Espírito Santo inicia colheita de café robusta


Agronegócio

Espírito Santo inicia colheita de café robusta

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José Davino Gomes, 61 anos, e Amintas Gomes de Matos, 47 anos, ambos de Iúna (ES), estão surpresos com suas lavouras. A estiagem provocou um fenômeno incomum: o amadurecimento precoce do grão igualou o início da colheita da variedade arábica, que tradicionalmente é aberta em maio, com a do robusta, que oficialmente é aberta em abril. Desde o início de março, centenas de bóias-frias, vindos do interior do Espírito Santo, sul da Bahia e Minas Gerais, já estão no campo à cata do grão temporão, uma atividade que somente na etapa da produção abre em torno de 160 mil empregos provisórios em território capixaba, o primeiro a iniciar a colheita brasileira. O estado é o segundo maior produtor de café do País, depois de Minas Gerais, e lidera na variedade conilon.

Receita maior

A estimativa da safra este ano no segundo maior produtor de café brasileiro, feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostra que o volume de 7,55 milhões de sacas de 60 quilos representa queda de 16% em relação à 2002. Técnicos do Instituto Capixaba de Pesquisa, Auditoria Técnica e Extensão Rural (Incaper), porém, estimam uma movimentação de receita na produção próxima a R$ 900 milhões, 28,5% acima da registrada em 2002.

Da safra estimada para 2003 no estado, a variedade robusta, na qual o Espírito Santo é o líder nacional, participa com 5,75 milhões de sacas, 11% abaixo da registrada em 2002. Na prática, a realidade é outra. Antônio Joaquim de Souza Neto, presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha (Cooabriel) no Espírito Santo, por exemplo, está frustrado.

"Teremos uma quebra da safra entre 40% e 50%, pois o grão madurou à força, com o sol intenso, e o café não granou, está murcho. Com isso, o rendimento será menor. Antes gastávamos quatro sacas de café maduro para fazer uma saca pilada, com 60 quilos. Agora, deveremos usar entre 4,5 e 5 sacas para atingir a mesma quantidade", diz Souza.

O executivo da Cooabriel espera que a produção dos 1.700 associados ativos de sua entidade, que alcançou 300 mil sacas em 2002, caia para 220 mil este ano. Como o preço da saca caiu R$ 40, passando a valer R$ 110, à medida que se aproxima a colheita, o presidente da Cooabriel já calcula um prejuízo estimado em R$ 8,8 milhões neste exercício.

Mesmo na gestão Lula, uma distorção ainda maltrata o produtor capixaba, obrigado a começar a colher a safra sem a liberação do repasse do financiamento do Funcafé. "Sempre fomos discriminados. O dinheiro nunca chega antes. Só sai quando é transferido ao Rio, São Paulo e Minas Gerais. Sem o recurso, o agricultor é obrigado a vender o café pelo preço de custo", afirma.

O arábica responderá por 1,8 milhão de sacas do total da safra. O volume reflete uma queda de 28% em relação a 2002. A quebra é provocada pelo ciclo natural de produção da planta. A cada ano o café caracteriza-se por uma produção menor.

Lúcio Herzog De Muner, gerente do Programa de Desenvolvimento da Cafeicultura do Incaper informou que a estiagem no estado, de mais de 40 dias, entre fevereiro e março antecipou a maturação do grão.

Período seco

Os técnicos do 6º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia, órgão do governo que controla os índices pluviométricos do Rio de Janeiro e Espírito Santo, sustentam o argumento do agrônomo do Incaper. Tendo como base a estação de medição, localizada no município de Muniz Freire, que fica a mais de 200 quilômetros de Vitória e a 27 quilômetros de Iúna, o volume de chuva em fevereiro, de 2002, caiu de 273,3 milímetros para 54,5 milímetros.

Produtor premiado

Em meio a tantas dificuldades, o produtor José Davino Gomes aprendeu uma lição em sua carreira de 46 anos dedicada à cafeicultura. "O segredo é produzir café de qualidade", diz, com a experiência de quem cuida de 450 mil pés, o seu ganha-pão. "Comecei a colheita há uma semana, mas estou animado. Vou trabalhar com capricho para preparar o grão e estou investindo mais de R$ 15 mil numa nova estufa." Premiado em concursos, o agricultor capixaba conseguiu vender 32 de suas sacas de café gourmet por R$ 270, em 2002, valor muito acima da média praticada naquele ano, que oscilou na faixa média de R$ 60 a R$ 125.

O café é o primeiro item da pauta agrícola capixaba, respondendo por 40% do valor bruto da produção agrícola. Toda a etapa de produção envolve 362 mil empregos nas 60 mil propriedades. A cafeicultura familiar desenvolve-se no estado em todos os 78 municípios - incluindo a capital de Vitória - com o tamanho médio das lavouras de nove hectares. A área de plantio, corresponde a 550 mil hectares (60% robusta e o restante arábica), o que equivale à cobertura de 13% da área geográfica do Espírito Santo, segundo o Incaper.


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