Agronegócio

Esalq: o sonho dourado que virou realidade

No dia do Engenheiro Agrônomo, o Portal Agrolink relembra a história de Luiz de Queiroz
Por: -Joana Cavinatto*
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No dia 12 de outubro se comemora o Dia do Engenheiro Agrônomo. Por isso, o Portal Agrolink foi atrás da história do agrônomo idealizador e principal “culpado” pela existência de uma das instituições acadêmicas mais importantes da profissão. Luiz Vicente de Souza Queiroz, paulista apaixonado pela agricultura que teve o nome colocado no seu sonho concretizado, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).

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Luiz de Queiroz nasceu em 12 de junho de 1849 na mansão dos Barões de Limeira, em São Paulo. Neto paterno de um dos maiores fazendeiros do estado e materno de um senador e conselheiro do Império, Luiz Vicente era integrante de famílias tradicionais e importantes.

Aos oito anos de idade, como era de costume na época, foi enviado para a Europa para receber uma educação de melhor qualidade. Lá estudou nas Escolas de Agricultura de Gringon, na França, e de Zurique, na Suíça Alemã.

Com a morte de seu pai, em 1872, Luiz recebeu, entre outros bens, a Fazenda Engenho d’Água, localizada onde hoje fica a cidade de Piracicaba. Após um ano, então com a idade de 24, tomou posse de sua nova propriedade.

Aproveitando o potencial hidráulico do rio Piracicaba, instalou e colocou em funcionamento uma fábrica de tecidos. Com sua fazenda produzindo algodão e sua fábrica transformando-o, começou a aumentar seus bens e criou uma pequena fortuna própria. Mandou construir uma vila operária para seus auxiliares, arborizou praças e ruas da cidade, ajudou escravos fugidos e construiu um palacete, hoje tombado, onde morou com sua então esposa Ermelinda Ottoni.

O sonho: a Escola Agrícola

Mas Luiz de Queiroz tinha um sonho maior do que sua riqueza. Ele pensava com ternura na instalação de uma Escola Agrícola, assim como as que ele estudara na Europa. Para tanto, arrematou a Fazenda São João da Montanha em hasta pública em 1889. Com 319 hectares de área, a propriedade tinha uma ótima localização, contornada pelo rio Piracicaba e o ribeirão Piracicarim, e excelente qualidade.


Confiante com a transformação do sonho em projeto real, foi à Europa encomendar o projeto arquitetônico para uma Escola Agrícola e Fazenda Modelo, e aos Estados Unidos, de onde trouxe um professor de Agricultura e dois arquitetos. De volta a Piracicaba, duzentos trabalhadores foram envolvidos na construção da escola e, em 1892, já havia duas holarias e uma serraria a vapor, a primeira do gênero na cidade.

Casa do diretor, estábulo, casas dos colonos. Todas as obras eram fiscalizadas pelo próprio Luiz de Queiroz que, entusiasmado com a realização de seu sonho, deixou o palacete na cidade e passou a morar na velha casa da fazenda.

A recusa do governo: decepção e superação

Com as obras em pleno vapor, Luiz de Queiroz pediu ao governo do estado uma subvenção para a construção de sua escola, mas o pedido foi negado. Solicitou, então, ao menos que fosse concedido o frete gratuito dos materiais da construção, e mais uma vez recebeu uma negativa.

Entretanto, ao lado das recusas, a Câmara dos Deputados promulgou lei que autorizava a fundação de uma Escola Superior de Agricultura e outra de Engenharia e dez estações agronômicas com campos experimentais em lugares a serem julgados apropriados. Diante da situação e com dificuldades financeiras, decidiu doar ao governo a Fazenda São João da Montanha, com todas benfeitorias, na condição de que dentro do prazo de dez anos fosse concluída e inaugurada a sua escola.


Pelo Decreto no 130, de 17 de novembro de 1892, o então Presidente do Estado, Bernardino de Campos, aceitou a doação “para nela ser levada a efeito a idéia do estabelecimento de uma escola agrícola ou instituto para educação profissional dos que se dedicam à lavoura”. 

Agora sob responsabilidade do governo, os trabalhos na Escola Agrícola São João da Montanha caminhavam lentamente, até pararem totalmente com a justificativa de “cortar gastos do governo”. Mas Luiz seguia em busca do seu sonho, escrevendo e traduzindo artigos sobre ensino e outros assuntos agrícolas para a imprensa publicar e incentivar que as obras continuassem.

Morte, reconhecimento e um sonho realizado

Apenas em 1899, um ano após a morte de Luiz de Queiroz, foi promulgada lei concedendo verba para a continuação das obras. Em 1900, foi enfim decretada lei que criava a Escola Prática São João da Montanha.

Naquele ano, o secretário da Agricultura Antônio Cândido Rodrigues viajou à cidade para conhecer a Escola. Ficou tão impressionado com a paixão e dedicação de Luiz de Queiroz ao seu sonho que, ao voltar a São Paulo, solicitou ao presidente do estado, Francisco de Paula Rodrigues Alves, que o nome da instituição fosse alterado para Escola Prática Luiz de Queiroz. A mudança foi pleitada pelo Decreto 882, de 18 de março de 1901.


Em maio daquele mesmo ano, foram abertas as matrículas aos futuros alunos da escola técnica. Finalmente, em 3 de junho, houve a festa de inauguração, em que toda cidade se mobilizou com grande alegria. 

Presente glorioso de um sonho dourado

Em 1931, a Escola Técnica Luiz de Queiroz recebeu o nome que tem hoje, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Em 1934, a Esalq foi uma das sete escolas fundadoras da Universidade de São Paulo (USP). Hoje conta com os cursos de graduação em Administração, Ciências Biológicas, Ciências dos Alimentos, Ciências Econômicas, Engenharia Agronômica, Engenharia Florestal e Gestão Ambiental, além de programas de pós-graduação, mestrado e doutorado.

Com 113 anos de muitos planos, obstáculos e conquistas, o sonho do agrônomo Luiz de Queiroz é hoje um dos principais canais para a formação de diversos outros engenheiros agrônomos que também estão deixando sua marca no desenvolvimento e na história do Brasil.

E é com muito orgulho que o Portal Agrolink homenageia Luiz de Queiroz e todos os engenheiros agrônomos do país!


*Com informações da Esalq
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