Embrapa Café: trabalho de parceria em gestão e pesquisa
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Agronegócio

Embrapa Café: trabalho de parceria em gestão e pesquisa

Uma dessas tecnologias são os sistemas para expressão dirigida de genes em raízes e em tecidos foliares
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A Embrapa Café tem sob sua responsabilidade a gestão do Programa Pesquisa Café do Consórcio Pesquisa Café, uma experiência inédita, inovadora e única no mundo de integração de ciência e tecnologia em todas as etapas da cadeia produtiva, tendo por base a sustentabilidade, a qualidade, a produtividade, a preservação ambiental, o desenvolvimento e o incentivo a pequenos e grandes produtores. Além dessa função de gestão de pesquisa, a Unidade da Embrapa também realiza pesquisas, o que tem propiciado a disponibilização para o mercado e a sociedade de tecnologias, serviços e produtos de forma integrada com os vários segmentos agroindustriais. Vamos conhecer nas próximas linhas um pouco do trabalho dos pesquisadores da Embrapa Café.


Uma dessas tecnologias são os sistemas para expressão dirigida de genes em raízes e em tecidos foliares. São dois promotores obtidos de plantas de café que permitem direcionar e controlar a expressão de genes a eles associados: o Promotor CalsoR, que atua nas folhas, e o Promotor Caperox, que age nas raízes em resposta a um estímulo externo, oferecendo total controle do tipo de OGM (Organismo Geneticamente Modificado) produzido. Esse trabalho foi desenvolvido em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas – IAC e com a Universidade Estadual Paulista – UNESP. “É acoplado ao promotor um gene determinado para o que se pretende melhorar na planta, por exemplo resistência a nematóides, não afetando as demais partes, muito menos o fruto do café. E esse mecanismo só é ativado em caso de necessidade, ou seja, em resposta a um estímulo externo, o que representa mais segurança para os consumidores”, explica a pesquisadora Mirian Maluf, da Embrapa Café. Em outras palavras, o gene só será ativado se tiver algum ataque de agente biótico, que, no café, é o nematóide da raiz e o fungo das folhas. Outra vantagem é que a técnica também pode ser usada para o melhoramento de várias espécies vegetais de interesse econômico, além do café.

A técnica desenvolvida pelo pesquisador da Embrapa Café, Carlos Henrique S. de Carvalho que multiplica in vitro, a partir de tecido da folha, plantas café arábica de características favoráveis, como resistência ao bicho-mineiro e à ferrugem, boa qualidade de bebida e alta produtividade, conhecida por clonagem. A iniciativa é realizada em parceria com a Fundação Procafé. A clonagem pode ser feita em larga escala e em cerca de dez anos, um terço a menos do tempo convencional de desenvolvimento de cultivares. Essas mudas clonadas de alto valor agregado conferem mais competitividade para o café brasileiro no mercado nacional e internacional. “Ao se produzir cafeeiros resistentes a pragas e doenças, o uso de agroquímicos diminui expressivamente, o que tem implicações positivas no equilíbrio do meio ambiente e na saúde do consumidor. Em um contexto de valorização dos preços da commodity e de aumento do consumo no Brasil e no exterior do café, a produção industrial de mudas de forma sustentável – econômica, social e ambientalmente - é promissora, mantendo inclusive o Brasil na vanguarda das pesquisas cafeeiras”, avalia o pesquisador.


No manejo de pós colheita, o Sistema para Limpeza de Águas Residuárias – SLAR, desenvolvido em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig e Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper, remove os resíduos sólidos na água proveniente do processamento de frutos, viabilizando a reutilização da mesma e reduzindo o consumo. Esse sistema é constituído por caixas de decantação interligadas e peneiras estáticas. Após a remoção dos resíduos sólidos, a água é novamente conduzida para a caixa de abastecimento para reutilização no processamento ou direcionada à fertirrigação da cultura. Os resíduos sólidos retirados poderão ser utilizados na produção de adubos orgânicos. “Entre as vantagens do sistema, estão a economia de 90% do consumo de água; o baixo custo para instalação e manutenção, viabilizando a adoção por pequenos produtores e a preservação do meio ambiente”, explica o pesquisador da Embrapa Café Sammy Fernandes. A tecnologia está disponível para incubação no Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Novas Empresas de Base Tecnológica Agropecuária e Transferência de Tecnologia – Proeta, da Embrapa.

Dentro desse conjunto de produtos gerados no âmbito do Programa Pesquisa Café do Consórcio, também estão disponíveis para o mercado as geotecnologias como GPS, sensoriamento remoto, sistemas de informação geográfica, entre outros, usadas em apoio à produção ou à qualidade do café, que têm auxiliado na caracterização ambiental, facilitando o conhecimento de situações e atividades e a simulação de prognósticos. “Ao oferecer alternativas ao entendimento da ocupação e utilização do ambiente no tempo e espaço, a geotecnologia subsidia o planejamento destas atividades visando sua competitividade e sustentabilidade. Na cafeicultura, sua aplicação facilita a caracterização dos agroecossistemas cafeeiros, fornecendo uma base eficiente para a análise integrada das informações e o entendimento das relações entre os sistemas de produção e o ambiente”, explica a pesquisadora da Embrapa Café Helena Ramos.


Segundo a pesquisadora, por meio da análise espacial é possível delimitar territórios e identificar, por exemplo, os fatores que influenciam a qualidade dos cafés produzidos nestas regiões, informação imprescindível para a obtenção de Indicações Geográfica. Atualmente, das dezoito IG concedidas no Brasil, duas são para o café: Café do Cerrado e Café da Serra da Mantiqueira, cujos pedidos de IG foram embasados com informações de estudos que utilizaram geotecnologias e é fruto do trabalho organizado e coletivo de produtores rurais da região e suas entidades representativas - como Aprocam, Cocarive e CoperRita - com apoio científico de instituições de pesquisa e incentivo governamental. “A conquista da IG para a Serra da Mantiqueira contou com o empenho de uma equipe multiinstitucional e multidisciplinar de pesquisadores de instituições como UFLA, IAC, Epamig, Embrapa Café, Embrapa Meio Ambiente e Universidade de Brasília - UnB. Buscar novos nichos de consumo como alternativa ao café commodity e valorizar a produção, suas diferentes origens e produtores que buscam qualidade, é colocar o café nacional em um lugar de destaque no mercado mundial, criando novas oportunidades de negócio e de agregação de valor. Para isto, as geotecnologias representam um enorme potencial, detalha Helena.

Portfólio de Tecnologias – Como materialização desse esforço de pesquisa e produção de tecnologias, bem como de sua transferência para a sociedade, a Embrapa Café disponibiliza em sua página na Internet (www.embrapa.br/cafe) portfólio de Tecnologias que traz uma descrição resumida, pontos fortes, oportunidades, estágio de desenvolvimento, instituições responsáveis e contato para negócio. “O portfólio é um instrumento importante para a transferência de tecnologia. As tecnologias disponíveis para o mercado foram qualificadas para compor o portfólio. A intenção é estender esse trabalho de qualificação e medição de impactos às tecnologias desenvolvidas no âmbito do Consórcio Pesquisa Café. Estamos confiantes em um excelente retorno da aplicação e divulgação das soluções tecnológicas para o agronegócio café do Brasil”, diz a gerente de transferência de tecnologia, Isabel Penteado.

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