ENTREVISTA: Acompanhe o depoimento de um assentado do Rio Grande do Sul sobre lavouras transgênicas
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Agronegócio

ENTREVISTA: Acompanhe o depoimento de um assentado do Rio Grande do Sul sobre lavouras transgênicas

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O plantio de transgênicos já é visto como prática comum nos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de um município da região do Alto Jacuí. Segundo a Secretaria da Agricultura da cidade, das cerca de 700 famílias assentadas, 600 já estariam cultivando produtos geneticamente modificados. Em uma área que soma 15 mil hectares plantados com soja, 80% são ocupados por sementes transgênicas, conforme levantamento da secretaria.

Um assentado da região, que não se identifica temendo represálias do MST, confessa que passou a plantar a soja modificada há um ano. O agricultor cultiva 12 hectares e não pretende voltar a utilizar a semente convencional, mesmo com as ameaças de destruição da lavoura caso o movimento descubra que descumpriu a determinação. A entrevista a seguir foi concedida ontem à tarde para Zero Hora:

ZH - Por que o senhor decidiu plantar soja transgênica?

Assentado - Por causa do custo e do rendimento. A soja transgênica rende mais, e o custo cai pela metade. Se eu plantar soja convencional, como temos muito inço, não sobra nada. A terra é pouca, é preciso sobreviver. Não tem nada que comprove que soja transgênica faz mal. Nosso município está se destacando, tem maquinário novo, todo mundo está indo bem. Por que então teríamos que voltar para trás de novo?

ZH - O que os representantes do MST dizem sobre o cultivo de transgênicos para vocês?

Assentado - Eu tenho falado pouco sobre isso com eles, mas não querem que plante transgênicos. A recomendação é para não plantar.

ZH - Há algum tipo de punição para quem plantar?

Assentado - Por enquanto não falaram nada em punição.

ZH - O senhor já sofreu alguma ameaça?

Assentado - Eu não sofri, mas na safra do ano passado, um comentário geral no assentamento era de que eles iriam entrar nos lotes e arrancar toda a soja transgênica. Dizia-se que a ordem era de um dos líderes aqui da cidade.

ZH - O que o senhor acha dessa posição do MST?

Assentado - Eu acho que está errada. É só uma questão política. Não tem nada que prove que o transgênico faz mal. Os políticos deveríam ver o que é melhor para o Estado e para o país e dar apoio ao invés de querer trancar e fazer os colonos voltarem atrás.

ZH - O senhor tem medo de ser expulso do movimento?

Assentado - Não, porque eles não têm lei para isso. No nosso regulamento não consta que nós não podemos plantar transgênicos. Eu não assinei nada, então porque eles vão me expulsar?

ZH - E se destruírem sua lavoura?

Assentado - Isso até pode ocorrer, mas se eu ganhei essa terra, em cima dela mando eu, mesmo sendo integrante do movimento.


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