Embrapa Meio-Norte implanta Sistema de adubação verde

Agronegócio

Embrapa Meio-Norte implanta Sistema de adubação verde

Sistema consiste na utilização de plantas (leguminosas) em rotação ou consórcio com as culturas de interesse econômico
Por: -Janice
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A Embrapa Meio-Norte, em sua Unidade de Execução de Pesquisas de Parnaíba – PI, está utilizando a técnica da adubação verde desde o ano passado visando reduzir o custo de produção e a dependência de insumos externos. A adubação verde consiste na utilização de plantas (leguminosas) em rotação ou consórcio com as culturas de interesse econômico. Tais plantas podem ser incorporadas ao solo ou roçadas e mantidas na superfície, proporcionando, em geral, melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo. A decomposição destes restos orgânicos favorece o aumento da produção de biomassa vegetal.

A fragilidade do ecossistema dos Tabuleiros Litorâneos do Piauí faz da atividade agrícola nessa região um desafio, pois há predomínio de solos com textura arenosa, com baixos teores de matéria orgânica e baixa capacidade de troca catiônica, além de clima com temperaturas elevadas, com longos períodos de déficit hídrico e vento constante. Neste cenário, a maioria dos produtores já envolvidos com produção orgânica acaba adquirindo alguns insumos de fontes externas, como estercos e palhas, entre outros, havendo inclusive um mercado paralelo para atender a essas demandas.

No início das atividades, ainda em 2010, foi traçado como objetivo organizar e disponibilizar informações a respeito da adubação verde na região do litoral do Piauí, levando-se em conta o fato de não existirem recomendações de uso apropriadas para a região Nordeste.

De acordo com o analista Mauro Teodoro, responsável pelo trabalho, é fundamental a adaptação dessas tecnologias para as condições da região, entretanto, ele ressalta que ações de pesquisa direcionadas a adaptação e adequação do manejo dos adubos verdes na produção de hortaliças e frutíferas, são ainda bastante restritas. “Isto se reflete nas unidades de produção agrícola, onde os agricultores encontram dificuldades para ajustar o uso dos adubos verdes nos seus sistemas de produção. Entender e adequar o uso da adubação verde e culturas quanto à demanda de Nitrogênio e outros nutrientes, além da competição por luz e água, torna-se fundamental para a recomendação desta prática de manejo nas unidades de produção”, comenta.

Teodoro explica que as atividades tiveram início com a multiplicação das leguminosas disponíveis na UEP, mas que por meio de uma rede de contatos, foram trazidas outras sementes de outros estados. “Atualmente temos implantado em Parnaíba um banco de sementes que subsidia outras atividades envolvendo a adubação verde. A implantação deste banco o qual denominamos de “Sistema de Informações para Adubação Verde” teve como objetivo testar a adaptação de leguminosas, anuais e perenes, e também de algumas gramíneas, às condições edafoclimáticas da região e difundir o seu uso junto aos agricultores e extensionistas”, destaca.

O analista esclarece que a produção de sementes objetivou multiplicar algumas espécies mais utilizadas, visando suprir, a princípio, a demanda da própria Unidade, e principalmente, fugir da dependência da compra destas sementes, que além dos altos preços praticados, nem sempre são encontradas com facilidade.

Para ele, o uso do coquetel de leguminosas deixou de ser um desafio, tendo em vista que já existe uma área em desenvolvimento aguardando a instalação de ensaio com melancia orgânica e outra junto a um pequeno Sistema Agroflorestal (SAF).

Histórico

Ao longo de milhares de anos, diferentes povos têm realizado uma agricultura baseada no manejo dos materiais disponíveis nas propriedades rurais. Dentre esses materiais, destacam-se aqueles de origem orgânica (esterco, restos de cultura, composto, etc.), que possibilitam melhoria da qualidade do solo e aumento da produtividade vegetal.

No final do século XIX, essa forma de fazer agricultura foi transformada por descobertas científicas que abriram caminho para o uso de fertilizantes minerais. O aumento de produtividade decorrente da utilização de tais produtos fez com que vários agricultores abandonassem as práticas de adubação orgânica, criando um modelo de agricultura cada vez mais dependente de insumos externos às propriedades rurais. A introdução de novas técnicas ao longo do século XX, como o uso de agrotóxicos, variedades melhoradas geneticamente e implementos agrícolas, aumentaram cada vez mais essa tendência. Convencionou-se chamar o avanço das indústrias química, mecânica e do melhoramento genético na área agrícola de “Revolução Verde”.

A partir da década de 1970, começaram a surgir sérios problemas decorrentes da adoção de práticas agrícolas relacionadas à “Revolução Verde”. A degradação da capacidade produtiva dos solos, associada à proliferação de pragas e doenças e o aumento dos custos de produção, causou o empobrecimento dos agricultores. Além disso, observou-se que os alimentos produzidos neste modelo possuíam menor qualidade em relação àqueles produzidos no sistema orgânico.

Diante deste contexto, diversos grupos de agricultores e profissionais da área rural têm proposto a adoção de práticas que favoreçam os processos biológicos (fixação biológica de nitrogênio, ciclagem de nutrientes, etc.) encontrados nos agroecossistemas, como alternativa ao modelo agrícola da “Revolução Verde”. Nos últimos anos, os efeitos dessa substituição sobre a capacidade produtiva dos solos, levaram à adoção da agricultura orgânica por um número cada vez maior de produtores rurais de diversas regiões do país. Dentre as diversas práticas utilizadas no sistema orgânico, merece destaque à adubação verde. Civilizações milenares, como a chinesa, grega e romana, já adotavam a adubação verde para melhorar o desempenho da agricultura. Tais plantas podem ser incorporadas ao solo ou roçadas e mantidas na superfície, proporcionando, em geral, melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo.

As informações são da assessoria de imprensa da Embrapa Meio-Norte.

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