Embrapa e vinícolas testam novas uvas para produção de vinhos

Agronegócio

Embrapa e vinícolas testam novas uvas para produção de vinhos

A Embrapa e mais três vinícolas do Vale do São Francisco estão realizando testes com doze novas variedades de videiras
Por: -Assessoria de Imprensa
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A Embrapa e mais três vinícolas do Vale do São Francisco (Lagoa Grande, Santa Maria e Vale do São Francisco) estão realizando testes com doze novas variedades de videiras para produção de uvas destinadas à elaboração de novos vinhos. Atualmente, as sete vinícolas instaladas nesta região processam cerca de 20 tipos dos chamados “vinhos do sol”: jovens, aromáticos e frutados, próprios para consumo em até dois anos do período de produção. Algumas delas já produzem vinhos de “guarda”, que passam alguns meses amadurecendo em barricas de carvalho.

Entre os vinhos produzidos no Vale se destacam o Cabernet-Sauvignon e o Syrah, como tintos, e Sauvignon Blanc, Moscato Canelli e Chenin Blanc, como brancos, além dos espumantes moscatéis. Dentre as novas variedades testadas na Embrapa e nas vinícolas, oito são tintas (Alfrocheiro, Barbera, Castelão, Deckrot, Periquita, Petit Verdot, Tempranillo e Trincadeira) e quatro brancas (Colombard, Flora, Malvasia Bianca e Schönburger). Elas foram selecionadas dentre 28 cultivares de uvas para vinho de procedências portuguesa, francesa, espanhola, italiana, alemã e americana.

Originais – Para o pesquisador da Embrapa Semi-Árido, José Monteiro Soares, aprimorar a qualidade das uvas é uma demanda importante para a vitivinicultura do Vale do São Francisco. Ao mesmo tempo, esta questão precisa estar combinada com a diversificação varietal de uvas vinícolas Desta forma, a região poderá ter vinhos originais, gerar produtos com características típicas do ambiente quente e seco do semi-árido.

Os testes realizados em campos experimentais da Embrapa Semi-Árido e em cultivos semi-comerciais nas três vinícolas avaliam o desempenho agronômico das cultivares sob variados sistemas de condução do parreiral (entre latada e espaldeira), o espaçamento entre plantas, os tipos de poda, manejo de irrigação, porta-enxertos e curva de maturação dos frutos para a determinação do ponto ideal de colheita. Além disto, as pesquisas avançam para analisar as interações destes fatores com as características enológicas dos vinhos elaborados.

Para o pesquisador José Monteiro Soares, da Embrapa Semi-Árido, este é um estudo importante para o futuro da atividade vitivinícola no Vale do São Francisco. A ampliação das áreas de plantios e da capacidade de processamento das vinícolas são aspectos relevantes para a vitivinicultura da região. Contudo, é necessário e estratégico desenvolver potencialidades próprias para a vitivinicultura da região. A qualidade dos “vinhos do sol” tem de estar agregada à tipicidade e originalidade da região de produção, destaca.

Laboratório – Os pesquisadores pretendem definir os sistemas de produção mais adequados a cada uma das cultivares e estabelecer protocolos para elaboração dos vinhos, explica Giuliano Elias Pereira, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho/Embrapa Semi-Árido. No Laboratório de Enologia da Embrapa, em Petrolina-PE, ele avalia o potencial vinícola dessas novas variedades para produção de vinhos brancos, tintos, licorosos e espumantes. O trabalho inicial consiste em avaliar o potencial enológico de cada variedade testada.

Estas pesquisas darão novas opões de vinhos típicos para a região. Segundo Giuliano, este trabalho irá colaborar com os vitivinicultores na busca pelo registro de Indicação Geográfica de Procedência (IG) para os vinhos do Vale do São Francisco. A obtenção deste selo de qualidade, pelo qual tem se empenhado o Instituto do Vinho do Vale do São Francisco (Vinhovasf), trará proteção aos vinhos regionais contra fraudes, é um fator de diferenciação que resultará em melhor reconhecimento e notoriedade dos vinhos produzidos no Vale, além de proporcionar aos vitivinicultores melhores condições mercadológicas, assegura Giuliano.

História - O vinho é produzido no Submédio São Francisco há menos de 20 anos. As primeiras variedades foram introduzidas ainda na década de 50 pela Comissão do Vale do São Francisco – hoje Codevasf , a Sudene e a FAO. Porém, na década de 70, com a criação da Embrapa Semi-Árido e o início das atividades da Vitivinícola Vale do São Francisco (Vinhos Botticelli), é inaugurada a vitivinicultura na região. Em 2005, o Submédio respondeu por 15% do mercado nacional de vinhos finos, com uma produção de aproximadamente 7,5 milhões de litros.

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