem, que só foi iniciada no mês de maio, em grande parte das usinas e destilarias do Centro Sul. O principal motivo foi a estiagem de dezembro e o baixo volume de chuvas em janeiro e fevereiro, que retardaram o desenvolvimento da planta, fazendo com o que o rendimento médio recuasse 5,8% em relação ao mês anterior. A maior queda foi verificada em São Paulo, que reavaliou suas estimativas, negativamente, em 10,8% na área a ser colhida, 9,6% no rendimento médio e 19,3% na produção, numa redução total de 81,3 milhões de toneladas, em termos absolutos. Outro problema foi o excesso de chuva que atingiu várias regiões do estado, nos últimos dias, atrasou a colheita e prejudicou a qualidade da cana, pela redução do teor de sacarose.

FEIJÃO (em grão) – A produção nacional de feijão em grão, estimada em 2.884.944 t, indica uma redução de 8,2% frente ao mês de maio, reflexo da variação negativa observada principalmente nos estados de Tocantins (80,0%), Ceará (59,4%), Bahia (51,6%) e Paraná (3,6%). O decréscimo só não foi maior devido à contribuição positiva nas estimativas de produção de São Paulo (11,7%), Mato Grosso do Sul (15,4%), Minas Gerais (0,8%) e Maranhão (4,3%). O volume de produção é distribuído em 43,1% para a 1ª safra (1.244.252 t), 41,7% para a 2ª safra (1.201.957 t) e 15,2% para a 3ª safra de feijão (438.735 t).

A 1ª safra de feijão registra uma produção 6,4% menor que a do quinto LSPA, com redução de área em quase todos os estados produtores. A Região Sul, maior produtora de feijão 1ª safra, apresenta um volume de 504.465 toneladas, inferior 0,3% ao de maio, confirmando a tendência de queda na produção registrada nos levantamentos anteriores devido à estiagem. A Região Nordeste, que ainda não concluiu a colheita em todos os estados, prevê uma produção de 170.598 toneladas, 34,4% menor que a estimativa do mês anterior. A redução da área plantada deve-se à falta de plantio por conta do atraso e da irregularidade das chuvas.

Para o feijão 2ª safra, a produção esperada registra uma diminuição de 14,3% em relação a de maio. Houve pequeno aumento de área nas regiões Sul (1,7%), Sudeste (0,3%) e Centro-Oeste (1,3%), motivados pela recuperação dos preços deste grão. Já a redução de 40,5% da área plantada na Região Nordeste é decorrência da estiagem no período do plantio. No Paraná, maior produtor nacional (26,7% da produção), estima-se uma área plantada, nesta safra, de 223.456 há (1,6% maior que a do mês anterior) e uma produção de 321.433 toneladas do produto (7,3% inferior ao último levantamento). O excesso de chuva provocou queda no rendimento médio da cultura, avaliado em 1.438 kg/ha, 8,8% menor que o estimado em maio.


O feijão 3ª safra experimenta um acréscimo de 6,5% na estimativa de produção, sob a influência do aumento da área plantada em 4,3%. São Paulo informa aumentos na área plantada e na produção, respectivamente, de 25,7% e 61,2%. Com os preços do feijão carioca e do preto bastante atrativos, vislumbra-se um incremento na área de feijão irrigado.

MILHO (em grão) – Para junho, a produção nacional de milho em grão está prevista em 69.057.729 toneladas, 0,8% maior que a de maio, com redução de 0,9% para a 1ª safra e aumento de 2,5% para a 2ª, que continua a ser a maior entre as duas. A produção, recorde, para as duas safras do produto, supera em 22,7% o total produzido em 2011 e a área plantada é 11,6% maior. Os números refletem os bons preços do produto no mercado.

Como a 1ª safra de milho já está em processo final de colheita, praticamente não houve variações neste período de avaliação. A pequena variação negativa na produção se deve, principalmente, aos estados da Região Norte e Nordeste, que apresentaram decréscimo na produção em 7,8% e 5,9%, respectivamente, no mês de junho.

A 2ª safra de milho em grão encontra-se ainda no início de colheita. Esperam-se aumentos na produção (prevista em 35.275.962 toneladas) e no rendimento médio: de 2,5% e de 4,6%, respectivamente. Entretanto, houve diminuição das áreas plantada e colhida, de 2,0%. A Região Nordeste continuou influenciando a estimativa de queda na safra, devido à seca. As previsões de plantio para esta região diminuíram 32,1% em áreas a serem plantadas e colhidas e 10,7% em produção, principalmente devido à redução da perspectiva de produção e área de plantio na Bahia (26,1% e 47,1%, respectivamente).

A Região Centro Oeste, maior produtora do milho na 2ª safra, com 62,9% da produção nacional, apresentou variação positiva de 3,7% na produção, de 2,5% no rendimento médio e 1,3% na área plantada e área a ser colhida. Mato Grosso do Sul foi o principal responsável por estes números, com aumentos de produção (16,0%), rendimento (12,8%) e área (2,8%). Na Região Sul, o Paraná, segundo maior produtor, com 29,3% da produção nacional, estimou aumento da produção de 0,9% para o mês de junho. Devido aos bons preços que estão sendo praticados para o milho, os produtores investiram mais em tecnologia (semente, fertilizante, insumos), com reflexos positivos, sobretudo, no rendimento; as condições climáticas favoráveis geram também boas expectativas de produção.


TRIGO (em grão) – A estimativa de produção cresceu 3,2% em relação a maio, refletindo o aumento da área plantada do Paraná (10,1%), maior produtor nacional deste cereal. O quadro de chuvas melhorou sensivelmente no Sul, embora, no Rio Grande do Sul, ainda não seja suficiente para garantir o plantio. O preço de comercialização do trigo é considerado baixo e sofre com a concorrência do trigo importado. Além disso, os problemas de falta de liquidez do produto na safra passada deve pesar na decisão dos produtores.

Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink