Agronegócio

Etanol supera aplicações financeiras e atrai mais capital

Tavares de Almeida, Tejofran e Zogbi vão investir R$ 220 milhões nas áreas agrícola e industrial para criar usina em SP
Por: -Luiz Silveira
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A expectativa de que a remuneração do capital investido em aplicações financeiras se mantenha em queda fez três grupos de múltiplo propósito se associarem para construir uma usina de açúcar e álcool — setor que está com rendimento em alta. Tavares de Almeida, Tejofran e Zogbi vão investir R$ 220 milhões nas áreas agrícola e industrial para criar a empresa em Cerqueira César (SP), na região de Avaré, promissora na produção de açúcar e de álcool.

“Com a perspectiva de contínua redução na taxa de juros, não podemos imaginar que o retorno do capital financeiro vá se manter nos patamares atuais”, diz Telmo Giolito Porto, diretor da Tejofran. Os sócios sabem bem disso: Zogbi e Tavares de Almeida possuem em seu leque de negócios o setor financeiro. O Grupo Zogbi mantém o banco de mesmo nome e o Tavares de Almeida é dono do Banco Luso-Brasileiro.

Segundo Porto, esse foi um dos fatores fundamentais para que sócios dos três grupos, que já se conheciam, decidissem tirar parte de seu dinheiro dos bancos e dos fundos de investimento para construir a Usina Rio Pardo. Cerca de 40% do investimento será feito com capital próprio, e o restante financiado. Mas a rentabilidade das aplicações financeiras continuará sendo, na visão de Porto, uma linha de corte para definir a viabilidade econômica de qualquer outro investimento.

Biodiesel na mira

Nesse sentido, o grupo aposta que o domínio do Brasil na tecnologia produtiva da cana, do açúcar e do álcool e a tendência mundial de incremento na utilização de biocombustíveis vão garantir boas taxas de retorno. “Pensamos também em entrar no biodiesel, mas decidimos começar dando prioridade ao etanol porque um dos sócios já tem experiência no setor”, revela ele.

O grupo Tavares de Almeida é proprietário de uma destilaria de álcool, a Vista Alegre, de Itapetininga (SP), que produz 28 milhões de litros de álcool por safra. O novo projeto é bem mais ambicioso: a Rio Pardo deve chegar aos 110 milhões de litros de álcool no ano de 2010, considerando que 50% da cana será destinada à produção de 2 milhões de sacas de 50 quilos de açúcar.

A usina deve entrar em funcionamento em 2008, moendo 1 milhão de toneladas de cana. Em 2010 esse número deverá ser de 2 milhões de toneladas. Para abastecer a planta industrial serão necessários 28 mil hectares de cana, dos quais 12 mil já estão sendo trabalhados pela Agrícola Tatez (em referência às letras iniciais dos sócios), braço agrícola da Rio Pardo.

A escolha pela região de Avaré, segundo Porto, decorreu inicialmente do fato de a Tejofran já possuir uma propriedade no município de Cerqueira César. “Além disso, é uma região ainda sem uma grande quantidade de usinas e com boa infra-estrutura logística”, constata o executivo.

Porto explica que o plano comercial ainda não está pronto, mas que a produção da Usina Rio Pardo poderá ser destinada tanto ao mercado interno quanto ao externo. De acordo com ele, não há grande diferença de remuneração entre os dois mercados e por isso essa não é uma questão essencial.

Já a opção por construir uma usina em vez de adquirir uma planta em operação foi tomada para garantir as maiores margens possíveis: “compra de usinas só acontece quando há urgência na geração de ativos, o que não era o nosso caso”, explica o diretor da Tejofran. Sua empresa é uma das maiores do País em serviços de terceirização, como os reparos às linhas dos assinantes da Telefônica em São Paulo.

Passo à frente

A aposta do grupo de sócios no setor de biocombustíveis não é pequena. Sem dar detalhes dos próximos negócios oriundos da parceria, Telmo Porto revela que o passo seguinte é ampliar a presença na produção de etanol, cuja demanda já está bem estabelecida no mercado interno e em crescimento forte no mercado mundial: “Depois pretendemos adentrar no setor de produção de biodiesel, mais a longo prazo”.

A diversificação dos ramos de atividade já é uma característica dos três grupos. A Tejofran possui 10 áreas de negócios e 20 diferentes empresas, nos setores de serviço, agronegócio e construção civil, entre outros. O Zogbi atua no varejo, incorporação, construção e papel e celulose. Já o Tavares de Almeida possui, além do banco e da Usina Vista Alegre, uma destilaria de aguardente e uma fábrica de bebidas.

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