Expogrande começa com boa perspectiva para setor rural

Agronegócio

Expogrande começa com boa perspectiva para setor rural

A diferença é que muitas das expectativas criadas à época começam a se concretizar, conforme as palavras das autoridades presentes
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Os discursos de abertura da 70ª Expogrande refletiram boa parte do que foi dito em 2007, durante a feira anterior. A diferença é que muitas das expectativas criadas à época começam a se concretizar, conforme as palavras das autoridades presentes. “A terra conquistada no casco do cavalo e do boi” caminha para se transformar “na maior praça de venda de boi gordo do País”.


As aspas pertencem a Laucídio Coelho Neto, presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul, organizadora da exposição. Em suas palavras, ele resumiu os episódios vividos por produtores nos últimos meses como “um momento especial para Mato Grosso do Sul. Entramos em um ciclo virtuoso da economia, com a melhora do preço do boi, e o bom preço da soja, milho e outros grãos”. Sua fala ainda abriu espaço para a chegada da cana-de-açúcar, da exploração da madeira e da mineração, mas logo retornou ao que interessava no dia: a pecuária.

Coelho Neto lembrou que Campo Grande vivencia hoje a ampliação da indústria frigorífica, “com o reforço extraordinário do aumento das atividades no Friboi e a inauguração do Bertin”. Ele prevê que a Capital, que já é a maior praça para venda de bezerros, avançará para o mercado de boi gordo. Tal perspectiva faz com que o presidente da Acrissul ainda avalie a necessidade de ampliar o fornecimento de matéria-prima. “E a cedência de áreas de pastagem à agricultura nos obriga a incorporar novas técnicas à atividade”, conclamou.

Em uma breve fala, a secretária Tereza Cristina Corrêa da Costa (Produção e Turismo) preferiu “quebrar o protocolo” e falar como produtora rural, enfocando o discurso na situação vivida na região sul do Estado, onde casos de febre aftosa em 2005 minaram a atividade pecuária estadual. “Temos um leilão de euforia e resgate da atividade no sul, a região que mais sofreu com problemas que nunca mais passaremos”, ponderou, arrematando que, agora, “um novo Mato Grosso do Sul está se apresentando”.


Representante do governo federal na Expogrande, o vice-presidente do Banco do Brasil, Luiz Carlos Guedes, salientou que as perspectivas para a agropecuária são “excepcionais” no País. “Nenhum país tem como competir com o Brasil”, crê. Ele ainda ressaltou a importância estratégica que o banco possui com o Estado, sendo responsável por 90% dos financiamentos agropecuários de Mato Grosso do Sul. Na exposição, o banco espera fechar R$ 60 milhões em negócios. Há ainda R$ 900 milhões para o financiamento da safra e R$ 3,2 bilhões em carteira de crédito.

Já o prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) se concentrou na importância da feira para a cidade, “que, em 70 anos, nunca deixou de ser realizada, mostrando a excelência de uma classe que sabe superar desafios”. Ainda conforme o prefeito, a Expogrande é uma “vitrine que faz de Mato Grosso do Sul e de Campo Grande modelos de produtividade rural com qualidade”. Ele ainda anunciou que a Prefeitura transferiu o gabinete durante a feira.

Recorrendo a um comparativo que já utilizou anteriormente, o governador André Puccinelli (PMDB) afirmou que “o inverno já passou, e a primavera começa a florescer”. Ele salientou que, diante dos problemas até agora, a união da classe política foi necessária para contornar desafios. “Esta foi a melhor coisa que fizemos entre 2007 e 2008, a união de todos os parlamentares”, ponderou.


Puccinelli ainda apresentou números sobre a agropecuária estadual, como a produção de cinco milhões de toneladas de soja e 2,7 milhões de toneladas de milho, “além de estarmos reiniciando as exportações de carne nos patamares de antes de 2005”. Além disso, o governador estipulou uma próxima meta para a pecuária. “Não nos contentamos só com o reconhecimento da OIE [Organização Internacional de Epizootias]. Queremos o status da Austrália e da Nova Zelândia, para termos maior agregação de valor ao produto”, disse, afirmando que os australianos chegam a receber mais que o dobro do que é pago pela arroba brasileira.

Ainda durante a cerimônia de abertura, foi assinada a Lei Municipal 4.605/08, de autoria de Edil Albuquerque (PMDB), autorizando a construção do Museu do Fazendeiro “Paulo Machado de Carvalho”, a ser erguido no Parque de Exposições “Laucídio Coelho Neto”. A sede será literalmente trazida da fazenda Porto Alice, sendo doada por um produtor. Aos seus 70 anos, a Expogrande projeta seu futuro sem se esquecer do passado.

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