Estudo aponta excesso de manganês em espécies de peixes
CI
Imagem: Divulgação
IMPACTO

Estudo aponta excesso de manganês em espécies de peixes

Índice representa aumento de 880% no conteúdo de manganês dissolvido em água em 2017
Por: -Aline Merladete

Índice representa aumento de 880% no conteúdo de manganês dissolvido em água em 2017 em comparação aos valores observados em 2015, dias após a chegada dos rejeitos provenientes do desastre de Mariana

Equipes do Grupo de Estudo e Pesquisa em Geoquímica de Solos do Departamento de Ciência do Solo (GEPGEoq) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e do projeto Rede SoBEs Rio Doce - Rede de Solos e Bentos na Foz do Rio Doce vêm estudando os impactos do rompimento da barragem de Fundão no desastre de Mariana no estuário do Rio Doce.

O mais recente estudo realizado pelo grupo, em parceria com pesquisadores da University of California, Riverside, mostra que após dois anos da chegada dos rejeitos, há uma liberação constante de manganês dos solos do estuário para a água.

“Os dados da pesquisa apontam para um aumento de 880% no conteúdo de manganês dissolvido em água em 2017 em comparação aos valores observados em 2015, dias após a chegada dos rejeitos”, aponta Hermano Queiroz, pesquisador da Esalq que realizou sua tese de doutorado sob orientação do professor Tiago Osório Ferreira do Departamento de Ciência do Solo. Segundo os pesquisadores, os valores encontrados em 2017 foram 5 vezes maiores do que o limite definido pelas diretrizes brasileiras de qualidade da água (CONAMA, 2005).

De acordo com os resultados, o risco das elevadas concentrações de manganês em água se refletiram em altos teores de manganês em duas espécies de peixes, o bagre amarelo (Cathoropus spixii) e o peixe-gato marinho (Genidens genidens), ambos comumente consumidas pela população local, fato que representa um risco crônico para a saúde das comunidades ali presentes.

Os resultados evidenciaram concentrações de manganês 2 vezes maiores nos peixes do Rio Doce quando comparadas às de peixes de outros locais conhecidamente contaminados por manganês.

Manganês – o manganês é um elemento abundante na natureza e por isso muitas vezes não é percebido como tóxico, mesmo quando encontrando em elevadas concentrações no solo e na água.  Conforme os pesquisadores, não existem valores limites de manganês para solos, apesar de pesquisas apontarem efeitos tóxicos em plantas, animais e seres humanos. Em seres humanos as elevadas concentrações de Mn são associadas a doenças como o Alzheimer, além de outros distúrbios neurodegenerativos e do sistema nervoso central.

O estudo que faz parte da tese de doutorado de Hermano Melo Queiroz (Esalq/USP) e foi publicado na revista Environment International, liderado pelo professor Tiago Osório Ferreira, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq/USP, com financiamento da FAPESP, FAPES, CAPES e CNPq além da colaboração de pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade Federal Fluminense e da Universidade de Santigado Compostela da Espanha.

*informações são da Esalq.


Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink