Emater-MG testa cultivares de mandioca desenvolvidas pela Embrapa Cerrados
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Imagem: Marcel Oliveira
AGRICULTURA

Emater-MG testa cultivares de mandioca desenvolvidas pela Embrapa Cerrados

Foram implantadas 60 unidades de avaliação em várias regiões de Minas Gerais
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A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) e a Embrapa Cerrados formaram uma parceria para estudar diversas cultivares de mandioca, que foram desenvolvidas pela empresa federal de pesquisa agropecuária. Foram implantadas 60 unidades de avaliação, em diversos municípios mineiros. São 30 para o estudo das chamadas cultivares de mesa, próprias para o consumo in natura, e outras 30 destinadas à avaliação do comportamento de cultivares adequadas para uso industrial. As manivas (caules), doadas pela Embrapa, foram plantadas nas propriedades dos agricultores parceiros, lado a lado com as lavouras tradicionais. As regiões escolhidas no Estado foram: Noroeste, Central, Norte, Mucuri, Sul e Zona da Mata.

“Será aplicado o método de pesquisa participativa. É feito o plantio das cultivares a serem avaliadas, lado a lado com as que já são usadas pelos produtores. Então são verificadas diversas variáveis agronômicas, como desenvolvimento das plantas, resistência a pragas e doenças e produtividade, entre outros aspectos. E, no caso de mandioca de mesa, depois são avaliadas as raízes, como o ponto de cozimento, a presença de fibras e outras características, do ponto de vista nutricional e de aceitação pelos consumidores”, explica coordenador estadual de Olericultura da Emater-MG, Georgeton Silveira.

Para os produtores que cederam parte de suas propriedades para a pesquisa, a vantagem é que poderão contar com material genético de qualidade comprovada, e ainda poderão saber quais as cultivares mais adaptadas para sua região, obtendo assim uniformidade na produção das raízes.

O engenheiro agrônomo da Emater-MG destaca ainda a importância de desenvolver cultivares fortificadas de mandioca, em especial para consumo de grupos específicos, como na alimentação escolar.

 “Esse trabalho é importantíssimo, no caso desses programas de aquisição de alimentos para uso institucional, como o Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar). O betacaroteno, por exemplo, presente nas mandiocas de polpa amarela, é precursor da vitamina A no organismo humano. Então, vai ser uma forma de melhorar a nutrição dos alunos, com um alimento já amplamente utilizado, tanto na forma natural, como em pratos como bolos, biscoitos, pão de queijo, que tem uma aceitação muito boa”, afirma Georgeton Silveira.

Além de avaliar as características agronômicas, como produtividade e resistência a pragas e doenças, uma etapa importante da pesquisa é a aceitação junto ao mercado. Afinal, as raízes dessas cultivares têm aspecto um pouco diferente das tradicionais. No mercado de Minas, por exemplo, a preferência dos consumidores é pelas raízes de polpa branca. As cultivares de mesa a serem avaliadas são: BRS 396, BRS 397, BRS 398, BRS 399, BRS 429, todas com polpa amarela, ricas em betacaroteno, e as BRS 400 e BRS 401, ambas de polpa rosada, pois são ricas em licopeno.

O plantio das novas cultivares foi realizado em novembro de 2020, e, como o ciclo da planta é um pouco longo, o tempo estimado para os primeiros resultados é de um ano, para as cultivares de mesa, e de dezoito meses, para as de indústria, que demoram mais a serem colhidas, para o maior desenvolvimento do amido.

Os estudos sobre as cultivares próprias para a indústria são conduzidos pelo engenheiro agrônomo Sérgio Brás Regina, coordenador estadual de Culturas da Emater-MG. Foram plantadas as cultivares BRS 417, 418, 419 e 420, também desenvolvidas pela Embrapa. Neste caso, se avalia também o rendimento de amido das raízes para produção de farinha, fécula (polvilho) de mandioca, produtos usados na fabricação de vários derivados. Ele acrescenta que a pesquisa tem ainda uma outra vertente, a de avaliação das propriedades das partes aéreas da mandioca, em termos nutricionais, para ajudar na alimentação de gado.

“Nós vamos ter, no caso das mandiocas de indústria, uma poda intermediária. E, desse material, será analisado pelos técnicos da Emater também as características nutritivas das ramas para a alimentação animal. E, 50% das manivas obtidas nesta primeira poda serão doadas aos produtores parceiros. O restante, nós vamos distribuir para outros municípios, que não foram incluídos inicialmente no estudo. Essas 30 unidades experimentais poderão se multiplicar em até cinco vezes. É um programa que tende a crescer muito”, afirma Sérgio Regina.

Paralelamente ao estudo das variedades, a Emater-MG e a Embrapa Cerrados estão realizando capacitações com os técnicos de campo, que atuam nos municípios. Por enquanto, devido à pandemia da Covid-19, os treinamentos ocorrem de forma virtual, pela internet.


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