Exames comprovam inexistência de aftosa no PR

Agronegócio

Exames comprovam inexistência de aftosa no PR

Resultados da necropsia apontam que nenhum bovino foi contaminado pelo vírus
Por: -Fernanda Mazzini
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Depois de pouco mais de 14 meses a resposta chegou: o rebanho paranaense não foi contaminado pelo vírus da febre aftosa. A conclusão é do laudo final elaborado pela comissão de necropsia com base nos diagnósticos laboratoriais de material coletado dos bovinos sacrificados em março. Em outubro do ano passado o Paraná foi considerado suspeita de foco de aftosa pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); dois meses depois sete focos foram confirmados. Desde então, toda a cadeia produtiva da carne sente os reflexos da ação, com baixas sistemáticas do preço da arroba bovina.

No documento elaborado no início do mês pela comissão de necropsia - e que a FOLHA teve acesso com exclusividade - a conclusão é que "as provas laboratoriais de isolamento/identificação viral para febre aftosa, apresentaram resultado negativo". O relatório final foi assinado por seis técnicos, representantes da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab), do Mapa, do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa) e dos proprietários. Foram necropsiados 21 bovinos das sete fazendas, todos reagentes positivos aos exames de sorologia e escolhidos através de normas estatísticas.

Agora, foram realizados exames de sorologia, líquido esofágico-faríngeo (Lef), e RT-PCR (técnica de biologia molecular que detecta fragmentos de material genético do vírus presente nas vísceras dos bovinos). "Esse é o exame mais moderno existente para investigação de febre aftosa. Foram utilizados desde o diagnóstico mais simples ao mais sofisticado e o resultado final não conseguiu isolar o vírus, que é o agente fundamental em uma investigação de uma doença infecciosa", salientou o professor Raimundo Tostes, doutor em Patologia Animal e coordenador do curso de Medicina Veterinária da Cesumar, uma das fazendas consideradas focos de aftosa. Tostes é membro da comissão de necropsia, indicado pelos pecuaristas.

Segundo ele, a reação positiva aos exames de sorologia é resultado exclusivamente da reação vacinal, uma vez que a vacina utilizada no País contém material genético do vírus. "Tanto que somente metade das amostras que haviam reagido positivamente repetiram o mesmo diagnóstico", observou. As amostras coletadas pela comissão foram analisadas no Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) de Belém (PA) e nos laboratórios do Panaftosa, no Rio de Janeiro. Além disso, antes do sacrifício todos os bovinos foram submetidos à exames clínicos.

Ainda deverão ser realizados exames para isolamento viral de diferenciais (IBR, BVD e Língua Azul), doenças que provocam lesões que confundem com febre aftosa. "Para o Brasil que é o maior produtor e exportador de carne bovina as respostas sobre a sanidade do rebanho são importantes", disse Tostes. No entanto, a incidência de qualquer destas enfermidades não é tratada como barreira sanitária para o comércio de carne. Depois do episódio, a conformidade dos pecuaristas é que está havendo um certo investimento na melhoria da infra-estrutura nacional para lidar com questões sanitárias.

Segundo eles, já foram abertos concursos estadual e federal para contratação de pessoal, foram alocados recursos federais de cerca de R$ 37 milhões para aparelhamento de laboratórios. Além disso, outro fator positivo é a união dos pecuaristas, que resultou na criação da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC).

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