Agronegócio

EUA vão semear menor área de soja em dez anos

Analistas esperam que a oleaginosa alcance seu maior valor dos últimos 30 anos
Por: -Redação
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Tudo indica que os preços da soja estejam se encaminhando para registrar seu maior salto das últimas três décadas, num momento em que os produtores americanos aumentam sua área plantada com milho. Os agricultores dos EUA estão se preparando para semear com soja sua menor área do último período de dez anos. Ao mesmo tempo, a demanda pela oleaginosa está crescendo, o que cria condições que, segundo os operadores, poderão levar à duplicação do preço médio de US$ 5,98 o bushel alcançado pela soja neste ano e permitir que a soja substitua o milho como a commodity agrícola de melhor desempenho.

"Foi-se o tempo de preços abaixo de US$ 6 (o bushel) pela soja", disse Dan Basse, presidente da AgResource Co. de Chicago. "A demanda está crescendo rápido demais para a produção acompanhá-la". Os consumidores vão sentir o baque, uma vez que as empresas de produtos alimentícios, como Danone e J.M. Smucker, vão cobrar mais por todos os produtos, desde pasta de amendoim até pizza congelada, para compensar o aumento do custo do óleo vegetal produzido a partir da soja, disse John McMillin, analista do Prudential Equity Group Inc. de Nova York.

A alta dos preços nos Estados Unidos vai elevar os custos em âmbito mundial porque os contratos futuros de soja na Bolsa de Mercados Futuros de Chicago são o referencial para o mercado mundial, de São Paulo a Tóquio. A canola e o óleo de palma (azeite de dendê) também vão subir, aumentando os custos da ADM e da Bunge, os maiores produtores mundiais de óleos vegetais.

A soja, um alimento básico na China há 3.000 anos e a segunda maior commodity da pauta de exportações do Brasil, deverá quase duplicar, para US$ 13 o bushel, até o final de 2007, a partir dos atuais US$ 6,7425, disse Terry Roggensack, da Hartfield Trading Partners de Chicago, que previu com precisão a alta de 2003. A disparada dos preços da década de 1970 fez com que os agricultores do Brasil e da Argentina transformassem campos de cevada em campos de soja, criando um setor que movimenta US$ 21 bilhões em vendas anuais.

Nas últimas duas décadas o retorno anual da soja foi inferior ao do milho, diante da disparada da demanda norte-americana por etanol, destilado a partir do milho nos EUA. A oferta mundial de soja cresceu mais rapidamente que o consumo.

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