Embrapa negocia nova parceria com Monsanto
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Agronegócio

Embrapa negocia nova parceria com Monsanto

Estatal busca mais recursos para poder desenvolver milho transgênico resistente a insetos
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Estatal busca mais recursos para poder desenvolver milho transgênico resistente a insetos. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está negociando com a empresa de biotecnologia americana Monsanto uma parceria para desenvolver sementes de milho transgênico BT, resistente à lagarta. A Embrapa já vem desenvolvendo pesquisas para a obtenção de cultivares para a do milho BT. Se a parceria com a Monsanto se concretizar, o gene do milho utilizado para a produção da semente transgênica será da empresa americana. O milho geneticamente modificado para torná-lo resistente a insetos por enquanto é um projeto individual da estatal brasileira que começou a desenvolvê-lo há seis anos.

Mas, a Embrapa decidiu buscar de um parceiro para viabilizar seu projeto que depende de volume elevado de recursos para que possa ser concretizado. Segundo o presidente da Embrapa, Silvio Crestana, o desenvolvimento de um organismo geneticamente modificado (OGM) requer "milhões de dólares’’. A estatal não tem recursos suficientes para lançar tal projeto sozinha. "O projeto demanda conhecimento e muito dinheiro e não temos esse fôlego para fazer tudo sozinhos, especialmente para a realização dos testes de biossegurança, indispensáveis para que seja levado ao campo", disse o presidente da Embrapa.

"Temos de ter a parceria da iniciativa privada para levar adiante nossos projetos’’, disse em entrevista exclusiva concedida a este jornal pelo presidente da estatal. Até agora a Embrapa já investiu R$ 5 milhões no seu projeto de milho transgênico. Os recursos foram destinados ao pagamento de pessoal, infra-estrutura e custeio, além do financiamento de serviços para experimentos no campo.

Dificuldade na negociação

"Precisamos de mais recursos, pois a geração de uma planta transgênica gasta mais de R$ 15 a R$ 20 milhões’’. Neste caso, disse o presidente da estatal, a empresa privada participaria da empreitada através de recursos financeiros ou genético. A idéia é usar a cultivar do milho que está sendo desenvolvida pela estatal com o gene da Monsanto. Tudo indica que a empresa de tecnologia americana terá dificuldade nesta negociação, pois o gene não é dela, pertenceria a uma outra empresa.

Neste momento, a estatal demanda recursos para realizar o levantamento sobre o impacto do milho Bt no meio ambiente e danos ao consumidor. Na prática, a parceria seria semelhante a existente hoje entre as duas empresas no âmbito da soja transgênica. No ano passado, a Embrapa recebeu royalties da Monsanto num total de R$ 800 mil pela comercialização da soja transgênica, informou Crestana.

Para este ano, ele estima receber o dobro da receita do ano passado, podendo chegar a R$ 1,5 milhão, pelo menos. Crestana acredita que se a estatal conseguir angariar recursos suficientes, da ordem de R$ 15 a R$ 20 milhões, seu milho BT poderia ser lançado comercialmente dentro de três anos ou quatro, segundo estima.


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