Empresas buscam saídas para contornar gargalo nos portos
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Agronegócio

Empresas buscam saídas para contornar gargalo nos portos

Ações tem sido tomadas para tentar minimizar o problema
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A transferência de duas áreas da União para a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) deve aumentar em pelo menos 700 vagas a capacidade de estacionamento de caminhões no Porto de Santos, nos próximos seis meses. A ação é uma das que têm sido adotadas para minimizar as perdas do escoamento de cargas vivenciado pelo País, e que contabiliza inúmeros prejuízos às empresas. 


Segundo o presidente da Codesp, Renato Barco, os terrenos da Lloydbratti e da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) passarão imediatamente por obras superficiais, apenas para viabilizar o uso das áreas, mas deverão ser licitadas no futuro. Com isso, Barco espera melhorias no gargalo visto nos últimos meses no Sistema Anchieta-Imigrantes, para o desembarque das cargas de grãos. "Nós já havíamos observado melhora da situação com a segregação da carga e a organização do tráfego, nos próximos dias teremos também a inauguração do viaduto perimetral, que vai diminuir o tempo de parada do trânsito, e até o mês que vem, da avenida Perimetral, que vai aumentar a fluidez", declarou Barco. Já o ministro-chefe da Secretaria Nacional de Portos (SEP), Leônidas Cristino, disse que, além das melhorias implantadas em Santos, a longo prazo, depois da aprovação da Medida Provisória dos Portos (MP 595/2012), a modernização de portos nas Regiões Norte e Nordeste também deverá colaborar para que a situação no litoral paulista melhore. "Existem diversos investimentos em logística integrada acontecendo no País e temos um potencial muito grande de crescimento, como no Porto Sul, em Ilhéus (BA) e no Vila do Conde", diz o ministro. Leônidas Cristino também comentou o temor a respeito da possível perda da competitividade entre os portos públicos e privados. "Este é um assunto encerrado, não deixaremos de fazer investimentos em portos públicos."

Valor igual

Enquanto as medidas não geram o efeito esperado no Porto de Santos, porém, as transportadoras podem encontrar em contratos mais longos alternativas para evitar os prejuízos. É o caso da Coopercarga, que hoje atende a mais de 500 clientes. "No nosso caso não há prejuízo, porque os contratos são de um ano no mínimo; então, preso no congestionamento ou não, o valor pago pelo cliente é o mesmo", explicou o presidente da empresa, Osni Roman, ao DCI.


Por outro lado, a Brado Logística, subsidiária da ALL de apenas dois anos de existência, espera para este ano um aumento de 73% da movimentação de cargas por ferrovia, exatamente devido à alta da safra de grãos. "O nosso forte até o ano passado era a carga frigorificada, mas essa condição está mudando. Não porque o transporte desse tipo de carga tenha caído, mas porque tivemos um aumento muito grande no transporte de commodities", explicou o presidente e CEO da Brado, José Luis Demeterco.

Licitações

Em relação à decisão de centralizar as licitações de terminais portuários na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o ministro Leônidas argumentou que a medida foi tomada para padronizar os processos em todo o País. De acordo com ele, tendo um padrão, as licitações de terminais portuários irão caminhar mais rapidamente no futuro por facilitar o trâmite dos processos nos órgãos necessários para a sua realização, como Tribunal de Contas da União e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além da própria SEP e da Antaq.


"Com a padronização, quando os editais forem para a rua eles estarão bem analisados por Antaq, TCU e o Ibama, de modo que não haverá problemas futuros", disse.

Leônidas disse que 49 novos terminais portuários serão licitados e 32 poderão ser prorrogados. As licitações de terminais devem chegar a cerca de 160, contando os arrendamentos vencidos ou que estão para vencer e cuja licença não será renovada.

Nessa linha, o novo ministro dos Transportes, César Borges, que assumiu a pasta no último dia 3 garantiu que as licitações no setor durante a sua gestão serão sérias e que buscará uma parceria honesta com o setor privado. "Queremos empreiteiros sérios, que recebam dinheiro justo e deem o retorno de boas obras à sociedade brasileira, porque o dinheiro público é sagrado. Vamos trabalhar com quem devemos trabalhar, mas de forma correta e exigindo a melhor qualidade possível para que as obras tenham a durabilidade que a engenharia tenha condições de oferecer", disse Borges, ao receber o cargo do ministro Paulo Sergio Passos.

Em 2011, o governo federal enfrentou uma série de denúncias de corrupção no setor, que resultaram em demissões de dirigentes do Ministério dos Transportes e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Borges ressaltou que a economia brasileira está crescendo e exigindo mais infraesturutra.

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