Estamos perdendo a batalha contra “Superpragas”

HELICOVERPA

Estamos perdendo a batalha contra “Superpragas”

Reconhecimento da praga é fundamental para que o Manejo seja efetivo
Por: -Leonardo Gottems
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A última questão que fizemos na entrevista exclusiva com a Mestre em Entomologia e Doutora em Biotecnologia Cecília Czepak foi: O que técnicos, acadêmicos, profissionais, indústria, produtores e poder público devem fazer para minimizar a ameaça surgida com o hibridismo entre Helicoverpa armigera e Helicoverpa zea?

“É preciso reconhecer que estamos perdendo a batalha para essas “Superpragas” que se moldam com o tempo, aumentando seus domínios e potencializando seus prejuízos nas áreas de ação. Veja o exemplo atual da Spodoptera frugiperda, entrou em 2016 na África e agora se encontra disseminada em quase todo o Continente, causando devastação e fome naquelas regiões e sua entrada na Europa é uma questão de tempo”, responde. 

Segundo ela, logo essa será outra escala de problema que teremos de nos preocupar, visto que no Brasil, ano após ano temos presenciado os problemas que esta praga tem causado a inúmeras culturas. “A partir disso, estabelecer táticas de Manejo adaptadas a cada região, levando em consideração sempre que o reconhecimento da praga é fundamental para que o Manejo seja efetivo”, alerta Cecilia.

“Logo [devemos fazer] análises genômicas aliadas a morfológicas serão essenciais para que se alcance resultados concretos no Manejo Integrado de Pragas. Mas antes disso é preciso perguntar: Estamos preparados para essa mudança? Ou apenas nos movimentamos quando a situação se torna efetivamente grave? Recordando tempos recentes, quando da entrada da Helicoverpa no Brasil, acho que há muito que fazer para que essa mudança ocorra!”, conclui. 

PARCERIA

A UFG forneceu amostras para fomentar este estudo que descobriu o híbrido, em uma parceria que já vem de alguns anos e se consolidou em 2017, quando dois alunos de doutorado da Escola de Agronomia/UFG, sob a orientação da especialista, foram para o CSIRO, sediado em Cambera, na Austrália. Lá os acadêmicos também desenvolveram vários estudos relacionados a estas espécies, coletados principalmente em Goiás e logo mais, novos resultados sobre esse mesmo assunto estarão prontos para publicação. 

“Além disso, mais recentemente, tivemos a visita do Dr. Wee Tek Tay que nos trouxe informações importantes sobre o assunto e agora estamos nos movimentando para fortalecer ainda mais essa parceria por meio de projetos relacionados a análises genômicas de Helicoverpa spp. Bermisia tabaci, Spodoptera frugiperda e outras pragas que porventura possam ser alvo de interesse recíproco, esta técnica é promissora e em um futuro próximo será essencial em qualquer estudo relacionado a agricultura”, diz Cecilia Czepak.

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