Entrevista: Da monocultura cafeeira à produção diversificada
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Agronegócio

Entrevista: Da monocultura cafeeira à produção diversificada

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A década de 70 foi um divisor de águas para o Paraná. Aqueles anos marcaram o fim da era de ouro do café e o início de uma nova fase para a economia e o desenvolvimento do estado. No epicentro dessa transformação, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Com 40 anos recém-completados, o órgão se consolidou como uma das principais instituições de pesquisa agropecuária do Brasil. Em entrevista à Gazeta do Povo, o presidente Florindo Dalberto conta como o Iapar criou a base tecnológica da agricultura paranaense e fala sobre os desafios da pesquisa para o futuro. “Não podemos ficar deitados em berço esplêndido. Se não houver modernização, a obsolescência pode vir rápido. É preciso estar constantemente atualizado para manter a competitividade.”


Qual foi a contribuição do Iapar para o desenvolvimento da atividade agropecuária do estado? E para região norte, onde está sediado?

Ao longo desses anos ocorreu uma grande transformação na agricultura do estado, que ocorreu principalmente no aspecto tecnológico. O Paraná saiu de uma monocultura extensiva e, ao longo desses 40 anos, passou a ter uma agricultura moderna e diversificada, que, mesmo com algumas dificuldades, conseguiu se sustentar. O Iapar tem sua origem em um movimento liderado pelas forças locais da região Norte, na época do fim da monocultura cafeeira. Quando essa cultura começou a decair, outras assumiram o papel de manter o dinamismo econômico da região. O instituto participou desse processo criando a base tecnológica da agricultura no estado, com a sistematização do conhecimento e a criação de um modelo próprio para a agricultura. Buscaram-se soluções aos problemas, minimizando danos e otimizando a produção.

A infraestrutura do Instituto, incluindo o corpo técnico, está condizente com a necessidade do setor?

Ao longo dos últimos anos o Iapar enfrentou algum grau de defasagem, sem reposição de quadros na forma adequada, mas hoje a visão é mais abrangente, diferentemente do que ocorreu nos últimos 40 anos. O órgão de pesquisa estatal deve continuar existindo, mas jamais poderá ser um “fazedor de tudo”, pois a agricultura está mais complexa. Cabe ao Iapar manter e modernizar a capacidade instalada, agindo como articulador em uma grande rede de pesquisa, que inclui as universidades, a Embrapa, as cooperativas, as empresas de tecnologia e insumos, entre outras. Há condições de criar essa rede para dar suporte à agricultura do estado, e operar dentro dos padrões do século XXI, no qual o conhecimento é o principal insumo.


O orçamento anual do Iapar – cerca de R$ 90 milhões – é suficiente para responder às necessidades do setor no estado? A falta da lei de incentivo à inovação no estado, que ainda está em trâmite, é prejudicial?

O orçamento em tese nunca é suficiente, pois a quantidade de propostas e projetos inovadores é elevada, acima da nossa capacidade. É importante a atualização dos meios instrumentais, com laboratórios sempre em evolução. Quanto mais orçamento tiver disponível melhor, desde que haja clareza de objetivos e resultados que se pretende obter. Sobre a lei de inovação, o Paraná tem feito um esforço para viabilizar esse investimento. No entanto, não há como estimar valores pela ausência da lei, mas não se trata de algo altamente significativo.

Em que nível está a pesquisa agronômica do Paraná?

No Paraná o trabalho de pesquisa é feito de forma articulada e integrada, incluindo forças nacionais e regionais, com o objetivo de atender com capilaridade todos os agentes do setor. O Iapar é visto como um executor de um trabalho de excelência, com ações implementadas no Brasil e no mundo. Mas, ainda que essa imagem se mantenha, não podemos ficar deitados em berço esplêndido. Se não houver atualização e pesquisa constante, a obsolescência pode vir rápido. É preciso estar constantemente atualizado para manter a competitividade do instituto.

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