EUA perdem o equivalente a uma safrinha de milho
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Agronegócio

EUA perdem o equivalente a uma safrinha de milho

Máquinas no estado norte-americano de Indiana trabalham noite e dia para aproveitar a alta dos preços da soja e do milho
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Novo relatório do USDA reduziu previsões, mas, ainda assim, produção do cereal será a terceira melhor da história

Chicago - Com quase metade da safra de milho e soja dos Estados Unidos colhida, os preços das commodities bateram na sexta-feira (8) no limite de alta na Bolsa de Chicago (CBOT) após um relatório do departamento de agricultura norte-americano, o USDA, mostrar queda na produção e nos estoques norte-americanos. A safra de soja deve ser de 92,75 milhões de toneladas (2,2% a menos do que se previa em setembro) e a de milho, de 321,75 milhões de toneladas (-3,8%), informou o USDA.

O mercado reagiu prontamente. As cotações da soja fecharam a US$ 11,35/bushel (27,2 quilos) nos contratos a vencer em novembro – alta de 70 pontos. Para o milho, a cotação subiu 30 pontos, chegando a US$ 5,2825/bushel (25,4 kg). Com produtividade menor, o milho perde o potencial de recorde previsto em agosto, e cai para a terceira posição no histórico da produção norte-americana (atrás de 2009/10 e 2007/08). Em relação à previsão de recorde, a redução foi de 18 milhões de toneladas, volume equivalente à segunda safra (safrinha) brasileira desse cereal.

Conforme o analista independente Roy Smith, que é produtor e publica avaliações do mercado semanalmente no site www.agriculture.com, o relatório do USDA traz números consolidados e deve manter as cotações em alta por pelo menos dez dias. Para aproveitar o preço e o clima favorável, os norte-americanos aceleram a colheita. Em alguns casos, os grãos nem chegam ao armazém, vão direto para os rios e, das barcaças, para o Golfo do México, para exportação. Foi o que constatou a Expedição Safra Gazeta do Povo/RPC, que percorre nesta semana o cinturão da produção de grãos dos EUA, entrevistando produtores, empresários, líderes do setor e analistas durante uma semana.

Conforme David Hillard, da cerealista Consolidated, neste ano, além de a colheita estar adiantada (perto de 20 pontos), o escoamento da soja vem sendo surpreendente. No posto que a companhia mantém em Utica (estado de Illinois), com capacidade para estocar 100 mil toneladas, 80% do espaço está ocioso. “O clima está adiantando e favorecendo a colheita. Os grãos chegam secos o suficiente para serem embarcados”, relata Hillard.

O mercado norte-americano não deve provocar alteração na intenção de plantio no Brasil, afirma o analista Robson Mafioletti, que atua na Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e acompanha a Expedição. Sexta-feira, os preços da soja, do milho e do trigo no Paraná não responderam à alta internacional, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Soja e milho tiveram leves quedas. “Como está em fase de plantio, sem ritmo de oferta de grãos, o Brasil deve absorver a tendência dos preços da CBOT aos poucos”, avalia.

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