Endividamento no campo leva BB a reter R$ 4,4 bilhões
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Agronegócio

Endividamento no campo leva BB a reter R$ 4,4 bilhões

Situação do produtor agrícola tem sido o principal empecilho para o desembolso
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Situação do produtor agrícola tem sido o principal empecilho para o desembolso dos recursos. Mesmo diante de um cenário mais favorável ao campo em relação aos últimos anos - com a reação de preços das principais commodities agrícolas, - o Banco do Brasil não deve liberar todos os recursos previstos para custear e investir nas lavouras da safra 2006/07. Com isso, deve-se repetir a situação do ano passado, quando reteve R$ 2 bilhões do total dos recursos previstos no Plano Agrícola por conta da crise no campo.

O endividamento do produtor é o principal empecilho para que a instituição libere os recursos. Neste ano, ainda restam R$ 4,4 bilhões a serem desembolsados nesta safra que termina oficialmente em julho. Segundo especialistas do setor, os recursos não devem ser liberados, já que, com exceção do trigo, que ainda está sendo cultivado, o plantio da safra está encerrado. Sem dar mais detalhes, o diretor interino de Agronegócios do Banco do Brasil, José Carlos Vaz, disse, porém, que a instituição aplicará 100% da totalidade de re-cursos da safra 2006/2007. Até abril, o banco desembolsou apenas R$ 28,6 bilhões dos R$ 33 bilhões previstos para essa safra agrícola. A dificuldade do banco em liberar 100% dos recursos decorre, principalmente, do endividamento dos produtores rurais e dos juros elevados, em 8,75% anuais. "O dinheiro sobra pela inadimplência do setor e pela política de juros altos’’, disse o relator da subcomissão especial que trata do endividamento agrícola na Câmara Federal, deputado Luis Carlos Heinze. Ele destaca dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) de que a dívida acumulada do campo já somam R$ 100 bilhões.

Especialistas do setor afirmam ser difícil o Banco do Brasil liberar o restante do dinheiro nesta atual conjuntura, já que o período de plantio foi encerrado. Pode ser que o banco desembolse uma parte para o trigo. Mas a maioria dos triticultores não consegue acessar o crédito, segundo Heinze, porque o custo de produção, em R$ 29,00 a saca, está acima do preço mínimo, em R$ 24,00 a saca. "Quando os bancos percebem a falta de capacidade de pagamento, inviabilizam a operação’’, disse Heinze.

Segundo o parlamentar, não é pela falta da demanda por crédito que sobram recursos nos cofres dos bancos já que a necessidade de financiamento do campo é de R$ 100 bilhões - quase duas vezes mais que o disponibilizado pelas instituições financeiras, de R$ 60 bilhões na safra 2006/07. Os agricultores têm buscado crédito em cooperativas ou por meio de troca de mercadoria com fabricantes de insumos para garantir a colheita de cerca 130 milhões de toneladas de grãos na atual safra. A assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rosemeire Cristina dos Santos, acrescenta que a sobra de dinheiro nos bancos decorre também do "risco da atividade’’, influenciada tanto pelo clima quanto pela conjuntura do mercado. O setor pleiteia a redução do juro do crédito rural de 8,75% para 5% anuais no Plano Agrícola 2007/08, a ser anunciado no próximo mês.


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