Entidades e fábricas retomam as negociações do preço do tabaco

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Entidades e fábricas retomam as negociações do preço do tabaco

Após duas rodadas de debates sem consenso, expectativa é chegar a um acordo sobre o valor pago nesta safra aos produtores
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Uma nova tentativa de acordo para a definição do preço do tabaco acontecerá hoje, durante reunião na sede da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), em Porto Alegre, com a presença de entidades representativas dos fumicultores e das fábricas de cigarros. De acordo com o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner, serão analisadas e debatidas as propostas da JTI, Souza Cruz e Philip Morris, que demonstraram interesse em retomar as negociações da safra 2018/2019.

“Entendemos que são as fábricas de cigarro que definem os preços do mercado. Por isso vamos retomar as tratativas inicialmente com essas empresas”, explica. O dirigente esclarece que recentemente a Comissão de Representação dos Produtores de Tabaco foi procurada por essas indústrias para retomar as discussões, que nas duas primeiras rodadas não chegaram a consenso. Diante desse cenário, a expectativa é que haja uma melhora no índice de reajuste para os produtores. “Queremos que as famílias tenham um aumento linear, em todas as classes.”

Conforme Werner, o mais recente levantamento da Afubra aponta que a entrega do tabaco nos três estados do Sul atinge 14% do tipo Virgínia, 25% do Burley e 64% do tabaco Galpão Comum. Os percentuais são calculados em cima da estimativa de produção de 673 mil toneladas na atual safra. “Temos constatado que, comparado ao ano passado, há um percentual maior de produtores que não estão satisfeitos com a comercialização, mas ainda não podemos fazer uma avaliação precisa, já que as vendas ainda são muito incipientes”, constata.

Em Pinheiral, no interior de Santa Cruz do Sul, o casal Paulo e Nelvi Fengler vendeu 40 das 150 arrobas colhidas na atual safra. Após a granizada que atingiu as lavouras em outubro do ano passado, os produtores colheram 53% a menos do que o previsto nos dois hectares. As pedras de gelo comprometeram também a qualidade do produto, o que deve achatar a média de lucro. “Na nossa primeira venda conseguimos R$ 120,00 por arroba”, comenta Fengler. Para diversificar a renda, há aproximadamente dez anos a família aposta na produção leiteira – hoje são 20 vacas em lactação na propriedade.

Sobre a colheita

O último levantamento da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) sobre a colheita de tabaco da safra 2018/2019 aponta que ainda restam aproximadamente 6% das lavouras por serem colhidas nos três estados do Sul. A região mais atrasada no momento é o Sul do Estado, com 85% do tabaco colhido. Na parte baixa do Vale do Rio Pardo, o trabalho está praticamente encerrado, com colheita apenas em algumas propriedades. Enquanto isso, na microrregião serrana, que engloba municípios como Herveiras, Boqueirão do Leão e Gramado Xavier, esse trabalho já atingiu o percentual de 90%.

Relembre

A primeira rodada de negociação do preço do tabaco para a safra 2018/2019 ocorreu nos dias 5 e 6 de dezembro, na sede da Fetaesc, no município de São José, em Santa Catarina. Na ocasião, não houve acordo entre as partes, pois as propostas de reajuste ficaram abaixo do que as entidades entendem como necessário para uma lucratividade no campo. A segunda rodada foi nos dias 16 e 17 de janeiro, na sede da Fetag/RS, em Porto Alegre, e resultou na suspensão das negociações.

A decisão foi tomada pelas entidades representativas dos fumicultores porque as propostas apresentadas pelas indústrias ficaram abaixo da variação do custo de produção apurado tanto pelas empresas como pelas entidades, com exceção de duas companhias: uma que apresentou proposta de reajuste com percentual acima da variação do custo de produção, mas um reajuste não linear; e a outra que apresentou proposta de reajuste acima do custo de produção próprio, porém, abaixo do custo apurado pelas entidades.


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