Escalada dos insumos derruba renda no campo
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Agronegócio

Escalada dos insumos derruba renda no campo

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Depois da alta dos fertilizantes, é a vez de reajustes nos preços dos animais de tração e do rebanho leiteiro, das sementes e mudas, além de outros insumos agropecuários, contribuírem para a queda da renda agrícola. Os Índices de Preços Agrícolas, divulgados pela Universidade Federal de Lavras (Ufla), mostram que os custos de produção continuam pressionando os ganhos do homem do campo. Em setembro, o Índice de Preços Pagos (IPP) pelos insumos subiu 4,53%, enquanto o Índice de Preços Recebidos (IPR) pelo trabalhador rural por meio da venda de produtos agrícolas foi de 0,09%. No acumulado do ano, o IPP cresceu 19,33%, enquanto o IPR está em 14,63%.

Desde julho, as elevações dos custos de produção vêm impactando negativamente a renda agrícola média. Em julho e em agosto, a queda chegou a 4,97% e 0,08%. Para o cálculo do IPR, são pesquisados mensalmente 42 produtos agrícolas. Já o IPP é medido a partir do levantamento dos preços de 187 insumos agropecuários.
Em setembro, a alta do IPP foi puxada pelos aumentos nos preços dos animais de tração (21,7%), dos animais de rebanho leiteiro (16,0%), das sementes e mudas (14,58%), dos bernicidas (4,71%), dos formicidas (4,47%), dos antibióticos (4,23%), dos vermífugos (4,21%) e das rações (2,88%).

Já os fatores que mais pressionaram a renda do setor agropecuário no período foram as baixas cotações de hortifrutigranjeiros como a laranja (-27,27%), a batata (-24,91%) e o tomate (-28,75%). Além disso, houve queda do preço do café pago ao cafeicultor (-2,41%) e do leite tipo C pago ao pecuarista (-2,79%). Em agosto, o mesmo produto já havia caído 3,47%.

Para o coordenador dos Índices Agrícolas da Ufla, professor Ricardo Pereira Reis, o recuo do preço do leite está associado aos elevados estoques mantidos pelas indústrias que, para escoar os produtos, reduzem o preço ao consumidor final. «Só que essa perda de lucratividade é repassada para o produtor, que é o elo mais fraco da cadeia», diz Reis.

A formação dos estoques pode estar ligada ao corte de derivados lácteos da lista de compras de famílias de classes C e D. «Com a alta no preço dos alimentos no início do ano, quem tem renda menor eliminou supérfluos para comprar arroz e feijão».

Com relação ao café, a hipótese é que a demanda não esteja acompanhando a produção, fazendo o preço pago ao produtor cair. «O consumo de café depende do frio na Europa e nos Estados Unidos, mas lá ainda é verão». O professor, no entanto, acredita em uma maior procura pelos grãos no fim do ano, quando é inverno no Hemisfério Norte.

Já o feijão, cujo preço subiu 28% em setembro, tende a se manter em alta, com reflexos no bolso do consumidor final. O valor da saca pode chegar a R$ 300, como nos últimos meses de 2007.


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