Emissão de títulos de dívida por agricultores enfrenta entraves, diz Itaú BBA

Agronegócio

Emissão de títulos de dívida por agricultores enfrenta entraves, diz Itaú BBA

Agricultura empresarial movimenta anualmente 40 bilhões de reais em crédito com condições controladas
Por:
662 acessos

Agricultura empresarial movimenta anualmente 40 bilhões de reais em crédito com condições controladas

O número de produtores agrícolas com capacidade de utilizar mecanismos do mercado de capitais para captar recursos, como alternativa aos empréstimos obtidos junto aos bancos, ainda é muito pequeno e há diversas barreiras para ampliar esse uso, quando a iniciativa é exclusiva do agricultor, avaliou nesta terça-feira um executivo do banco de investimentos Itaú BBA.

Instrumentos financeiros, como os CRAs (certificados de recebíveis do agronegócio), vem sendo uma aposta do governo federal para custear o setor, em um momento em que o crédito oficial subsidiado torna-se cada vez menos abundante. Mas esse mecanismo acaba sendo mais usado somente quando grandes companhias, como tradings agrícolas, estão envolvidas no processo.

Para a emissão direta pelos produtores rurais, o que seria uma alternativa de captação mais barata do que os financiamentos bancários, ainda há diversos entraves. "É um mercado muito pequeno, ainda precisa evoluir... Não é qualquer um que está qualificado", afirmou o diretor de Produtores Rurais do Itaú BBA, Antônio Carlos Ortiz.

Pelas estimativas do Itaú BBA, a agricultura empresarial, que reúne um universo de cerca de 100 mil produtores rurais, movimenta anualmente 40 bilhões de reais em crédito com condições controladas (muitas vezes por oferta e regulamentação do governo) e 60 bilhões de reais em condições de livre mercado (incluindo juros negociados diretamente entre bancos e agricultores).

Deste universo, uma parcela muito pequena, praticamente impossível de calcular, é de crédito obtido por meio do mercado de capitais, com emissões de títulos pelos próprios produtores. Segundo Ortiz, o número de agricultores com condições de realizar a emissão de títulos, como o CRAs, seria suficiente apenas para encher a sala de reuniões em que ele conversou com jornalistas nesta terça, na sede do banco em São Paulo.

"Quase ninguém tem números auditados", disse o executivo, citando um dos pré-requisitos para lastrear a emissão dos títulos, que é a total transparência das finanças do produtor rural ou sua empresa, reduzindo a percepção de risco por parte do comprador. Além disso, devido aos custos de estruturar os detalhes burocráticos dos títulos e de oferecê-los aos investidores, trata-se de um mecanismo mais adequado para captar grandes volumes de recursos, da ordem de 50 milhões a 60 milhões de reais, ou mais. 

"Operações pequenas não compensam... Tendem a ser operações maiores e para prazo maior", disse Ortiz. O executivo lembrou que a emissão de títulos de dívida para negociação no mercado de capitais já é uma prática corriqueira por parte de grandes empresas, como tradings de commodities e indústrias de insumos, mas que "está começando agora" entre agricultores.

Ainda assim, Ortiz destacou que a presença deste tipo de mecanismo no mercado tende a melhorar as condições para o financiamento de toda a cadeia do agronegócio. "Isso aumenta a concorrência financeira na cadeia como um torno", afirmou.


Atenção: Para comentar esse conteúdo é necessário ser cadastrado, faça seu cadastro gratuíto.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink