Estudo possibilita o plantio de mudas sem infecção viral
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Agronegócio

Estudo possibilita o plantio de mudas sem infecção viral

Pesquisa visa caracterizar, diagnosticar e tratar incidência de vírus nocivos a videiras e outras espécies
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O cuidado com a saúde da matéria-prima que se transformará, literalmente, em bons frutos cultivados no solo gaúcho é o principal foco do trabalho realizado pelo pesquisador Osmar Nickel na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves, braço da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Desde 1997, ele e sua equipe desenvolvem pesquisa com objetivo de caracterizar, diagnosticar e tratar a incidência de vírus nocivos a macieiras, videiras, pereiras, além de outras espécies, tais como morangos, mirtilos e amoras.

A importância desses produtos para a economia do Rio Grande do Sul é um dos grandes fatores que motiva Nickel a investigar o processo de contaminação viral nos vegetais, bem como promover iniciativas para curar e impedir a disseminação desses agentes. O pesquisador destaca que a região Sul é responsável pelo cultivo de 32 mil hectares somente de maçãs, com uma produção que nos últimos anos tem atingido marca próxima a 1 milhão de toneladas. "Uma vez feito o plantio com mudas infectadas ocorre a reinfecção, por isso é necessário que seja efetuado livre do vírus", diz o doutor em patologia vegetal.

Para que esse contingente seja rentável para o fruticultor e chegue ao consumidor final com qualidade, um longo caminho é percorrido, e não apenas entre o pomar e a mesa de casa. Antes de tudo isso, é em laboratórios como o de Nickel que são estudados os processos para que seja possível unir os dois pontos.

Na prática, a pesquisa consiste em deixar copa e enxerto das mudas analisadas sadias. Isso é feito através de processos distintos. No primeiro, as plantas são tratadas em câmaras de termoterapia, mantidos a uma temperatura elevada, isso porque os patógenos virais que podem estar presentes nas mudas são sensíveis ao calor. Depois, os tecidos submetidos a essa alta temperatura são removidos, coletados e destinados para avaliação do efeito do tratamento. "Esse tecido, em boa parte, tem uma probabilidade alta de estar livre do patógeno viral; existe sua remoção com o calor", explica Nickel. "E os tecidos que foram liberados são, então, cultivados", completa.

No que diz respeito ao diagnóstico, as espécies passam por um procedimento de cultivo por enxertia, que pode ser in vitro ou in vivo, em que é acompanhado o desenvolvimento até que atinjam um determinado tamanho. No caso das macieiras, a classe de maior relevância econômica entre as que fazem parte do estudo, é esperado até que alcancem cerca de 80 centímetros. Então, são realizados testes laboratoriais e biológicos a fim de conferir o êxito do método, ou seja, se a planta realmente ficou saudável.

A partir disso é possível determinar os elementos para produção de anticorpos específicos para cada vírus. "Isso é produzido em laboratório com biotecnologia, são trabalhos especificamente voltados para a genética dos vírus, que são amplificados e utilizados para a produção de proteínas virais e anticorpos que reconhecem determinados vírus", elucida o especialista. Ele acrescenta que os índices de obtenção de materiais livres de infecções, que consequentemente estão em condições de não contaminar o solo, têm sido significativos.

O último passo aplicado é o de quimioterapia in vitro, em que vem sendo verificado 100% de eficácia nos testes de remoção dos agentes virais. Esse método, no entanto, não pode ser aplicado a todas as espécies, levando em conta que parte delas são sensíveis e podem sofrer com o tratamento. "Temos que avaliar para determinar para quais podem ser utilizadas, mas temos observado que é bastante promissor", aponta Nickel.
Próxima etapa inclui disseminação da cultura sadia

Desenvolvida a metodologia que pode ser uma solução para a não infecção do solo por patógenos virais, a pesquisa chega em uma fase crucial: a aplicação do procedimento do ambiente produtivo. De acordo o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho Osmar Nickel, o interesse de fruticultores e atores do setor vitivinícola pelo desenvolvimento desses recursos é crescente, devido aos danos e custos consideráveis gerados pela incidência dos vírus.

"Estamos agora na fase de produção massiva desse material para oferecer um volume maior para o setor, inclusive estamos nos preocupando com parcerias para multiplicar nossa capacidade", destaca. Ele exemplifica que as perdas em um pomar de pereiras infectado podem chegar a 50%, afetando a qualidade do produto, tamanha a sensibilidade da espécie. Além disso, no mercado externo já existem antígenos capazes de dar conta do problema, mas que os produtores não podem ser dependentes das descobertas internacionais. Daí a importância de fomentar a pesquisa em solo nacional.


Prêmio Futuro da Terra 2010

CADEIAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA

• Marta Gomes da Rocha, professora da Ufsm na área de Zootecnia
• José Fernando Piva Lobato, professor Associado da Ufrgs na área de forrageiras e zootecnia
•José Ricardo Pfeifer Silveira, pesquisador da Fepagro com ênfase em fitopatologia

TECNOLOGIA RURAL

• João Vieira de Macedo Neto, engenheiro agrônomo presidente da Associação Nacional de Criadores (ANC)
NOVAS ALTERNATIVAS AGRÍCOLAS

•Luiz Fernando Gerhard, engenheiro agrônomo do escritório municipal da Emater-RS
•Carlos Eugênio Daudt, professor da Ufsm e pesquisador na área de enologia
•Osmar Nickel, pesquisador da Embrapa na área de caracterização biológica e molecular

PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

• Luiza Chomenko - Bióloga da FZB com atuação na área de gestão ambiental
• Fernando Luiz Ferreira de Quadros - Professor da Ufsm e pesquisador de ecologia campestre

PRÊMIO ESPECIAL

• João Carlos Gonzáles, Professor aposentado da Faculdade de Veterinária da Ufrgs na área de parasitologia

A cerimônia de entrega dos troféus acontece no dia 31 de agosto de 2010, no Parque de Exposições Assis Brasil em Esteio.

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