Estoque de suínos chega ao limite em Santa Catarina


Agronegócio

Estoque de suínos chega ao limite em Santa Catarina

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Agroindústrias do Estado suportam só o mês de março sem retomar as exportações para a Rússia.

Começa a ficar crítica a situação das agroindústrias do Estado com o embargo das exportações de suínos para a Rússia, que completou dois meses ontem. Sem vender ao principal cliente, os estoques chegam a 60 mil toneladas. Se não houver solução em março, faltará lugar para estocar.

O alerta foi feito ontem pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro Benur Bohrel, durante reunião convocada pelo secretário Agricultura, Moacir Sopelsa.

Ele disse que a capacidade de estocagem está chegando no limite. “Só conseguimos suportar março”, afirmou. As indústrias utilizam espaço próprio ou locam áreas. Só que o espaço não é suficiente - nem foi projetado - para a produção de três meses.

O problema não é apenas a falta de espaço. O custo da estocagem também prejudica financeiramente as empresas. Bohrel explicou que cada tonelada estocada custa R$ 50 por mês e que se a situação persistir, as empresas terão que pedir socorro ao governo federal para bancar os custos.

As agroindústrias pagam transporte nos casos de terceirização. Àquelas que possuem local, disparam os gastos com energia.

A reunião serviu para estabelecer novas estratégias para tentar suspender o embargo, que já provocou prejuízos de US$ 50 milhões. O secretário disse que será preciso pressão política para que o Ministério de Agricultura tome uma atitude eficaz e imediata. “Vamos acionar a bancada catarinense para que nos ajude”, disse.

Sopelsa explicou que o governo do Estado já fez a sua parte, eliminando o rebanho doente e fazendo sorologia. Todo o procedimento foi comunicado aos russos. “Mas eles querem garantias de que os laudos futuros serão confiáveis”, disse, referindo-se ao fato de laudos anteriores afirmarem a inexistência da doença Aujeszky, o que foi desmentido e provocou o embargo.

Para o presidente da Abipecs, a resistência dos russos tem outra explicação. Eles estariam utilizando o embargo para facilitar as importações de produtos russos.

Os produtores também sofrem. O presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Paulo Tramontini, disse que a suspensão das exportações e a elevação dos estoques congelaram os preços. No RS e PR - que continuam exportando - o quilo do suíno chega a R$ 1,90. Em SC, fica em R$ 1,60.

SAIBA MAIS

OS REFLEXOS DO IMPASSE

- Data do embargo: 24 de dezembro

- Volume de carne suína que deixou de ser exportado por Santa Catarina nos últimos dois meses: 60 mil toneladas

- Prejuízo com a suspensão dos negócios: entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões

- Número de produtores no setor: 18 mil (12 mil integrados e 6 mil independentes)

- Volume de produtores que largou a atividade no último ano: 20%

- Valor gasto com a estocagem por parte da indústria: R$ 50 por tonelada ao mês

- Defasagem de preço ao produtor: em Santa Catarina o quilo do suíno gira entre R$ 1,58 e R$ 1,60. No restante da Região Sul, pode chegar a R$ 1,90


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