Especialistas buscam alternativas para a cadeia do trigo
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Agronegócio

Especialistas buscam alternativas para a cadeia do trigo

O momento exige integração da cadeia, o que certamente vai gerar grandes oportunidades para o setor
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Com a presença de representantes de diversos países, como Brasil, EUA, China, Alemanha, Itália, Chile, Uruguai, Argentina e Turquia, está sendo realizado, em Florianópolis (SC), o XIX Congresso Internacional do Trigo, que tem como tema central “A Hora e a Vez do Trigo”. O evento foi aberto na manhã desta segunda-feira (22-10) pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Sergio Amaral, que destacou como principal desafio da cadeia a necessidade de integração e articulação para o setor avançar em qualidade, produtividade e logística. Segundo Amaral, “são fundamentais o apoio à pesquisa e a colaboração do governo para desenvolver novas espécies. O momento exige integração da cadeia, o que certamente vai gerar grandes oportunidades para o setor. O trabalho é eficiente, mas precisamos fazer mais e a inovação é um dos caminhos a ser perseguido”, adiantou o presidente da Abitrigo.


A produtividade do trigo tem aumentado muito nos últimos anos. Quando, na década de 70, era produzido em torno de 853 kg/ha, hoje se produz mais de 2.700 kg/ha. Mas não foi só em números que a mudança aconteceu. A qualidade do trigo para o produtor e consumidor e as variedades do cereal estão mudando o foco das pesquisas. O tema, abordado no primeiro painel intitulado “Novo Ordenamento da Cadeia do Trigo” chamou a atenção dos participantes. O chefe geral da Embrapa Trigo, Sérgio Roberto Dotto, e o coordenador do desenvolvimento do trigo do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Carlos Riede, apontaram não só a evolução do trigo, mas os caminhos para a produção com mais qualidade.
Segundo Dotto, “a região Sul é principal produtora do Brasil, responsável por 95%, mas é a terceira no quesito consumo, cerca de 20%”. Em primeiro lugar, está a região Sudeste com 42.3% do consumo e depois vem o Norte com 22.5%. “Além disso, o Brasil importa muito trigo e por isso deveríamos nos coordenar e articular toda essa cadeia para nos tornamos autossustentáveis”, sugere o chefe geral da Embrapa Trigo.


No Paraná, o foco do IAPAR é trabalhar o aumento da produtividade de grãos associada à uma crescente qualidade tecnológica. “Mas temos de fazer um trabalho de resistência de doenças e cuidar dos estresses ambientais”, reforça Riede. Para isso, o IAPAR montou um laboratório de qualidade que avalia dureza dos grãos e também o índice de glúten. Ambos acreditam que é possível aumentar a produção, sem perder a qualidade do trigo. “Sabemos que já existe um crescimento uniforme pelo fato dos produtores adotarem a tecnologia. Isso é bem interessante, estamos vivendo um momento de transição promissora”, finaliza Sérgio Dotto.

Desafio é viabilizar o transporte de cabotagem

Fechando o primeiro dia do congresso, uma mesa-redonda sobre a política do trigo promoveu um disputado debate reunindo autoridades como José Maria dos Anjos, coordenador de cereais do Ministério da Agricultura; Luís Cláudio Montenegro, diretor de sistemas de informações portuárias da Presidência da República e Victor Bumbieris, da secretaria de política econômica do Ministério da Fazenda. Montenegro explica que há um ano e meio está sendo discutida, no governo federal, uma política para o setor portuário. Ao concluir sua apresentação, afirmou que “é preciso partir da falta de confiabilidade do serviço prestado hoje pelo transporte de cabotagem para buscar uma solução com a redução de custos, oferecendo serviços com regularidade e proporcionando incentivos ao setor, pois estimular o sistema de cabotagem é interesse governamental.


Já, segundo o coordenador de Cereais e Culturas Anuais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Maria dos Anjos, “este assunto está sendo discutido há pelo menos 12 anos e ainda não encontramos uma solução ideal. O problema não afeta apenas o trigo, mas outros setores como milho e arroz”, lembrou. Apesar disso, José Maria disse que o agronegócio brasileiro está vivendo um momento especial. De outubro de 2011 até setembro de 2012, o saldo da balança comercial foi de US$ 79 bilhões. “Uma marca histórica”, festejou, ao anunciar que a previsão do país para a próxima safra é de 180 milhões de toneladas de grãos.

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