Lavoura

Escolha da semente de milho adequada é fundamental para sucesso da lavoura

Mercado oferece uma grande diversidade de sementes de milho
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Atualmente, o mercado oferece uma grande diversidade de sementes de milho. Há variedades, híbridos, materiais convencionais e transgênicos. Para escolher a semente mais adequada, o agricultor deve estar atento às características de cada cultivar e analisar sua própria realidade, objetivos e sistema de produção que adota.

Quando o produtor não tem o cuidado de observar a descrição do material a ser plantado, corre maiores riscos de não conseguir resultados satisfatórios com a lavoura. Ao consultar atentamente as informações disponíveis sobre as sementes e fazer uma escolha adequada à sua realidade, o agricultor pode garantir melhores rendimentos.

Para saber como fazer a análise das sementes disponíveis e a opção pela mais apropriada, a última edição do Grão em Grão entrevistou o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG) Ivênio Rubens de Oliveira. Confira as explicações.

Grão em Grão - Quais são os principais fatores que o produtor deve levar em conta ao escolher a semente?

Ivênio Rubens de Oliveira - O produtor deverá observar:

1.    O motivo pelo qual irá plantar milho em sua propriedade. Pode ser para produzir milho verde, grãos e/ou silagem.  Se for silagem, ainda há de se considerar o uso de planta inteira ou de grãos úmidos.

2.    A estabilidade e o potencial de rendimento dos grãos nas condições de sua região.

3.    A resistência às principais doenças e pragas que acontecem na região de plantio.

4.    O nível de tecnologia de que dispõe (insumos e implementos para irrigação, plantio e condução da lavoura, colheita, etc.).

5.    O ciclo adequado de acordo com sistema produtivo que adota.

6.    Qual é a aceitação do mercado consumidor com relação ao milho que será plantado, sobretudo no que se refere à cor e à textura do grão, caso seu objetivo seja a comercialização.

Considerando a região onde será feito o cultivo, como verificar se a semente é apropriada para o local?

Pode começar por verificar se a cultivar escolhida é adaptada às condições relacionadas ao solo e ao clima da região. Nesse quesito, é importante a consulta ao zoneamento de riscos climáticos, publicação anual do Ministério da Agricultura, com estudos validados pela Embrapa, que indica quais cultivares são recomendadas para ambas as safras (1ª e 2ª) em cada região do País. Na maioria das vezes, as empresas já inserem esta informação na divulgação de suas cultivares.

É importante também o contato com os técnicos que prestam assistência (pública e privada) às propriedades, e que pela proximidade com os produtores conhecem o comportamento produtivo das cultivares mais utilizadas na região.

Em relação ao tempo de produção, como o agricultor deve avaliar o material com ciclo mais adequado?

Temos hoje no mercado à disposição dos agricultores cultivares de ciclos diferentes (precoces, semiprecoces e tardias). Esta é uma característica importante em relação aos problemas de disponibilidade hídrica (chuvas) enfrentados nos últimos anos. Isso é mais importante ainda com relação à 2ª safra, que tem uma dependência maior de chuvas que ocorrem já no final do período agrícola. Há a necessidade de materiais que completem o ciclo cada vez mais rápido, mas que mantenham uma produtividade adequada.

De acordo com a finalidade, ou seja, se o milho será destinado à produção de silagem ou de grãos, como verificar se o material é apropriado?

Partimos do princípio de que uma cultivar que proporcione uma alta produtividade de grãos também está apta a proporcionar uma alta produção de silagem.

A escolha para ensilagem de cultivares de porte alto com elevada produção de massa seca total, mas com pequena percentagem de grãos presentes na massa, como se fazia no passado, não é a mais adequada, pois a produção de grãos correlaciona-se à produção de matéria seca total na planta. A espiga é importante na produção e na qualidade da planta do milho, chegando a ser responsável por cerca de 50% do total de matéria seca. Assim, a planta ideal para ensilagem apresenta alta percentagem de grãos na silagem, fibras de melhor digestibilidade e alta produtividade de massa. Isso junto às características agronômicas favoráveis aos sistemas de produção eficientes e competitivos.

Assim, diante das informações disponíveis, a escolha do material para silagem leva em conta o ciclo e o tipo de cultivar, sua produção de grãos e massa seca, sua proporção de grãos e boa qualidade da fração verde. Dificilmente todas essas características serão encontradas em uma única cultivar. Nesse caso, aconselha-se optar por aquelas que apresentem alta produtividade de massa e boa percentagem de grãos, assegurando melhor fermentação e garantindo ingestão voluntária compatível com o elevado desempenho animal esperado.

Ao avaliar custo e benefícios, como é possível saber se vale a pena pagar mais caro num saco de semente com tecnologia incorporada?

Plantar milho transgênico implica investimento em tecnologia. Tem que haver planejamento para obtenção do potencial máximo que a tecnologia proporciona. Por isso, para chegar a um custo e benefícios ideais não se dispensa o manejo adequado da cultura. Precisa de preparo adequado e correção de solo, adubação, aplicação de defensivos específicos, manejo da irrigação, assistência técnica e época de plantio apropriada. Estudos demonstram que, com o milho transgênico, há redução em aplicações de defensivos e gastos com combustível, além de maior potencial produtivo. A redução dos custos operacionais e com insumos possibilita, em preparo de cultivo mínimo do solo, maior produtividade, renda líquida e relação benefício/custo. Há situações de probabilidade de ganhos positivos de 85% com adoção da semente de milho transgênica em comparação à semente de milho convencional, pois quanto maior a produtividade, maior a renda líquida.

Em relação a doenças que podem afetar a lavoura, como diminuir os riscos com a escolha da semente?

 Doenças limitam a produtividade, causam perdas na produção e trazem riscos à saúde humana e animal. O sistema de produção no Brasil baseado no crescimento da produtividade do milho favorece o aumento da incidência e da severidade de doenças como mancha-branca, cercosporiose, helmintosporiose, ferrugem-polissora, ferrugem-tropical, ferrugem-branca, enfezamentos, podridões-de-colmo, antracnose-foliar, mancha-foliar-de-diplodia e grãos ardidos em todas as regiões produtoras. A importância dessas doenças é variável de ano para ano e de região para região por causa das condições climáticas, do nível de suscetibilidade das cultivares plantadas e do sistema de plantio utilizado.

A escolha da semente relaciona-se diretamente com medidas recomendadas para o manejo de doenças, tais como a utilização de cultivares resistentes, a realização do plantio em época adequada, a utilização de sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas e a rotação de cultivares. A medida mais importante é a utilização de cultivares geneticamente resistentes, uma vez que o seu uso não exige nenhum custo adicional ao produtor, não causa nenhum tipo de impacto negativo ao meio ambiente, é perfeitamente compatível com outras alternativas de controle, sendo que muitas vezes é suficiente para o controle da doença. A Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com as empresas produtoras de sementes, publica anualmente informações acerca da resistência das cultivares ofertadas no mercado a cada safra.

Como analisar a proteção em relação a pragas? O milho transgênico Bt deve ser sempre a primeira opção para evitar ataque de lagartas?

Não. O milho Bt foi desenvolvido em relação ao controle de lagartas-praga (Lepdoptera). Hoje já existem cultivares Bt para controle de coleópteros. Mas muitos dos insetos-praga que podem ocorrer em uma lavoura de milho não são controlados pela tecnologia. Como exemplo, podemos citar a cigarrinha-do-milho, vetor dos enfezamentos, os pulgões, os tripes, etc. Então, é necessário saber qual é o principal problema antes de se comprar a semente. Outra análise a ser feita é em relação ao tipo de cultivo que se pretende. Em áreas menores e áreas de agricultura orgânica, pode-se lançar mão do controle biológico, com uso de inimigos naturais, que também possibilitam um controle efetivo de pragas. Além disso, muitos dos milhos Bt hoje disponibilizados para plantio já não expressam de maneira adequada a transgenia e não proporcionam o controle desejado, obrigando os produtores a realizar aplicações de inseticidas de forma emergencial. Assim, é importante que os produtores tenham acesso às informações sobre quais tecnologias Bt ainda funcionam e o que precisam fazer para que elas continuem a funcionar, adotando medidas como o plantio de áreas de refúgio.

Em caso de Integração Lavoura-Pecuária, quais características são importantes para o milho que será cultivado no sistema?

As sementes de milho a serem utilizadas dependem mais uma vez do objetivo (silagem ou grão) e do tipo de empreendimento. Devem ser compatíveis com os herbicidas graminicidas seletivos para facilitar o cultivo em consórcio. Se possível, deve-se escolher cultivares de milho com maior tolerância ao alumínio tóxico do solo, maior eficiência no uso de fósforo, tolerância a herbicidas como o glifosato e portadores do gene Bt, que confere resistência a insetos. Esses são fatores interessantes, especialmente em situações de plantio que se prestam à recuperação de pastagens, geralmente sobre solos pobres.

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